ESPM inaugura biblioteca comunitária aberta 24 horas na Vila Mariana

Sem porta, nem porteiro, a Livro Livre ESPM ficará aberta todos os dias da semana em qualquer horário!
Em São Paulo, quem quisesse pegar livros em bibliotecas abertas a qualquer hora, poderiam ir na biblioteca Mário de Andrade, localizada no centro da capital, que atualmente, fica aberta até as 22h. Porém, o bairro da Vila Mariana traz uma ótima novidade para os amantes da literatura: A faculdade ESPM acaba de inaugurar uma biblioteca comunitária em plena calçada!

Localizado na fachada da instituição de ensino, na rua Doutor Álvaro Alvim – 123,  o espaço, que não possui portas e nem porteiro, e que remete à uma banca, foi inaugurado ontem (19) e, para chamar atenção de quem passava,  bateria dos alunos da faculdade esteve presente realizando um show, assim como a leitura de trechos de algumas obras.
O acervo da biblioteca já possui mais de dois mil livros e maioria, vêm por parte de doações – um dos maiores objetivos do projeto chamado de “Livro Livre”. Não há regras e datas para as devoluções dos livros. A proposta é repassar os livros que serão doados pela comunidade de alunos, professores, parceiros, vizinhos e demais pessoas, que queiram compartilhar conhecimento por meio de livros de literatura, filosofia, artes e, também alguns exemplares didáticos e acadêmicos. “Qualquer pessoa que passar na Rua Dr. Álvaro Alvim, no número 123 e se dirigir a Livro Livre ESPM pode entrar, escolher e levar um livro. Ela não tem porta, não tem vidro, nem porteiro. É só passar e levar”, explica Dalton Pastore, presidente da ESPM e criador do projeto. “Certamente, se o leitor devolver este livro após o tempo que julgar necessário, outras pessoas também poderão se beneficiar da obra literária”, sugere.

As doações de livros podem ser realizadas na Biblioteca da faculdade, na Rua Doutor Álvaro Alvim – 123.

53 manuais para conservação de livros

O projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, em 1997, publicou 53 títulos sobre a conservação preventiva de livros e documentos, de filmesfotografias e meios magnéticos na forma de 24 cadernos temáticos em formato A4.
O material data de 1997 e estava disponível no site do projeto, http://www.cbpa.net, que não existe mais. Felizmente ainda é possível baixá-los no site da Prefeitura de São Paulo:
Eu baixei todos os PDFs e, caso eles saiam do ar, darei um jeito de manter a possibilidade do download.
Creio que o título mais interessante é o de número 13, que ensina a fazer reparos em livros, uma das principais dúvidas que aqui recebo via comentários e email: como consertar livros.
Você também encontrará muitos cadernos com instruções de como guardar e conservar livros. Também são interessantes os cadernos que ensinam como secar livros, como defendê-los de fungos pragas como traças.
Alguns, porém, são muito técnicos, no entanto e só vão interessar a bibliotecários.
Abaixo, listo os cadernos e seu conteúdo, também a título preventivo caso eles saiam do ar no site da prefeitura de São Paulo: assim já fica reservado o lugar onde colocarei os links para as obras caso necessário.
Acondicionamento
Caderno de 1 a 9 – Armazenamento e Manuseio: Métodos de armazenagem e práticas de manuseio; A limpeza de livros e de prateleiras; A escolha de invólucros de qualidade arquivística para armazenagem de livros e documentos; Invólucros de cartão para pequenos livros; A jaqueta de poliéster para livros; Suporte para livros: descrição e usos; Montagens e molduras para trabalhos artísticos e artefatos em papel; Mobiliário de armazenagem: um breve resumo das opções atuais; Soluções para armazenagem de artefatos de grandes dimensões.
Conservação
10 a 12- Caderno técnico : procedimentos de conservação: Planificação do papel por meio de umidificação; Como fazer o seu próprio passe-partout; Preservação de livros de recortes e álbuns.
13- Manual de pequenos reparos em livros
Meio Ambiente
14 a 17- Caderno técnico: meio ambiente: Temperatura, umidade relativa do ar, luz e qualidade do ar: diretrizes básicas de preservação; A proteção contra danos provocados pela luz; Monitoramento da temperatura e umidade relativa; A proteção de livros e papéis durante exposições.
18- Isopermas: uma ferramenta para o gerenciamento ambiental
19- Novas ferramentas para preservação – avaliando os efeitos ambientais a longo prazo sobre coleções de bibliotecas e arquivos
Emergências
20 a 25- Caderno técnico : administração de emergências: Planejamento para casos de emergência; Segurança contra perdas: danos provocados por água e fogo, agentes biológicos, roubo e vandalismo; Secagem de livros e documentos molhados; A proteção de coleções durante obras; Salvamento de fotografias em casos de emergência; Planilha para o delineamento de planos de emergência – ed. Sherelyn Ogden
26 a 29- Caderno técnico : emergências com pragas em arquivos e bibliotecas: Controle integrado de pragas; A proteção de livros e papel contra o mofo; Como lidar com uma invasão de mofo: instruções em resposta a uma situação de emergência; Controle de insetos por meio de gases inertes em arquivos e bibliotecas.
Planejamento
30 a 32- Caderno técnico : planejamento e prioridades: Planejamento para preservação; Políticas de desenvolvimento de coleção e preservação; Planejamento de um programa eficaz de manutenção de acervos
33 a 36- Caderno Planejamento de preservação e gerenciamento de programastécnico: Planejamento de preservação e gerenciamento de programas:Desenvolvimento, gerenciamento e preservação de coleções; Seleção para preservação: uma abordagem materialística;  Considerações complementares sobre “Seleção para Preservação” : uma abordagem materialística; Implementando um programa de reparo e tratamento de livros
37- Programa de planejamento de preservação: um manual para auto-instrução de bibliotecas
38- Considerações sobre preservação na construção e reforma de bibliotecas: planejamento para preservação
Fotografias e filmes
39- Preservação de fotografias: métodos básicos de salvaguardar suas coleções
40- Guia do Image Permanence Institute (IPI) para armazenamento de filmes de acetato
41- Indicações para o cuidado e a identificação da base de filmes fotográficos – Monique C. Fischer e Andrew Robb
Registro sonoro e fitas magnéticas
42- Armazenamento e manuseio de fitas magnéticas – um guia para bibliotecas e arquivos
43- Guarda e manuseio de materiais de registro sonoro
Reformatação
44 a 47- Caderno técnico : reformatação: O básico sobre o processo de digitalizar imagens; Microfilme de preservação: plataforma para sistemas digitais de acesso; O processo decisório em presevação e fotocopiagem para arquivamento; Controle de qualidade em cópias eletrostáticas para arquivamento
48- Microfilmagem de preservação: um guia para bibliotecários e arquivistas
49- Do microfilme à imagem digital
50- Uma abordagem de sistemas híbridos para a preservação de materiais impressos
51- Requisitos de resolução digital para textos: métodos para o estabelecimento de critérios de qualidade de imagem
52- Preservação no Universo Digital
53- Manual do RLG para microfilmagem de arquivos
Autor do texto: Alessandro Martins

Hábito de leitura leva catador de lixo para universidade federal




Criado pela avó e pela mãe, Carlos César Alves Correa passou a infância recolhendo lixo das ruas de Porto Alegre. De manhã, coletava papel e latas com outras sete crianças da família. De tarde, frequentava a escola. De noite, ficava na pequena casa de chão batido e paredes de madeira velha. “Quando batia vento forte, o telhado voava”, relembra Correa sobre a moradia da infância. O pátio da casa abrigava ainda a égua da família, animal usado para puxar a carroça com o material recolhido nas ruas.

“As pessoas se sensibilizavam em ver as crianças catando o lixo e doavam comida. Eu tinha vontade de estudar, mas não tinha influência da minha família porque ninguém sequer tinha o ensino fundamental completo. Não culpo eles, nenhum deles recebeu o exemplo antes”, conta o rapaz de 24 anos.

Porém, a família recebia mais do que comida. Quando tinha dez anos, o garoto ganhou um livro que despertou seu desejo de ser professor. “A história era parecida com a minha, de um jovem que queria estudar, mas não tinha recursos. Eu me enxerguei ali”, contou a VEJA.

Foi através da leitura, frequentando bibliotecas públicas da capital gaúcha e “espiando” livros nos sebos, que Correa deixou a rotina de catador de lixo para ser aprovado no curso de Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, o universitário conta sua história para jovens em vulnerabilidade social através de projetos da Rede Marista, em Porto Alegre. Um desses projetos é a “Rede do Livro”, iniciada em agosto, que incentiva a doação de livros para modificar o baixo índice de leitura no país: 1,7 livro per capta por ano, segundo o Ministério da Cultura. Os voluntários podem doar livros diretamente para pessoas ou instituições de sua escolha e utilizar a “hashtag” #rededolivro nas redes sociais para divulgar a ação. A campanha também promove a doação de sangue.

Antes de contar sobre a importância da leitura e da literatura na sua vida para outros jovens, o rapaz chegou a abandonar a escola para ajudar a família com um trabalho mais rentável. “Cortaram água, luz e o aluguel era alto para o que se recebia. Precisei colaborar. Achei que nunca voltaria a estudar”, conta. Mas Correa conseguiu emprego e retomou os estudos. Pagou com o próprio dinheiro um cursinho para se preparar para o vestibular e foi aprovado na UFRGS. Correa foi aprovado pelo sistema de cotas (racial, por renda e por ter estudado em escola pública).

Para conseguir estudar no turno da manhã e tarde, Correa trabalha atualmente em uma empresa de call center. “Meu trabalho tem muita pressão, mas é o único mercado que tem contratado durante a crise e tem flexibilidade de horário para que eu possa ir à universidade”, explica o universitário.
Desde que a leitura se tornou um hábito, Correa elegeu Machado de Assis como seu autor favorito, mas também é admirador dos poetas Mário Quintana e Cecília Meireles. Aluno do quarto semestre, Correa planeja ser professor de escolas públicas assim que se formar para despertar nas crianças o interesse pela literatura e pela leitura.

Flip 2017: autores dão dicas a escritores iniciantes

Marlon James, Luaty Beirão, Lilia Swcharcz e Frederico Lourenço aconselham quem quer se tornar autor. Festa Literária Internacional de Paraty acabou neste domingo.


"Que dicas você dá a alguém que queira se tornar um escritor, como você?"


·        O premiado jamaicano Marlon James;
·        O rapper e ativista angolano Luaty Beirão;
·        A historiadora Lilia Schwarcz, biógrafa de Lima Barreto;
·        O português Frederico Lourenço, tradutor da 'Bíblia'.


Veja, abaixo, as dicas dos autores da Flip 2017:


Foi esta a pergunta que o G1 fez a quatro convidados da 15ª Festa Literária Internacional de Paraty
(Flip), que terminou neste domingo (30). Eles de estilos bastante variados: tem romancista
premiado, autor de não ficção, cantor e acadêmico:


Em geral, sugerem fé si mesmo e, principalmente, estilo original (nada de imitar autor bem-sucedido).



Ganhador do Man Booker Prize de 2015 e astro da Flip 2017, o jamaicano Marlon James, autor de 'Breve história de sete assassinatos', aconselha: 'Sempre acredite no seu valor. Seu tempo chegará quando você for o único a acreditar em si mesmo'.




O rapper e ativista luso-angolano Luaty Beirão, que lançou na Flip 2017 um diário da época em que esteve preso por ler um livro 'subversivo', dá a seguinte dica: 'Nunca deixe ninguém fazer com que você duvide das suas próprias capacidades. insista até que funcione. Não imite, seja original'.




O português Frederico Lourenço, tradutor da 'Bíblia' do grego para o português, recomenda: '"A fonte principal da escrita é a vida e, por isso, o escritor tem de viver de forma inteira, mergulhado na vida, mas ao mesmo tempo mantendo a capacidade de se observar a mergulhar'.




A historiadora e escritora Lilia Schwarcz, autora da biografia 'Lima Barreto: Triste visionário', dá a dica: ''Queridos amigos jovens escritores, curiosidade e solidariedade são os segredos'.



Flip deu visibilidade a autores negros e a temáticas da periferia

Edição 2017 da Festa Literária Internacional de Paraty teve como estrela a professora Diva Guimarães, com sua fala sobre como enfrentou o racismo.

As escritoras mineiras Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves durante a mesa 'Amadas'

Escritores, organizadores e quem passou pelas ruas de pedra durante a 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) chegaram ao último dia do evento com a percepção de que algo mudou. Não que, antes desta edição, não se pudesse ver na cidade a diversidade do povo brasileiro. A marca da descendência indígena, sobretudo, é inquestionável, seja nos traços dos nativos, seja no artesanato exposto nos espaços públicos ou no próprio nome do Rio Perequê-Açu.

Desta vez, porém, foi diferente na Flip que teve o escritor Lima Barreto como patrono. Ao convidar para as mesas mais escritoras mulheres (23, o mesmo número de homens) e mais autores negros (30%) em relação a outras edições, a festa mudou o perfil de seus frequentadores. A diversidade estava presente nos cabelos crespos orgulhosamente exibidos pelas moças, nos leitores negros que participaram dos eventos, na proliferação de saraus em que jovens declamavam os próprios versos – como ocorreu sábado, no Largo do Rosário, durante Sarau Boto Fé.

A palavra, realmente, era franca a quem quis celebrá-la. ''Num ano tão adverso, chegamos à maturidade da ocupação do espaço público com a cultura. Flip é intervenção e ao mesmo tempo leitura das coisas que estão acontecendo. Desta vez, ficou mais claro a experiência que é a Flip, clareza que está em seu DNA desde o começo, assim como na convivência com os moradores, na diversidade que a gente viu este ano'', pontuou Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip, ao apresentar o balanço dos cinco dias de festa.

Boa parte das mesas foi realizada na Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios. Com capacidade para 400 pessoas, as sessões lotaram todos os dias – os ingressos custaram R$ 55. O mesmo ocorreu no auditório montado às margens do Rio Perequê-Açú, com 700 lugares e acesso gratuito às palestras exibidas no telão.

''Fiquei muito feliz este ano. Voltamos ao começo. Josélia construiu uma programação maravilhosa. Amei a nova forma, tanta diversidade no Centro da cidade'', afirmou a britânica Liz Calder, referindo-se à jornalista Josélia Aguiar, curadora da feira literária. Fundadora da editora londrina Bloomsbury, Calder é idealizadora e presidente da Flip.

DIVA

A estrela desta edição não foi uma escritora, mas a professora paranaense Diva Guimarães, de 77 anos. Seu relato emocionou o ator e escritor Lázaro Ramos, a jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques e o público durante a mesa A pele que habito, na manhã de sexta-feira, 28. A fala sensível sobre como Diva enfrentou o racismo, por meio da educação, caiu na rede, fazendo dela a celebridade da Flip. Diva foi recebida por Lázaro e pela escritora mineira Conceição Evaristo, tirou fotos com as pessoas na rua e foi ovacionada em vários eventos a que assistiu.

A Flip foi marcada por manifestações políticas, com gritos de ''Fora, Temer'' e ''Fora, Pezão'' destinados ao presidente da República, Michel Temer, e ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão. O poeta André Vallias criticou a prisão de Rafael Braga, jovem negro detido nas manifestações de junho de 2013. Na mesa Foras de série, o historiador João José Reis fez considerações acerca do governo brasileiro, do ensino de literatura e da cultura afro-brasileira nas escolas e das cotas sociorraciais. E denunciou a ''escravidão contemporânea''.

APLAUSOS Durante a mesa de encerramento Amadas – ao lado das autoras mineiras Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves –, a curadora Josélia Aguiar foi muito aplaudida por ampliar a participação de autores negros no evento.
''O fato de ter mais mulheres e mais autores negros não deixa de fazer da Flip uma festa literária. É a literatura que está em primeiro plano. Num primeiro momento, fazemos a pesquisa de autores, da diáspora negra, árabes, nórdicos, asiáticos e americanos. Depois você compõe uma espécie de Tinder literário. O segundo momento é pensar as combinações'', contou ela.

Para Conceição Evaristo, a mudança na curadoria foi fruto da mobilização de homens e mulheres negras. ''Não é uma concessão. É um direito estarmos aqui'', resumiu a autora do romance Becos da memória.

Pela primeira vez, o evento contou com a série Fruto estranho, em que os autores apresentavam versos de maneira performática. A atriz e dramaturga Grace Passô e o poeta e multiartista Ricardo Aleixo, ambos mineiros, conquistaram o público.

A escritora Ana Maria Gonçalves espera que a curadoria mais inclusiva influencie outros eventos. ''Feminismo, racismo e migração foram temas contemplados, tudo isso sem perder o foco na literatura. Que todos se inspirem nesse modelo de festa inclusiva e representativa'', afirmou.

FLIP PRETA

Os jovens integrantes do coletivo Nuvem Negra, que vieram à cidade fluminense cobrir a ''Flip preta'', comemoraram a maior representatividade desta edição, mas acreditam que ela pode ser maior.

''É a minha quarta Flip e a diferença ficou bem clara. Há presença maior de pessoas negras, mas ainda é pouco. A fala da dona Diva só ocorreu porque ela encontrou espaço, porque era o Lázaro que estava na mesa'', disse Bruna Souza, de 24 anos, estudante de desenho industrial da PUC Rio.

A estudante de jornalismo Gabriele Roza, de 21, destacou a importância do lançamento do catálogo Intelectuais negras visíveis, organizado pela professora Giovana Xavier, que reuniu mulheres negras de todas as idades na Casa Amado e Saramago. ''Podemos falar sobre tudo: amor, literatura... Enfim, assuntos universais'', comentou.

ECLETISMO

A Flip 2017 ofereceu eventos memoráveis. Um deles foi a conversa de Pilar del Río com Paloma Amado, que lançaram o livro Com o mar por meio (Companhia das Letras), reunindo cartas trocadas entre os escritores José Saramago e Jorge Amado. A linguagem e a radicalização de experimentações foram tema da mesa formada pelo cineasta Carlos Nader e a escritora chilena Diamela Eltit. Outro ponto alto foi a mesa O grande romance americano, com os autores premiados Marlon James e Paul Betty.

4 formas de incentivar a leitura nas crianças




Quem já teve a oportunidade de perder-se entre as páginas de um livro sabe que a leitura é uma das melhores atividades para quem deseja momentos relaxantes, prazerosos e cheios de aprendizado. Um livro tem o poder de transportar a mente para dimensões únicas, além de ser uma excelente fonte de inspiração para a criatividade. Entre os diversos capítulos de uma obra, o leitor passa a enxergar a vida de uma maneira diferente e a estimular seu pensamento reflexivo.

Para as crianças, esses benefícios são ainda mais preciosos. Incentivar o hábito da leitura, desde cedo, é muito importante pois é, durante a infância, que os pequenos começam a se desenvolver física e cognitivamente. Além disso, essa é uma fase de descoberta em que as crianças aprendem a distinção entre aquilo que é correto e aquilo que não é, e também iniciam o processo de alfabetização e conhecimento de mundo. Pensando nisso, reunimos algumas dicas para ajudar a você a incentivar o hábito de leitura no seu pequeno. Confira!

1 – Não obrigue a criança a ler

O primeiro passo é evitar qualquer tipo de obrigação relacionada à essa atividade. Os pequenos devem se sentir interessados pela leitura e enxergá-la como algo prazeroso. Por isso, a dica é que os próprios pais comecem a ler para os seus filhos, até mesmo para aqueles que já iniciaram o processo de alfabetização. Observando o entusiasmo dos pais, as crianças ficarão ainda mais interessadas pelo livro.

2 – Encontre o tipo de leitura que o seu filho gosta

Levar em conta o gosto da criança é um ponto-chave para incentivar a leitura. Por isso, é fundamental conversar com o seu filho sobre suas preferências ou levá-lo para escolher algum livro na seção infantil da biblioteca ou livraria. Se a criança se interessa por pintura, por exemplo, um livro de colorir pode ser uma boa pedida.

3 – Escolha o livro apropriado para a idade

Um fator fundamental para incentivar a leitura é fazer a escolha do livro de acordo com a idade da criança. Antes da alfabetização, os pequenos tendem a ter um contato visual e a querer sentir os livros com as próprias mãos. Nessa fase, edições de livros coloridos e feitos de plástico são ideais. Já com o início da alfabetização, é indicado que os pais adotem um método de leitura alternada, ou seja, deixar o filho ler uma parte da história e o pai a outra. Nesse momento, prefira livros que tenham um equilíbrio entre a escrita e as ilustrações.

Para não errar na escolha das obras, uma boa opção é assinar um clube do livro e, assim, receber títulos adequados para a idade do seu filho. A Leiturinha é um exemplo de clube de assinatura de livros infantis. O clube conta com uma equipe de curadoria, composta por profissionais especializados na área de pedagogia e psicologia, que seleciona os livros apropriados para a idade de cada criança.

4 -Estimule o interesse para a criação de histórias

Mesmo após a alfabetização, é fundamental a participação dos pais para que os pequenos continuem envolvidos com a leitura. A última dica, então, é instigar a criação de histórias para que os pequenos criem suas próprias narrativas e, quem sabe, até seus próprios livros. Assim, a criança desenvolverá a capacidade cognitiva, criativa e ficará ainda mais interessada por livros.


Biblioteca pessoal de Fernando Pessoa disponível on-line e gratuita

Somente uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitiria uma consulta à Biblioteca pessoal do poeta.

Mas a internet estreitou laços, diminuiu fronteiras e proporcionou a oportunidade do acesso rápido e gratuito ao acervo. São mais de 1140 volumes, incluindo a coleção de manuscritos (ensaios e poemas), deixados pelo próprio poeta.

É possível consultar as obras do acervo por título, data, gênero, anotações, dedicatórias, selos e estudos. Todas as páginas de cada uma das obras foram digitalizadas e disponibilizadas para consulta página a página, com a possibilidade de download de obras completas.

“Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se patrimônio da humanidade – e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos quinze anos da sua vida” defendeu a instituição.

De acordo com o site, a coleção começou a ser construída gradualmente em 1898, com livros escolares. Alguns dos últimos livros a fazerem parte da biblioteca provavelmente foram publicações de 1935. Oito línguas encontram-se representadas no acervo: espanhol, francês, galego, grego, inglês, italiano, latim e português.

Trata-se de uma biblioteca única em Portugal, não só por ter pertencido ao seu maior poeta, mas porque nela encontram-se títulos raros que não estão disponíveis em nenhuma outra biblioteca pública do país.





Você conhece conhece a série 13 Reasons Why?



Uma série americana apoiada no livro de homônimos escrito por Jay Asher, conta a história da personagem Hanna uma jovem que cometeu suicídio, após cruzar fatos e histórias envolvendo outros personagens, até o momento de sua morte.

Essa história pode parecer perturbadora, porém trata a realidade do mundo que vivemos hoje.

A Biblioteca ESPM SP abordou o tema em seu evento Caleidoscópio Cultural, que aconteceu no dia 1 de junho e contou com a participação o psicanalista João Matta, o professor líder na área de humanidades da ESPM, Pedro de Santi e o psiquiatra de crianças e adolescentes, Guilherme V. Polancyk.
O encontro foi muito esclarecedor e fundamental para entender os porquês existentes em cada questionamento individual.

O que é o Caleidoscópio e por que é legal participar?

O Caleidoscópio foi criado em 2015, por iniciativa de Debora Acquarone, responsável pela Biblioteca da ESPM em SP.

Já foram realizados seis eventos desde então, sempre com o objetivo de aproximar a Biblioteca da comunidade acadêmica ESPM. O Caleidoscópio já trouxe para dentro da Escola a discussão sobre as séries de sucesso na televisão, música, cinema e desafios do mercado editorial.

A leitura como tratamento para diversas doenças


Imagine chegar ao consultório ou ao hospital com um incômodo qualquer e sair de lá com a prescrição de uma terapia intensiva de George Orwell, seguida de pílulas de Fernando Pessoa, emplastros de Victor Hugo e doses generosas de Monteiro Lobato. Você não leu errado: uma boa história ajuda a aliviar depressão, ansiedade e outros problemas que atingem a cabeça e o resto do organismo.

Quem garante esse poder medicamentoso das ficções são as inglesas Ella Berthoud e Susan Elderkin, que acabam de publicar no Brasil Farmácia Literária (Verus). Redigida no estilo de manual médico, a obra reúne cerca de 200 males divididos em ordem alfabética. Para cada um, há dicas de leituras.

As autoras se conheceram enquanto estudavam literatura na Universidade de Cambridge. Entre um debate sobre um romance e outro, viraram amigas e criaram um serviço de biblioterapia, em que apontam exemplares para indivíduos que procuram assistência. “O termo biblioterapia vem do grego e significa a cura por meio dos livros”, ressalta Ella.

O método é tão sério que virou política de saúde pública no Reino Unido. Desde 2013, pacientes com doenças psiquiátricas recebem indicações do que devem ler direto do especialista. Da mesma maneira que vão à drogaria comprar remédios, eles levam o receituário à biblioteca e tomam emprestados os volumes aconselhados.

A iniciativa britânica foi implementada com base numa série de pesquisas recentes que avaliaram o papel das palavras no bem-estar. Uma experiência realizada na Universidade New School, nos Estados Unidos, mostrou que pessoas com o hábito de reservar um tempo às letras costumam ter maior empatia, ou seja, uma capacidade ampliada de entender e se colocar no lugar do próximo. Outra pesquisa da também americana Universidade Harvard apontou que leitores ávidos são mais sociáveis e abertos para conversar.

E olha que estamos falando de ficção mesmo. No novo livro não vemos gêneros como autoajuda ou biografia. “Eles já tinham o seu espaço, enquanto as ficções eram um recurso pouco utilizado. É difícil lembrar-se de uma condição que não tenha sido retratada em alguma narrativa”, esclarece Susan.

As autoras acreditam que é possível tirar lições valiosas do que fazer e do que evitar a partir da trajetória de heróis e vilões. “Ler sobre personagens que experimentaram ou sentiram as mesmas coisas que vivencio agora auxilia, inspira e apresenta perspectivas distintas”, completa.

As sugestões percorrem praticamente todas as épocas e movimentos literários da humanidade. A obra mais antiga que integra o livro é a epopeia O Asno de Ouro, assinada pelo romano Lúcio Apuleio no século 2, que serve de fármaco para exagero na autoconfiança. Há também os moderníssimos Reparação, do inglês Ian McEwan (solução para excesso de mentira), e 1Q84, do japonês Haruki Murakami (potente para as situações em que o amor simplesmente termina).

Disponível em 20 países, cada edição de Farmácia Literária é adaptada para a cultura local, com a inclusão de verbetes e de literatos nacionais. “Nós precisamos contemplar as obras que formaram e moldaram o ideal daquela nação para que nosso ofício faça sentido”, conta Ella. No caso do Brasil, foram inseridos os principais textos de Machado de Assis, Guimarães Rosa e Milton Hatoum, que fazem companhia aos portugueses Eça de Queirós e José Saramago.

Soluções para os dilemas de quem curte livros

Muitas obras em casa

Organize sua biblioteca a cada seis meses e doe as obras de que não gostou ou daquelas a que não chegou ao fim.

Esquecer o que já leu

Mantenha um diário de leitura e faça um breve resumo dos principais fatos para consultar quando houver necessidade.

Medo de iniciar um exemplar

Passe os olhos por trechos aleatórios de alguns parágrafos. Assim dá pra se ambientar e tomar coragem de vez.

Dificuldade de concentração

Reserve um espaço na sua agenda diária ou semanal para ler e ficar longe da televisão, do tablet e das redes sociais.

Recusa a desistir no meio

Insista por 50 páginas. Se a história não apetecer, parta para a próxima. Dê o livro a quem possa se interessar.

Tendência a desistir no meio

Você está dedicando poucos minutos à leitura. Fique uma hora (ou mais) para conseguir se envolver com o enredo.

Compulsão por ter livros

Compre um e-reader. Sem capas bonitas e formatos diferenciados, vai ficar menos tentado a levar a livraria inteira.

Intimidado por um livrão

Desmembre o catatau em pedaços menores. Dedique-se a um de cada vez. Acredite: logo todas as páginas serão finalizadas.

Vergonha de ler em público

Aposte nos livros digitais ou numa capa de crochê, pano ou plástico para esconder o título dos olhares curiosos.

Medo de terminar

Curtiu tanto que não quer chegar ao final? Veja filmes e leia resenhas para permanecer dentro do mesmo universo.