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Biblioteca da Mell já recebeu mais de 5 mil livros


Um livro tem o valor de 100 livros para o meu coração”

“O livro tem três valores: o de ter, o de trocar e o cheiro. Você pode viajar na leitura, estar no México, ou em qualquer outro lugar, mas sentado.”

Essas são frases da pequena Mell. Com apenas sete anos, ela sonha em abrir uma biblioteca pública em sua cidade, Mata Grande, um pequeno município em Alagoas, com pouco mais de 25 mil habitantes.

Vinda de uma geração de professoras, Mell sempre foi muito influenciada pelas histórias contadas pela mãe e avó. "Antes mesmo de saber ler, ela já gostava de livros ilustrativos", conta a madrinha e prima da garota, Marina Fortes.

Do amor pela leitura veio o sonho de compartilhar esse mesmo sentimento com outros em sua comunidade. A ideia de montar uma biblioteca começou a se materializar quando uma cartinha enviada por Mell a uma tia foi parar nas redes sociais.

A primeira divulgação pública da carta ocorreu no dia 28 de março. Desde então foram mais de 5.000 livros arrecadados.

A Secretaria de Educação de Alagoas doou mais de 2.700 obras, e, em seguida, chegaram mais 2.000 exemplares da Academia da Polícia Militar.

Fora isso, todos os dias chegam pelos Correios livros vindos de todos os estados do País. Vendo o sonho se tornar realidade, a família resolveu investir em pontos de coleta de livros, que hoje já somam 13 espalhados pelo estado.

A família também está arrecadando recursos para construir uma biblioteca com espaço suficiente para todo o material. Enquanto isso, grande parte dos livros fica no Arquivo Público Estadual, que se responsabiliza pela catalogação deles.

"Ela está muito feliz com o apoio de todos e por ver o seu sonho começando a se tornar realidade. A cada livro que ela recebe, é um sorriso a mais", conta a madrinha. "A sensação é de muita felicidade, por ver o sonho da Mell se realizando e despertando nas pessoas a cooperação, mostrando a todos que a leitura está viva."

A Mell, assim como toda criança hoje, também é fã da tecnologia e todas as suas plataformas: celular, tablet ou computador. Mas é a leitura o principal passatempo e a maior fonte de alegrias e conhecimento da pequena.

No Japão, biblioteca restaura o que foi perdido no tsunami

A cidade de Rikuzentaka no leste do Japão foi devastada pelo terremoto e tsunami que assolaram a região no dia 11 de março de 2011. Entre as vítimas do desastre natural estavam os sete funcionários da Biblioteca Pública de Rikuzentaka — juntamente com 80.000 livros que estavam sob os seus cuidados.
Logo após o desastre, o cuidado com os mortos e feridos era prioridade, obviamente. Mas nos anos subsequentes, começaram os esforços no sentido de restaurar a amada biblioteca da cidade.
A Biblioteca Metropolitana Chuo de Tóquio (Minato), a única biblioteca pública do país com um departamento dedicado à restauração de livros, vem trabalhando na restauração de materiais do acervo local da Biblioteca Pública de Rikuzentaka desde 2013. Cinquenta e um itens restaurados serão devolvidos à cidade no dia 20 de março.
Até lá, ficarão expostos como parte de uma exposição na Biblioteca Metropolitana Chuo de Tóquio chamada de “Tesouros Locais Renascem Após o Grande Tsunami: a Restauração de Materiais do Acervo Local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata”. Quem visita a exposição, aberta até o dia 11 de março, pode ver o andamento da restauração, além de alguns dos livros que estão sendo restaurados.
A exposição exibe fotos que registram o ano após o tsunami. A exposição de fotos contém imagens do resgate de materiais do acervo local encontrado em uma pilha de livros da biblioteca que foram resgatados de uma garagem onde haviam sido jogados. As fotos também mostram a sujeira e lama do tsunami antes de serem removidas. Há também uma série de paineis que explicam o processo de restauração usado pela Biblioteca Metropolitana. A exposição inclui as ferramentas atuais usadas e os próprios livros restaurados.

Em Petrópolis, RJ terminais de ônibus ganham bibliotecas públicas

Os terminais de ônibus municipais de Corrêas e Itaipava, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, ganharam nesta semana um espaço cultural para aos passageiros com bibliotecas públicas instaladas em cada local. As unidades, que têm formato de um grande livro de madeira, de dois metros de altura, fazem parte do projeto ‘Livro no Ponto’ e oferece à população o empréstimo gratuito de livros, para todas as idades.
A iniciativa, idealizada por Renato Ceschini e Naja Calaza em 2009, ganhou o apoio da Prefeitura e agora beneficiará milhares de petropolitanos que circulam pelos Terminais de Integração diariamente.
“Estamos democratizando o acesso da população à leitura. Os terminais são espaços por onde milhares de pessoas passam todos os dias, ou seja, elas não terão que sair do seu caminho para ter acesso ao livro”, destacou o prefeito Rubens Bomtempo.
São 750 títulos em cada ponto, que funcionará das 8h às 17h. Para participar, basta fazer uma ficha no local, com documento de identidade e comprovante de residência. No caso de crianças e adolescentes, é preciso ter a autorização dos pais. O empréstimo é por 15 dias.
“Em um lugar onde tanta gente está, onde tanta gente passa, temos que criar oportunidades de trocas. Trocas de conhecimento, de sonhos, para ampliar as possibilidades do que nós pensamos. Gerir melhor o tempo é sempre importante, então poderemos, agora, ocupá-lo com mais conteúdo”, disse a presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Thais Ferreira.
Para o idealizador do projeto, Renato Ceschini, é uma alegria ver sua ideia difundida.
“Eu me sinto muito honrado em levar o projeto para estes espaços. O prefeito Rubens Bomtempo e a presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Thais Ferreira abraçaram esse trabalho e mostraram grande preocupação com a difusão e a democratização da cultura. É um projeto gratuito que coloca o livro à disposição do cidadão”, lembrou.

Menino de 7 anos arrecada livros e monta biblioteca para crianças sem-teto

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Mesmo tímido e de poucas palavras, Blake Ansari, 7, já arrecadou quase 6 mil livros nos Estados Unidos em pouco mais de um ano. Ele mobilizou empresas, amigos e instituições por um único desejo: ajudar crianças desabrigadas a ter acesso à leitura.

“Espero que todas as crianças sem casa tenham sucesso em várias coisas. Desejo que eles tenham a chance de ir para a faculdade e se tornem adultos bem sucedidos”, disse ao UOL em um encontro realizado no último dia 21 de março, numa manhã gelada da recém-chegada primavera norte-americana.

A história começa em uma noite próxima ao Natal de 2013, quando a mãe de Blake, Starita Boyce Ansari, leu em voz alta uma série de reportagens publicadas pelo jornal norte-americano “New York Times” sobre o dia a dia de uma menina de 11 anos desabrigada e de sua família. Segundo a reportagem, estima-se que mais de 22 mil crianças morem nas ruas de Nova York, o maior número desde a grande crise econômica mundial de 1929.

Blake Mini Library. Reprodução Facebook/blakeminilibrary.
Blake Mini Library. Reprodução Facebook/blakeminilibrary.

Na manhã seguinte, enquanto tomava o café da manhã, o garoto virou para os seus pais e indagou “isso significa que eles não têm uma biblioteca, não é? Eles deveriam ter uma”, lembrou Starita, que é doutora em filantropia, mas parou de trabalhar para cuidar do filho.
“Eu vi que eu devia ajudá-los a ter sucesso”, lembrou Blake sobre o dia em que teve a ideia.

“Não posso dizer não, eu pensei. Se ele quer ajudar as crianças, por que não?! Ele está certo”, contou Starita.

Com a ajuda da mãe e do pai, Nuri Ansari, Blake começou a pedir doações de livros para os amigos. Sua família não perdeu tempo e começou a fazer ligações para os conhecidos com o mesmo pedido.

“Eu falei com meus amigos e eles disseram que poderiam ajudar aos sábados e domingos [na organização dos livros arrecadados]”, lembrou Blake.

Uma nova biblioteca

Segundo Starita, no início foi complicado achar um abrigo que pudesse receber a Blake Mini Library (Minibliblioteca de Blake). No entanto, a experiência profissional de Nuri, que trabalha há mais de 20 anos com o desenvolvimento de programas para desabrigados e ex-presidiários, ajudou.

“O pai de Blake começou a conversar com algumas pessoas e conseguimos um abrigo para instalar a minibiblioteca”, explicou Starita.

Blake Mini Library. Reprodução Facebook/blakeminilibrary.
Blake Mini Library. Reprodução Facebook/blakeminilibrary.

Com a repercussão do projeto, empresas e instituições abraçaram a ideia. “As pessoas foram conhecendo e começaram a doar. Em setembro do ano passado, Blake começou a dar palestras e pedir mais doações”, disse sua mãe.

A biblioteca foi oficialmente fundada no dia 6 de janeiro de 2014 e, em pouco mais de um ano, quase 6 mil livros já foram arrecadados e disponibilizados em um abrigo temporário, localizado no Brooklyn. No local, crianças e adolescentes são autorizados a ficar com cinco livros cada. O objetivo é que eles comecem suas próprias bibliotecas. “A ideia não é só ler o livro. É usá-lo mesmo. A ideia é ajudá-los mais”, afirmou Starita.

Carta para Barack Obama

O objetivo de Blake não para por aí. Mesmo já tendo arrecadado uma significativa quantidade de livros, ele quer mais. O garoto chegou a escrever uma carta para o presidente dos Estados Unidos pedindo que ele doe mais livros para as crianças sem-teto.
“Eu enviei a carta em janeiro [deste ano], mas até agora não tive resposta”, sussurrou o jovem cabisbaixo.

“Quero que existam bibliotecas por todo o país. Por todo o mundo”, destacou Blake. “Obrigado por doarem livros. E espero que todos no Brasil sejam bem sucedidos”, disse ao mandar um um recado para os brasileiros.

Maior biblioteca pública da Europa tem 10 andares, jardim suspenso e wi-fi

Melissa Becker
Do UOL, em Birmingham (Inglaterra)


Esqueça a imagem de livros de páginas amareladas, acumulados em prateleiras poeirentas. Combinando arquitetura, inovações e raridades shakespearianas, a maior biblioteca pública da Europa em número de visitantes redefine o conceito de local de conhecimento.

Localizada a cerca de 2 horas de Londres, a nova biblioteca de Birmingham deve atrair 3,5 milhões de frequentadores por ano, de acordo com as expectativas da organização. Com wi-fi gratuito em seus 10 andares e jardins suspensos, o prédio faz parte do plano de renovação da segunda maior cidade inglesa, mas já serve como referência a outras grandes bibliotecas no velho continente.

O UOL visitou o local, inaugurado no dia 3 de setembro pela jovem paquistanesa Malala Yousafzai. A ativista, que foi levada para Birmingham para receber tratamento após ser baleada pelo Talibã por defender a educação de meninas em seu país, mora atualmente na cidade. 

Em um momento em que o governo britânico tem fechado bibliotecas públicas pelo país, abatidas pela recessão, os números estimados para o espaço impressionam.

O prédio de 31 mil metros quadrados foi projeto por arquitetos holandeses para abrigar um milhão de volumes impressos – o maior acervo público no Reino Unido. Desses, 400 mil estão disponíveis para o público.

Conforme o diretor, Brian Gambles, o projeto totalizou £ 188,8 milhões (cerca de R$ 680,95 milhões) – £ 4,2 milhões (R$ 15,15 milhões) a menos do que o orçado.

"É sobretudo um local de transformação: sobre como temos transformado a vida das pessoas, com educação, e sobre como tornar uma biblioteca para a era digital", ressalta.

Após passar cinco anos trabalhando no projeto, a arquiteta Francine Houben, do escritório holandês Mecanoo, conta que tentou refletir no prédio uma cidade de população jovem e multicultural. Sua obra foi criada para desenvolver os sentidos.

"É uma ode ao círculo", explica Francine, em referência às formas circulares de diferentes elementos do edifício, como a rotunda de livros, que compreende três andares e conta com luz natural.

Não é apenas a leitura que deve atrair cerca de 10 mil visitantes por dia: o local inclui dois jardins suspensos, anfiteatro ao ar livre, área musical, biblioteca infantil e espaços para estudos com diferentes configurações, entre outros.

"Cada biblioteca é diferente. O que é único na de Birmingham é seu acervo e seu patrimônio", ressalta a arquiteta, que deve ir a São Paulo no final de outubro para uma palestra. 

Shakespeare no topo

A biblioteca de Birmingham conta com uma das maiores coleções de William Shakespeare no mundo. O dramaturgo inglês – nascido em Stratford-Upon-Avon, cidade na mesma região inglesa – é homenageado em um espaço histórico, remontado no topo do moderno edifício.

A sala fazia parte originalmente da segunda biblioteca da cidade, inaugurada em 1882 (após um incêndio ter destruído o primeiro prédio). Em estilo vitoriano, com painéis de madeira e gabinetes de vidro, ela foi removida inteiramente e restaurada.

Apesar de a coleção shakespeariana ter se tornado maior do que a capacidade da sala já no início do século 20, ela ainda está abrigada no prédio. São 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como "Folios") e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709.  

As prateleiras do espaço também dispõem de outros importantes acervos, que passam por digitalização para ser disponibilizado ao público. Alguns podem ser conferidos em mesas com touch screen, desenvolvidas especialmente para a biblioteca.

Uma das preciosidades é o arquivo da empresa Boulton & Watt, o mais importante da Revolução Industrial, com cerca de 29 mil desenhos industriais da época.  No catálogo online, há menção da venda de uma máquina a vapor para a cunhagem de moedas para o Brasil, em 1811.

Entre as mais de 8,2 mil publicações datadas antes de 1701, estão três livros impressos em 1479 pelo primeiro gráfico inglês, William Caxton, em perfeito estado. A edição do "Birds of America" ("Aves da América"), publicado pelo naturalista John James Audubon na primeira metade do século 19, figura entre os mais caros do mundo devido sua raridade e é um dos destaques.

Além disso, a biblioteca pública de Birmingham é a única no Reino Unido a ter uma das coleções nacionais de fotografias, com mais de 3,5 milhões de imagens.  

Em outubro, o espaço deverá receber escritores renomados como Lionel Shriver (autora de "Precisamos Falar sobre Kevin" e "O Mundo Pós-Aniversário") e Carol Ann Duffy (escritora e poetisa escocesa, primeira mulher a ser indicada como "Poeta Laureado" do Reino Unido) durante o festival de literatura de Birmingham. 

A expectativa é que a biblioteca se torne um novo destino turístico na região central da Inglaterra.  

Moradores de bairro tentam resgatar biblioteca centenária em Londres

DA FRANCE PRESSE, EM LONDRES


Como centenas de bibliotecas municipais sacrificadas pelo plano de austeridade britânico, a de Kensal Rise também fechou suas portas. Mas a resistência se organiza e os moradores desse bairro multiétnico de Londres não perdem a esperança de vê-la renascer.

No exterior do grande prédio vitoriano de tijolos, agora proibido ao público, na esquina de duas ruas povoadas de pequenas casas e de algumas lojas comerciais, uma biblioteca alternativa aparece. Livros trazidos pelos moradores estão à disposição das pessoas que passam por ali, podendo até pegá-los emprestado.

"Salvem nossa biblioteca"; "deixem-nos administrá-la", proclamam cartazes colados em suas paredes.

Inaugurada pelo escritor americano Mark Twain, em 1900, Kensal Rise fazia parte das seis "livrarias" de um total de 12 do bairro de Brent (noroeste de Londres) que a prefeitura trabalhista decidiu fechar, há um ano.

Motivos citados: os cortes no orçamento impostos pelo governo e uma frequência considerada insuficiente -- uma exigência de economia que ameaça, atualmente, as mais de 400 bibliotecas municipais do país, ou 10% de seu número total, segundo os que se opõem ao fechamento.

Revoltados por uma decisão que penaliza, segundo eles, os mais carentes, os moradores de Kensal Rise se dizem dispostos a reagir.

"Foi um choque, era um lugar de vida no bairro", comenta Paula Gomez, mãe de família, escandalizada com o fato de uma "prefeitura trabalhista ter uma tal mentalidade".

"Pessoas veem ler o jornal, usar os computadores, os desempregados os consultam para procurar trabalho, e as crianças encontram ajuda para fazer seus deveres de escola", enumera ela.

"SALVE NOSSA BIBLIOTECA"

Um blog foi criado, com reuniões se sucedendo, ao lado de cartazes com os dizeres "salve nossa biblioteca", que florescem nas janelas das casas. Os escritores Zadie Smith e Philip Pullman demonstraram seu apoio --o mesmo aconteceu com os grupos musicais Depeche Mode, Goldfrapp, Pet Shop Boys.

O golpe foi dado em outubro: a Justiça considerou legal o fechamento de seis bibliotecas. E a decisão foi tomada de imediato.

Os moradores entraram com um apelo. Em Kensal Rise, organizaram-se, para impedir a Prefeitura de isolar o prédio: durante alguns dias, os voluntários se revezaram dia e noite em frente, até a Prefeitura anunciar que desistira de intervir, antes do final do procedimento judiciário.

Na corte de apelação, defensores das bibliotecas disseram que os fechamentos acarretavam uma discriminação indireta, em detrimento das pessoas de origem asiática, maioria estatística, que as utilizam.

Reprovaram também a prefeitura por não ter feito caso de suas propostas alternativas de retomar as bibliotecas, dizendo-se prontos a administrá-las eles próprios.

A prefeitura respondeu que se comprometia a modernizá-las, estando uma nova em construção, para ser inaugurada no começo de 2013.

Enquanto esperam o veredicto dos tribunais, decisões recentes da justiça dão esperança aos moradores. A Suprema Corte de Londres considerou ilegais, em meados de novembro, as decisões das prefeituras de Somerset e de Gloucestershire (leste da Inglaterra) de retirar seus financiamentos a cerca de um terço de suas bibliotecas.

Ante as campanhas intensas de mobilização, foi aberto um inquérito parlamentar para examinar a legalidade ou não desses fechamentos e suas repercussões nas populações locais.

Fonte: Folha.com