Literatura de prazer ou de mercado?


Em uma sexta-feira qualquer do verão de 2012, um grupo de mulheres que trabalham juntas, e entre elas alguns colegas, tomam uma cerveja na saída do trabalho. É aniversário de uma delas. De presente, recebeu o livro do momento, Cinquenta Tons de Cinza. Enquanto desembrulha o livro, começam as risadas. Abrem uma página ao acaso e leem um trecho: “... Que invasão. Estou flutuando, meus membros estão suaves e lânguidos, totalmente gastos...”. As risadas retornam, umas mais exageradas do que outras. Uma delas olha ao redor e diz alto: “O que vão pensar?”, fazendo referência aos que ocupam outras mesas no terraço. Mas não se importam muito. Passam o livro de uma para a outra e continuam lendo. Os dois homens que estão com elas não pegam o livro.

Essa é a maneira que os textos eróticos são lidos? Em uma praça, rodeados de gente e com a temperatura in crescendo, fruto, unicamente, do caloroso verão madrilenho?

Tradicionalmente não era a maneira de “desfrutar” esse gênero, mais ligado ao clandestino, às listas de livros proibidos. Fevereiro de 2015: estreia o filme baseado no livro da cena anterior. Mais de 270 milhões de reais arrecadados em todo mundo no primeiro fim de semana no cinema, “por coincidência”, no Dia de São Valentim, ou Dia dos Namorados, data paradigmática na qual se mescla o amor e o consumo, com a permissão do mártir romano.

Entre os dois momentos anteriores, verão de 2012 e inverno de 2015 no hemisfério norte, foram aparecendo várias publicações nas prateleiras das livrarias, originais nos escritórios das editoras, volumes empilhados sobre as mesas dos jornalistas e críticos de suplementos e revistas culturais.

O desejo é o elemento original do gênero erótico

Novidades de temática mais ou menos erótica se acumulam formando pilhas que poderiam formar um castelo, o de Lacoste do Marquês de Sade ou o de Roissy, lugar onde se passa História de O, escrito em 1954 por Pauline Réage, pseudónimo de Anne Desclos (1907-1998), ícone dessa literatura, que estaria passando por um momento de retomada?

O número de publicações é maior do que há uma década, quando foi suspenso o prêmio de romance erótico “La Sonrisa Vertical”, uma das referências desse gênero na Espanha. A coleção da editora Tusquets continua ativa, num ritmo de duas ou três publicações por ano. A editora Ana Estevan, que começou a trabalhar em 1993 com Luis García Berlanga, diretor e criador do prêmio, afirma que o mercado editorial nesse campo sempre tem sido um “pêndulo”. Destaca que sobe e desce mas, de uma forma ou de outra, tem se mantido. O boom dos últimos anos aparentemente responde ao fenômeno representado pela publicação da trilogia de E.L. James Cinquenta Tons de Cinza (Editora Intrínseca), com quase cinco milhões de cópias vendidas no Brasil. O tsunami provocado por seu lançamento foi aproveitado pelo mercado editorial para buscar novidades e fabricar obras à imagem e semelhança das muitas sombras e poucas luzes da Bela e a Fera desses cinco anos, Anastasia Steele e Christian Grey, protagonistas do best-seller.

Não se aproveitou apenas nesses casos. Mayra Monteiro (Havana, 1952), vencedora do prêmio La Sonrisa Vertical em 2000 com Púrpura Profunda, se mostra chateada quando os livros de James são classificados de transgressores. “Não são”, diz, enquanto admite pode se beneficiar dessa fase, que de certa forma será proveitosa aos que já escreviam romances eróticos há muito tempo.

Editoras e livrarias não podem negar que o fenômeno favoreceu o movimento e isso é sempre positivo. Almudena Grandes (Madri, 1960) concorda que fazem bem em aproveitá-lo. Em sua opinião, essas novas publicações são fruto da união de dois fatores: o sexo já não está proibido, não pertence unicamente aos homens; além do fato de que os maiores “consumidores” e compradores de ficção são as mulheres. Et voilá!,um novo gênero “que nada tem a ver com o erótico”, afirma Grandes, autora de As Idades de Lulu (Prêmio La Sonrisa Vertical de 1989). Segundo ela, afirmar que os leitores de E.L. James vão ler Sade é fazer um erro de cálculo. No entanto, comenta com certa ternura como lhe comovem as garotas na casa dos 20 anos que se aproximam dela com seu primeiro romance, recomendado pelas mães. “Pergunto a elas: ‘Estava lendo Cinquenta Tons...?’, e não erro.”

Adaptando a máxima de Anaïs Nim (1903-1977), outra referência clássica do gênero, “qualquer forma de amor que você encontre, viva esse amor...” se poderia chegar ao “qualquer forma desse gênero que você encontre, viva esse gênero”, porque nos últimos anos as maneiras se multiplicaram. E, assim, com essa desculpa, ou graças a ela, a Errata Naturae publica agora História do Erotismo, de George Bataille (Autêntica Editora). Em ensaio que aborda a sexualidade, o desejo, verdadeiro ingrediente intangível gerador dessa temática. O autor defende uma ideia contrária à atual de dar visibilidade ao sexo. Torná-lo público o expõe mais e o torna mais vulnerável ao ser submetido à regra e controlado pelo Estado e pelo capital.

Longe de Bataille no tempo de criação, mas contemporânea à sua publicação em espanhol, está a edição de Mauro Armiño de romances eróticos dos séculos XVIII e XIX, intitulada Os Domínios de Vênus. Armiño explica que são a continuação deContos e Relatos Libertinos (Siruela, 2008), bastante anterior ao fenômeno Cinquenta Tons de Cinza, portanto, não corresponde a nenhuma tendência, mas segue sua linha editorial. Dentro dessa antologia podem ser destacados os romances A Vênus das Peles, de Leopold von Sacher-Masoch (1836-1895), o Sade austríaco. O que seria de Grey sem o imaginário criado por esses clássicos?

Esse romance foi reeditado, além disso, devido ao prêmio Sonrisa Vertical em 2014, e depois de ter sido levado ao cinema por Roman Polanski em 2013, com o qual ganhou o prêmio César por melhor direção. O que causou um reposicionamento comercial da coleção, já que de 2013 a 2014 houve um aumento de 50% das vendas, segundo dados enviados à Confederação de Grêmios e Associações de Livrarias (CEGAL).

A Alfaguara se une a essa corrente com Lisario ou o Prazer Infinito das Mulheres, da escritora italiana Antonella Cilento, que retrata a protagonista a partir de sua dimensão sexual. A Cátedra também acompanha essa onda, já que publicou há seis mesesCulturas do Erotismo na Espanha, 1898-1939, da professora da Universidade da Califórnia (UCLA), Maite Zubiaurre. Uma enciclopédia tanto de textos quanto de imagens que mostram o gênero erótico do início do século XX. A Reino de Cordelia lançou Um Paraíso Depois do Paraíso (E Outros 9 Relatos Eróticos), um compêndio de 10 histórias, as finalistas de um novo prêmio de literatura erótica para o qual está sendo preparada a segunda edição. O prêmio “Válgame Dios” conta com José Luis García Berlanga, filho do diretor de cinema, entre seus incentivadores, o que inevitavelmente faz com que se associe à La Sonrisa Vertical, embora não tenham nenhum vínculo e, como diz o próprio Berlanga filho, ele não é tão erotômano quanto seu pai, que fez disso uma de suas paixões. Reino Cordelia, com esse livro, dá continuidade a uma linha que já estava sendo construída ao publicar em 2012 Os 120 Dias de Sodoma, o catálogo de perversões do Marquês de Sade, ilustrado por desenhos explícitos de Miguel Ángel Martín; e em 2013 editou A Mulher e o Fantoche, outro dos clássicos de erotismo com mais de um século de existência, de Pierre Louÿs. Por sua vez, Rey Lear, seu outro selo, acaba de resgatar Escritos Pornográficos, de Boris Vian.

Berlanga dizia que o erotismo é a pornografia vestida de Chanel. As novidades do gênero não são tanto, muitas são reedições ou traduções. As que realmente são novas, com exceções como Cilento, não buscam um Chanel exclusivo. Não são transgressoras, pelo contrário, são muito convencionais: romances românticos salpicados de cenas de sexo explícito cuja inovação não vai além de colocar o leitor no quarto e não deixá-lo sair como antes. Exatamente como nas séries e filmes onde os personagens deixaram de ter os lençóis convenientemente colocados entre as axilas, mas sem exagerar, e que tampouco mostram demasiadamente o púbis. Mais que alta costura, busca-se a roupalow cost, acessível para todos os públicos. Nas palavras de Almudena Grandes: “A literatura erótica morreu com o sucesso no final do século XX, e essa é a melhor maneira de morrer. O que é preciso fazer agora é dançar sobre seu túmulo”.

Formação de Mediadores de Leitura tem público recorde, boa avaliação e participação de jovens

Por Julia, do Blog movimentobaixadaliteraria.blogspot.com.br

À primeira vista, Nilvan Correia e Eduardo Viana, de 19 anos e Matheus Albuquerque e Oséias Machado, de 18, são como tantos outros jovens de sua geração, não fosse pelo fato de estarem entre os 60 alunos do Curso de Formação de Mediadores de Leitura, realizado neste mês de Março, em Nova Iguaçu, [Rio de Janeiro]. Durante uma semana, a equipe de arte-educadores do Instituto de Arte Tear abordou as práticas de mediação de leitura em diálogo com outras linguagens da arte, no curso com participantes de várias cidades da Baixada, uma iniciativa da Superintendência do Livro e Leitura da Secretaria Estadual de Cultura, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Nova Iguaçu.

Nilvan, Eduardo, Matheus e Oséias,  juventude engajada na leitura
Nilvan, Eduardo, Matheus e Oséias, juventude engajada na leitura.


Moradores de Rancho Fundo e Santa Rita, em Nova Iguaçu, Nilvan, Eduardo, Matheus e Oséias se formaram leitores frequentando a Biblioteca Comunitária Paulo Freire, desde os 10, 11 anos. Essa relação ainda tão próxima nos levou a convidá-los a participarem do curso e avaliaram essa experiência de formação para suas vidas.

Nilvan, que já pensava em trabalhar em bibliotecas, ficou mais confiante de seguir essa área. Embora não tenha experiência de ler para crianças, acha que “as atividades foram tão boas para nós, que somos adultos, que fico imaginando como irão agradar às crianças”.
Eduardo tem alguma experiência de ler informalmente para crianças e viu no curso mais do que uma oportunidade de aprimorar essa habilidade. “Algumas atividades trouxeram ensinamentos para nossa própria vida, seja profissional, escolar, até para nosso dia-a-dia. Foi um aprimoramento para a vida pessoal de cada um”.

Embora falante, Matheus afirma que é tímido e agora se sente mais seguro para ler para as crianças que frequentam a biblioteca, aonde vai toda a semana. “Não tenho prática de ler para crianças, agora que aprendi técnicas inovadoras, fica mais fácil, dá vontade de ler mais e de ler para crianças”.

Já Oséias destacou que as atividades dinâmicas o ajudaram a se expressar melhor, não só para contar uma história. “Sou tímido também, às vezes penso uma coisa, mas não sei como dizer o que estou pensando. No curso, vivemos situações de como se posicionar e se expressar melhor”.

A dinâmica do curso, a qualidade dos professores, a integração do grupo de alunos e o conteúdo diversificado foram destaques na avaliação dos participantes das nossas bibliotecas. Além dos 4 jovens entrevistados, mais dois leitores – Marlon Oliveira e Gabriel Oliveira – e três mediadoras de leitura fizeram o curso.

Moradores de Rancho Fundo e Santa Rita, em Nova Iguaçu, Nilvan, Eduardo, Matheus e Oséias se formaram leitores frequentando a Biblioteca Comunitária Paulo Freire, desde os 10, 11 anos. Essa relação ainda tão próxima nos levou a convidá-los a participarem do curso e avaliaram essa experiência de formação para suas vidas.

Nilvan, que já pensava em trabalhar em bibliotecas, ficou mais confiante de seguir essa área. Embora não tenha experiência de ler para crianças, acha que “as atividades foram tão boas para nós, que somos adultos, que fico imaginando como irão agradar às crianças”.
Eduardo tem alguma experiência de ler informalmente para crianças e viu no curso mais do que uma oportunidade de aprimorar essa habilidade. “Algumas atividades trouxeram ensinamentos para nossa própria vida, seja profissional, escolar, até para nosso dia-a-dia. Foi um aprimoramento para a vida pessoal de cada um”.

Embora falante, Matheus afirma que é tímido e agora se sente mais seguro para ler para as crianças que frequentam a biblioteca, aonde vai toda a semana. “Não tenho prática de ler para crianças, agora que aprendi técnicas inovadoras, fica mais fácil, dá vontade de ler mais e de ler para crianças”.

Já Oséias destacou que as atividades dinâmicas o ajudaram a se expressar melhor, não só para contar uma história. “Sou tímido também, às vezes penso uma coisa, mas não sei como dizer o que estou pensando. No curso, vivemos situações de como se posicionar e se expressar melhor”.

A dinâmica do curso, a qualidade dos professores, a integração do grupo de alunos e o conteúdo diversificado foram destaques na avaliação dos participantes das nossas bibliotecas. Além dos 4 jovens entrevistados, mais dois leitores – Marlon Oliveira e Gabriel Oliveira – e três mediadoras de leitura fizeram o curso.

Claudia Belmiro, recém-chegada como mediadora na Biblioteca Nossa Casa, em São João de Meriti, já estava aplicando o que aprendeu nas aulas. “O curso foi enriquecedor, assim como os momentos de intensa troca entre professores e alunos. Aprendi coisas que não sabia, não conhecia. Foi uma experiência maravilhosa”, afirma.

Claudia já está praticando o que aprendeu
Claudia já está praticando, o que aprendeu



Suzy Batalha também tem pouca experiência, está completando um ano como mediadora na Biblioteca Profª Judith Lacaz. Para ela, além de ajudar a enfrentar a timidez, “as atividades contribuíram muito para o trabalho de mediação com as crianças e também podem ser usadas entre nós da equipe”.


Suzy está mais segura para fazer seu trabalho
Suzy está mais segura para fazer seu trabalho


Valéria Carvalhal, mediadora da biblioteca Ziraldo, destaca também o aprimoramento profissional da equipe do polo e a oportunidade de participação dos jovens. “Eles se integraram bem ao grupo e participaram ativamente de todas as atividades. Foi uma motivação para eles como futuros mediadores ou trabalhadores da causa da leitura”.


Valéria destacou a participação dos jovens leitores
Valéria destacou a participação dos jovens leitores

Foi a primeira vez que um curso dessa natureza e importância foi realizado na Baixada Fluminense, um reconhecimento ao trabalho que pessoas, grupos e instituições desenvolvem aqui em prol da leitura.  O compromisso e a participação entusiasmada dos 60 alunos, de várias cidades da Baixada, só reforçam a necessidade de que novas iniciativas como essa, para formação em mediação, em acervo, em literatura, em política pública, etc., voltem a ocorrer por aqui. Com certeza, garantimos um público diversificado, participante e comprometido.

Participação recorde: 60 pessoas de várias cidades da Baixada Fluminense
Participação recorde: 60 pessoas de várias cidades da Baixada Fluminense




Biblioteconomia paulista chega aos 75 anos com novos desafios


Todo 12 de março é celebrado nacionalmente o Dia do Bibliotecário, mas neste ano, a biblioteconomia paulista comemora os 75 anos de atividade da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), a mais antiga escola paulista de biblioteconomia.


A importância deste curso não reside apenas na sua longevidade, mas também por formar gerações de profissionais, alguns responsáveis pela criação de cursos da área espalhados pelo país, que influenciaram fortemente o pensamento biblioteconômico brasileiro.

Atualmente a profissão enfrenta o desafio de se colocar como uma força motora na educação e na cultura: a Lei Federal 12.444/10, sancionada em 2010, torna obrigatória a instalação de uma biblioteca com pelo menos um livro por aluno em todas as instituições de ensino públicas e privadas do país até 2020.

Hoje, porém, apenas 35% das escolas contam com bibliotecários. Para atender à demanda por esses profissionais, será necessário quadruplicar a oferta de trabalho – para ter uma ideia, hoje há 34 mil bibliotecários no país e 192 mil escolas da educação básica. Uma boa notícia para um mercado que cresce também por causa do surgimento de novas tecnologias, como as bibliotecas digitais. A má notícia é que pouco tem-se feito para cumprir a Lei, pois no Estado de São Paulo, onde se encontra o maior sistema de educação pública do país, a biblioteca escolar, como previsto na legislação, é difícil de ser encontrada nas unidades de ensino.

Para o vice-Presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia 8ª. Região (CRB8) e docente da FESPSP, Francisco Lopes de Aguiar, é preciso construir políticas públicas sólidas para fortalecer e redefinir o papel social da Biblioteca Escolar e da Biblioteca Pública. “A falta desde equipamento pedagógico na unidade de ensino faz com que o a biblioteca pública, quando ela é acessível, seja utilizada para suprir a demanda escolar, desviando-se dos objetivos prioritários”.

A Profa. Dra. Valéria Matin Valls, coordenadora do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESPSP, concorda com seu colega, e completa ressaltando que o desvio de objetivo pode afetar a qualidade do serviço oferecido tanto para o usuário escolar quanto para o usuário da biblioteca pública. “É preciso compreender as especializações que cada tipo de equipamento tem, no processo educacional que ocorre no ambiente escolar, as demandas e o tipo de acervo são focados para ações pedagógicas, enquanto a biblioteca pública exige outro tipo de abordagem e tratamento”.

Para os professores, tanto o equipamento público quanto o escolar carecem de melhor definição de seus papéis quanto aos objetivos, acervo e usuários atendidos. A falta de uma política pública para equipamentos compromete a educação e a cultura das próximas gerações de brasileiros. Estamos cada vez mais distantes do slogan Brasil, Pátria Educadora.

Como se nota, há muito a ser feito neste ano que o curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESPSP celebra 75 anos.

Sobre Francisco Lopes de Aguiar

Doutorando no Programa de Pós-Graduação de Ciência da Informação da Universidade de São Paulo- ECA/USP. Mestre em Ciência da Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC e bacharel em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo FaBCi-FESPSP. Docente no curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FAINC e FaBCi-FESPSP e do curso de Pós-Graduação em Planejamento e Gerenciamento de Sistemas de Informação. Coordenador da Comissão de Fiscalização no Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo/CRB8º e Editor de Tecnologia da Revista CRB8 Digital. Tem experiência na área de Ciência da Informação, utilizando-se de conhecimentos interdisciplinares entre as áreas de Biblioteconomia, Arquivologia, Ciência da Informação e Tecnologias da Informação. Atua no mercado de Gerenciamento Documentos, Dados, Informação e Conhecimento há aproximadamente 14 anos, desenvolvendo projetos de concepção e Implementação de Arquivos Empresariais/Corporativos, Centros de Informação e Documentação, Bibliotecas Universitárias/Especializadas, Bibliotecas/Repositórios Digitais/Institucionais, Informatização de Recursos e Serviços de Informação, Organização e Tratamento da Informação Arquivística/Corporativa, Mapeamento de Processos, Classificação de Conteúdos Arquivísticos, Descrição Arquivística, Avaliação Documental, TTD - Tabela de Temporalidade Documental, GED - Gerenciamento Eletrônico de Documentos. Desenvolvimento e Aplicação de Linguagens de Representação Documentária para organização e recuperação de conteúdos em ambiente digitais (Taxonomia e vocabulário controlado). Aplicação de Tecnologias da Informação e Comunicação baseadas na filosofia e metodologia do Movimento de Acesso Livre ao Conhecimento.

Sobre Valéria Martin Valls

Doutorado em Ciências da Comunicação (2005), Mestrado em Ciências da Comunicação (1998) e Graduação em Biblioteconomia e Documentação (1990) pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, além de extensão universitária em Docência pela Fundação Getúlio Vargas - FGV (2008). Coordenadora e docente do curso de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FaBCI/FESPSP) e Coordenadora de curso e docente de pós-graduação da Escola Pós-Graduada da FESPSP (Núcleo de Ciência da Informação). Docente do MBA em Gestão Empresarial e Coaching (parceria FESPSP e SLAC). Primeira Tesoureira (Gestão 2014-2016) da ABECIN - Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação. Consultora associada em projetos ligados à gestão da qualidade, informação e conhecimento, além de atuar como palestrante nesses temas.

SOBRE A FESPSP

FESPSP: 82 anos de Reconhecimento

A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) foi criada em 27 de abril de 1933, por iniciativa de pouco mais de uma centena de figuras eminentes da sociedade paulistana.

Orientada desde o início para o estudo da realidade brasileira e para a formação de quadros técnicos e dirigentes capazes de atuar no processo de modernização da sociedade, a FESPSP mantém o cursos de Sociologia e Política, de Biblioteconomia e Ciência da Informação, de Administração e cursos de Pós-Graduação em áreas de Ciências Sociais e afins.

O seu corpo de pesquisadores e docentes se dedica ao ensino e à pesquisa acadêmica e aplicada, reunindo à atividade de produção do conhecimento a capacidade de intervenção, gestão e planejamento, que tem sido a marca de atuação da instituição nos projetos desenvolvidos para os setores público e privado ao longo dos anos.





Marketing em UIs: um conceito ainda rejeitado pelos bibliotecários

Caroline e Viviane  - Marketing em Unidades de Informação - img destaque
Por, Caroline Daniela Santos
De acordo com Philip Kotler em sua obra Marketing para organizações que não visam o lucro, as organizações que não visam o lucro, se inserem em um denominado terceiro setor da sociedade, que defende como ameaçado por ter de satisfazer as demandas, sem recorrer aos auxílios lucrativos.
Nesse contexto, inserem-se as bibliotecas, visto que, devem atender as demandas sociais sem visar ao lucro. A maior parte das bibliotecas limita-se em satisfazer as necessidades dos usuários que a procuram, entretanto, é notável que o cenário atual, conta com bibliotecas vazias, pois a verdadeira missão da biblioteca não é compreendida pelos usuários e muitas vezes nem mesmo pelo profissional bibliotecário.
Segundo Sueli Amaral em seu artigo Marketing da informação, grande parte dos bibliotecários possuem forte aversão ao marketing em bibliotecas, outros acreditam que divulgar os serviços, produtos e eventos da biblioteca em cartazes, folhetos, marcadores de páginas e outros produtos que já foram amplamente explorados por essas instituições, é fazer marketing da biblioteca, entretanto, a divulgação ou promoção é apenas um processo do marketing.
Os bibliotecários que desejam alcançar o marketing como uma função social, que integra os processos de criação, comunicação e bom relacionamento com seu usuário, criando benefícios recíprocos entre instituição e comunidade atendida, devem compreender o processo de marketing através de contribuições de outras áreas do conhecimento, pois na Ciência da Informação o assunto é pouco abordado pelos pesquisadores.
Nota-se que há pouca discussão sobre o marketing em unidades de informação entre os pesquisadores da área. Para confirmar essa hipótese foi realizado um levantamento de publicações sobre o tema marketing em bibliotecas, na Scopus, base de dados pertencente à Elselvier e integrante do Portal de Periódicos da CAPES, onde foi analisado que o primeiro artigo sobre a temática encontrado na base data do ano de 1972 e que entre essa data e a atualidade foram publicados cerca de 1400 artigos sobre o assunto no mundo, conforme figura a seguir:
Caroline e Viviane  - Marketing em Unidades de Informação - grafico1
O gráfico evidencia o crescimento da temática nas publicações a partir da década de 2000, e uma grande contribuição a partir de 2010, colaborando assim para a compreensão da importância do processo de marketing em bibliotecas.
A análise na Scopus mostra também que o país com a maior contribuição para a temática é o Estados Unidos, que possui uma publicação superior a 500 artigos no período analisado, enquanto no Brasil, percebe-se uma contribuição mais recente e com apenas 8 artigos. Conforme quadro a seguir:
Caroline e Viviane  - Marketing em Unidades de Informação - grafico2
Com essa análise é perceptível que no Brasil o conceito de marketing em unidades de informação ainda não é maduro e que a pouca contribuição para a temática está relacionada à rejeição do conceito de marketing pelos profissionais bibliotecários, que ainda não assimilaram a ideia de “vender” seus serviços. Essa rejeição está ligada a formação acadêmica que os bibliotecários recebem no país, que há pouco tempo passa a contemplar o marketing como uma de suas disciplinas específicas.
De acordo com Alexandre Polli, em seu trabalho de conclusão de curso, “O bibliotecário na sociedade da informação”, a formação da biblioteconomia no Brasil é embasada no modelo norte-americano, que prioriza o domínio das técnicas biblioteconômicas. A adoção do modelo tecnicista no Brasil ocorre após a Biblioteca Nacional reformular seu currículo do curso de biblioteconomia, até então baseado no modelo europeu, evidenciando a nova posição assumida pelos bibliotecários da época e que se reflete até hoje em nossa sociedade, onde os bibliotecários possuem domínio técnico, mas não conseguem compreender as necessidades dos usuários.
É visto que muitas unidades de informação possuem produtos e serviços relevantes tanto em seu aspecto qualitativo quanto quantitativo, porém o bibliotecário ainda não compreendeu completamente seu papel na sociedade atual, que pode se dar através de contribuição educacional, cultural e social.
Os interesses e suportes informacionais se modificaram, portanto, atender as necessidades do usuário se faz primordial. Para que isso aconteça, conhecer o usuário real e potencial é o primeiro passo. Após conhecer seu público, é possível saber as suas necessidades e desenvolver práticas que as atendam.
Sueli Amaral em sua obra “Marketing: abordagem em unidades de informação” esclarece que o bibliotecário brasileiro precisa conhecer as técnicas de marketing para aplicá-las satisfatoriamente, já que implica em mudanças e precisam ser planejadas. O planejamento estratégico deve fazer parte da rotina do bibliotecário gestor, já que permite modificar, prevenir, antecipar e identificar ameaças e oportunidades para melhorar os seus produtos e serviços bem como atrair usuários potenciais.
A falta de habilidade em realizar a gestão de uma unidade de informação, muitas vezes, está relacionada à inexistência de um plano de marketing. Nesse caso o gestor deve propor um plano de marketing que terá como finalidade analisar, promover e divulgar os serviços e produtos, seja da biblioteca, museu, arquivo ou centro de documentação.
De acordo com Shapiro em sua obra “Marketing and the information professional”, um plano de marketing deve abranger as seguintes etapas:
  1. Fatores externos relevantes, providenciando um contexto para o marketing. Tais fatores incluem “constrangimentos” organizacionais, desenvolvimentos tecnológicos, mudanças demográficas importantes, etc.;
  2. O problema de processamento de informação que o segmento de mercado está tentando resolver e a frequência relativa com que seus membros dependem das diferentes fontes de informação, incluindo o produto ou serviço que você está oferecendo, para encontrar a solução àquele problema;
  3. Um postulado específico em termos quantitativos, de quanto se deseja aumentar o uso da biblioteca durante um período específico;
  4. Determinar exatamente o que será feito (e como) para que este aumento de uso proposto ocorra realmente.
Percebe-se que o marketing está relacionado a administração e trabalha sempre com planejamento, decisões, estratégias e avaliação. Podemos refletir que a proposta do plano de marketing é nortear o trabalho do gestor. O bibliotecário não deve pensar somente no marketing em seu aspecto quantitativo, aumento de número de usuário para a biblioteca, mas é essencial pensar na qualidade desses produtos e serviços como forma de atender as necessidades informacionais.
Colaboraram: Paulo Henrique Lima; Vivian Dantas.

Onde está o bibliotecário?


Por Bruna Bacalgini

No dia 12 de Março foi comemorado o dia do bibliotecário. O próprio nome bibliotecário já nos faz lembrar de biblioteca, mas será que este é o único local em que podemos encontrar um bibliotecário?

O bibliotecário é o profissional que trabalha com a gestão da informação, esteja a informação em qual suporte for, seja livros, sites, bases de dados, fotos, jornais, enfim, onde existir um conjunto de informações para organizar e pesquisar, lá o bibliotecário poderá atuar.

Em um mundo cada vez mais digital e com um mar de informações à disposição somente a alguns cliques, qual o papel do bibliotecário? Diante de tantos textos, imagens, links, posts e dados na web, como encontrar a informação de que realmente precisamos? Como saber se a informação disponível na internet tem credibilidade? O bibliotecário é o profissional que poderá auxiliar o cidadão a encontrar a informação que necessita utilizando conhecimentos, técnicas, ferramentas e sua experiência profissional para buscar fontes de informações seguras e precisas.

Para organizar um acervo, seja ele físico ou digital, o bibliotecário necessita conhecer o público que irá utilizá-lo. Organizar o acervo de acordo com as necessidades e perfis de seus usuários. Mais do que entender e gostar de livros, este profissional precisa amar se comunicar com pessoas. Pessoas precisam localizar informações e para localizá-las é preciso que estejam guardadas e organizadas. Assim, os usuários são a razão de ser dessa profissão. Mais do que ser organizado, o bibliotecário precisa ser comunicativo. Interagir com pessoas e compreender o que elas buscam de informação é uma das principais atribuições do bibliotecário. Sem essa comunicação com o usuário, não é possível saber exatamente o que ele precisa e assim, encontrar a informação necessária.

Este profissional sabe quão valiosa uma informação pode ser para uma pessoa, desta forma, o atendimento ao usuário não é somente entregar um livro ou um documento, mas sim buscar com determinação e persistência a informação que fará diferença no cotidiano de seus usuários. Ele lida com sonhos, desejos, necessidades, dúvidas e anseios das pessoas, então quem serão seus usuários? Alguém que presta um concurso público e busca material para estudo; um cientista que precisa de dados para sua pesquisa; um advogado que precisa encontrar a legislação pertinente para defender a causa de seu cliente; um empresário que quer fechar negócio, mas precisa de mais dados sobre um setor econômico; uma criança que quer histórias para ler; um músico que precisa de uma partitura; um jornalista que precisa de um dado histórico para apresentar na reportagem... Enfim, são tantos os anseios que um bibliotecário pode atender que ele é um profissional não só da informação, mas da comunicação: interação faz parte do seu dia a dia.

O bibliotecário é também um agente de transformação, sugere ideias, busca alternativas, auxilia na tomada de decisões e promove e incentiva a leitura. Ao gerir um acervo, sabe que a preservação e a organização possibilitam o acesso à informação, permitindo que o conhecimento chegue às pessoas. Sabemos que o conhecimento faz parte do progresso social, econômico, científico, tecnológico e cultural, desta maneira, atuar no compartilhamento e na socialização do conhecimento faz o bibliotecário ser um agente de transformação.

Engana-se quem pensa que o serviço do bibliotecário é quieto e tranquilo: o profissional lida com o ruído das inquietações, das conversas de seus usuários apresentando dúvidas, das solicitações por pesquisas que surgem na tela de seus computadores a cada dia, das discussões em reuniões para conquistar melhorias em seus locais de trabalho, de respostas velozes para atender às demandas solicitadas com urgência, além de estar antenado com as novidades tecnológicas para melhor desenvolver seus serviços.
A missão do bibliotecário é estar onde for preciso para preservar, organizar e disponibilizar a informação, permitindo que as pessoas encontrem exatamente o que precisam.

Bruna Bacalgini, bibliotecária na Universidade Estadual Paulista (Unesp) Campus Sorocaba.

Salão do Livro de Paris homenageia o Brasil




Diversidade da literatura brasileira será representada por 48 autores. Dos best-seller mundiais de Paulo Coelho ao cru universo de Rodrigo Ciríaco, o Salão do Livro de Paris prestará homenagem neste mês à diversidade da literatura brasileira, representada por 48 autores convidados. “É um salão único no mundo, porque oferece a proposta mais eclética e mais ampla de livros”, afirmou o comissário geral do salão, Bernard Morisset, ao apresentar o evento, que ocorrerá entre 20 e 23 deste mês.

Cerca de 200 mil visitantes são esperados na Porta de Versalles (Sudoeste de Paris), onde 1,2 mil expositores e 30 mil profissionais da edição organizarão mais de 400 encontros e 4.700 sessões de autógrafos de livros de todos os gêneros por seus autores. Haverá distintos eixos temáticos, como literatura jovem, culinária, viagens e aventuras, artes e direitos humanos.

Em 2014, o convidado de honra foi a Argentina – posto que neste ano é do Brasil. É a segunda vez que o Brasil é convidado de honra, fato sem precedentes na história do salão parisiense. A primeira participação foi em 1998. Está sendo preparado um pavilhão de 500 metros quadrados, muito colorido. “Desta vez, os brasileiros querem colocar ênfase na presença de profissionais”, afirmou Morisset.

ARGENTINA No ano passado, a homenagem à literatura argentina havia levantado uma controvérsia, porque vários autores ausentes denunciaram em Buenos Aires que a lista oficial de convidados estava integrada principalmente por “escritores K”, simpatizantes do governo peronista da presidente Cristina Kirchner.

Os atritos continuaram, inclusive quando terminou o evento, já que, segundo os organizadores franceses, eles levaram meses para conseguir cobrar uma conta de 400 mil euros, cujo pagamento correspondia à Argentina. “Ficou uma parte a pagar, a cargo do Estado argentino, demoraram para pagá-la, mas agora tudo ficou resolvido”, afirmou Morisset.

De acordo com o governo brasileiro, os custos da participação do Brasil serão divididos e, segundo Morisset, “essa divisão garante listas mais abertas”. E mais equilibradas, por exemplo, em termos de participação masculina e feminina, ou de escritores jovens e veteranos. “Será um grande evento qualitativo, queremos evitar cair na contagem de presentes e ausentes”, insistiu.

A mostra da diversidade literária brasileira abarcará desde as populares reflexões de Coelho ao realismo sem máscaras de Rodrigo Ciríaco, autor de Te pego lá fora, sobre as escolas da periferia de São Paulo, passando por um chefe indígena da Amazônia, Almir Narayamoga, que apresentará suas propostas para Salvar o planeta.

Ana Maria Machado (ficcção e juventude), Bernardo Carvalho (ficção, teatro), Adriana Lisboa (ficção), Patricia Melo (policial) e Nelida Piñon (ficção) também fazem parte da lista de convidados, que inclui autores de história em quadrinhos como Daniel Galera, Fábio Moon e Marcello Quintanilha.

O salão, sob estritas medidas de segurança, já que desde os atentados de janeiro Paris segue sob alerta máximo antiterrorista, será inaugurado dia 19 próximo pelo primeiro-ministro Manuel Valls. Espera que o presidente François Hollande faça uma visita no fim de semana.

No ano passado, os participantes tinham por desafio revelar o livro que havia mudado a vida deles. Agora, deverão nomear e divulgar nas redes sociais o herói favorito que conheceram nas páginas de um livro.

Empresários recorrem aos livros para estimular empreendedorismo


A história de um rapaz pobre, nascido em Itamogi (MG), e que se tornou um dos grandes nomes no ramo de transporte do País, dá início à série Grandes Empresários Acirp, patrocinada pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto.

“Uma Vida de Entrega – Dos pedais da bicicleta à trajetória de sucesso de João Naves” é o título do livro que conta em detalhes a vida do fundador do grupo Rodonaves. A obra, com edição inicial de 4.500 exemplares, foi escrita pelos jornalistas Ana Cândida Tofeti, André Luiz Rezende e Robson Campi, com prefácio da também jornalista Edith Gonçalves.

Com oito capítulos e 144 páginas, o livro aborda a infância de João Naves, sua mudança para Ribeirão, o início, quando a empresa era um pequeno box da rodoviária local, até o sucesso como empreendedor.
Na foto da capa, João está ao lado de uma bicicleta de carga, que era utilizada por ele para as primeiras entregas. Um símbolo de sua perseverança.

“Acreditamos muito no projeto. Recuperamos várias coisas sobre minha história depois de muita pesquisa e atualizamos as informações. Sou suspeito pra falar, mas achei que o livro ficou muito bom”, afirma Naves.

Na verdade, a ideia para a biografia foi do próprio empresário, que já havia dado início a um livro sobre sua vida, mas o projeto ficou em “banho-maria” até que a ACI resolveu participar. “Conversando com o [vice-presidente da ACI José Carlos] Carvalho, ele me animou bastante a retomar o projeto. No final, foi algo que acabou superando as minhas expectativas. Li e vi coisas ali que me emocionaram muito”, comenta.

Perfil

Carvalho conta que, após a conversa com Naves, levou a ideia do livro para a direção da ACI, que aprovou a série. O vice-presidente afirma que Naves era o tipo de empreendedor que merecia uma biografia. Os outros nomes escolhidos pela Associação para a série vão seguir o mesmo perfil. “Ou seja, tem que ser um empreendedor que começou do zero e atingiu um nível de expressão nacional. Ele deve estar ainda vivo e à frente da direção de sua empresa”, informa Carvalho.


O próximo empresário a ganhar uma biografia é o fundador do Grupo Santa Helena, Renato Fechino. Carvalho diz que o objetivo é lançar os livros sempre no mês de agosto, aniversário da Acirp. “Acho importante registrar uma história de sucesso. Alguém que sirva de exemplo e referência para os estudantes e a uma nova geração de empresários”, ressalta.

Renda é revertida para hospital do Câncer

Uma das autoras de “Uma Vida de Entrega”, a jornalista Ana Cândida Tofeti afirma que a série surgiu para atender a uma das principais diretrizes da ACI: ser um centro de reflexão empresarial em Ribeirão. “O objetivo é que os livros da série sirvam de informação, inspiração e consulta aos interessados na livre iniciativa, como empreendedores, gestores, jornalistas e estudantes”, diz.

Ana comenta que, para escrever o livro, foram realizadas muitas entrevistas com familiares, amigos e colaboradores de João Naves, boa parte delas feita pelo jornalista André Luís Rezende, co-autor do livro.

Ana ajudou na redação com outras entrevistas e adequações, complementadas pelo também autor Robson Campi, que entrou na última etapa e foi responsável pelos ajustes finais. O que mais chamou a atenção da jornalista na história foi a garra e a perseverança de Naves.

“Ele nasceu em uma família muito simples, criada na roça, mas que soube com honestidade e muito senso de oportunidade aproveitar as chances que a vida lhe reservou”, afirma.

Vale lembrar que toda a renda obtida com a venda dos livros será destinada ao Hospital do Câncer de Ribeirão Preto - Fundação SOBECCan. Para mais informações sobre o livro, contato pelo e-mail marketing@rte.com.br.

Mãe do 1º lugar no IFRN conta: "pegava livros no lixo e lia para eles"



A história do adolescente Thompson Vitor, 15, poderia ter passado longe dos estudos. Filho de uma ex-catadora de lixo, o jovem investiu alto na educação e foi aprovado no curso de multimídia do IFRN (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte). 


Com a nota 846 -- numa escala que vai até 1.000 --, ele foi o primeiro colocado geral na seleção do instituto. A matrícula para o curso ocorreu na terça-feira (24), e as aulas começam no dia seis de maio no campus Cidade Alta, na capital do Rio Grande do Norte.

Filho do meio, Thompson mora em uma pequena casa alugada por R$ 300 no Paço da Pátria, zona leste de Natal. Na infância, a família morava na favela da Maré, uma região ainda mais pobre que a atual e marcada pela violência e pelo tráfico de drogas.

Foi uma atitude da sua mãe que o levou para uma vida voltada aos estudos.

Livros no lixo

"Eu catei lixo por 10 anos e passava sempre pelos locais onde os ricos moravam, ali achava livrinhos. Trazia para eles, os botava sentadinhos. Não sabia ler muito, mas lia o que entendia para eles. Também lia livrinhos que as Testemunhas de Jeová davam, comprava a bíblias infantis. Eu os enchia de leitura, e eles iam aprendendo, foram tomando gosto", conta a mãe do jovem, Rosângela da Silva Marinho, 40, que cursou apenas até a 5ª série (atual 6º ano).

O jovem Thompson conta que está orgulhoso com o acesso a um curso num instituto federal, mas se disse surpreso com o resultado. "Se soubesse que tiraria uma nota tão boa teria feito outro curso. Estava inseguro, por isso tentei um curso novo, num campus perto de casa. É uma área que gosto, mas que não conhecia tanto", diz.

Para chegar à melhor pontuação na seleção do instituto, Thompson afirma que não precisou virar noites de estudo. "Até o ano passado estudava cinco horas por dia, mas ano passado estudei apenas duas. Sempre tive facilidade com aprendizado, gosto de ler", afirmou. 

Após os quatro anos do curso técnico, ele já planeja estudar direito e, assim, quem sabe, dar uma vida melhor para sua família. "Não vou desistir do curso técnico, vou até o fim. Estou ansioso para começar as aulas e começar a ter novos conhecimentos", disse.

Segundo o IFRN, a seleção do instituto ofertou, ao todo, 2.400 vagas. O curso escolhido por Thompson teve concorrência de 9,29 por vaga e foi um dos mais disputados.







Menores internos leem e resenham livros enquanto aguardam a liberdade

Incentivar a leitura entre os internos, criando hábitos que podem ser continuados em sua vida pregressa. Este é o objetivo do projeto “Páginas da Alegria”, criada pelo Centro Regional Socioeducativo Polo Sinop em parceria com a Biblioteca Pública do município. Um coordenador, um assistente social, um psicólogo e 16 agentes orientadores atendem 15 adolescentes de 12 a 18 anos incompletos.

A atividade de leitura, em que os adolescentes que estivessem cumprindo a medida de internação provisória pudessem realizar leitura de livros e posteriormente confeccionar resenhas das obras, em substituição as atividades escolares e pedagógicas, foi tomada como regra de estímulo ao interesse pela leitura.

Os livros paradidáticos, escolhidos pela equipe técnica, são fornecidos aos internos no período em que estiverem cumprindo a medida de internação provisória. Dentre os objetivos estão o encaminhamento dos adolescentes em outros programas socioassistenciais, respeitando suas particularidades; desenvolvimento das habilidades na fala e escrita e a criação de condições para a construção/reconstrução de projetos de vida.

“Queremos estabelecer contratos com o adolescente a partir das possibilidades e limites do trabalho a ser desenvolvido, e normas que regulem o período de cumprimento da medida socioeducativa, além de fortalecer a convivência familiar e comunitária”, explica a gerente do centro, Jacqueline Leal Dionísio.

Márcio Frederico de Oliveira Dorilêo, secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, avalia que propor as resenhas e os espaços de troca de informações, criando hábitos que podem ser continuados na vida pregressa do interno é um diferencial. “Um número significativo destes internos encontravam-se fora da escola antes da internação, e não relatam ter o hábito da leitura”.

O secretário acrescenta que as ações socioeducativas devem exercer uma influência sobre a vida do adolescente, contribuindo para a construção de sua identidade, de modo a favorecer seu retorno a família, ao convívio social. “É vital a criação de acontecimentos que fomentem o desenvolvimento da autonomia, da solidariedade e de competências pessoais relacionais, cognitivas e produtivas”.

Fonte: http://bit.ly/19IraEK

Ciência mostra os benefícios que a literatura produz no cérebro

 
Segundo o The Guardian, um estudo da Universidade de Emory analisou os cérebros dos leitores de ficção literária e comparou-os com o de outras pessoas que não leram esse tipo de livros. Os cérebros dos leitores que leram, por exemplo, o livro 'Pompeii', de Robert Harris, durante um período de 9 dias, mostraram muito mais atividade em determinadas áreas do que os daqueles que não leram.

Os investigadores descobriram conectividade intensificada no córtex temporal esquerdo, a parte do cérebro associada à compreensão da linguagem. Na pesquisa foi possível descobrir maior conectividade no sulco central do cérebro, a região sensorial primária.

Os psicólogos David Comer Kidd e Emanuele Castano provaram, que a leitura de ficção literária aumenta a capacidade de detetar e compreender as emoções das pessoas, o que proporciona que façam amizades com mais facilidade por serem mais conscientes das emoções dos outros.

Os leitores deste tipo de livros têm a capacidade de transferir a experiência da leitura de ficção para o mundo real, sendo este um salto natural. Kidd crê que “a ficção não é apenas um simulador de uma experiência social, é uma experiência social”.
 

Os melhores 'apps' para estudar

Folhas de papel, agendas, cadernos, livros. Quilos e quilos de papel que até poucos anos atrás pesavam sobre as costas e ocupavam mochilas, bolsas e mesas. Estão desaparecendo, pouco a pouco, da vida dos estudantes. A digitalização dos alunos nas universidades caminha no mesmo ritmo que eles; segundo o último estudo do serviço de telefonia Tuenti Móvil e da empresa de pesquisa de mercado IPSOS, 84% dos jovens pesquisados se conecta à Internet a partir do telefone celular e 40% utiliza o aparelho para estudar, trocar anotações ou trabalhar em grupo.  

Celulares e tablets foram banindo a caneta e o papel para melhorar, maximizar e otimizar as tarefas dos universitários; deixaram que ser um elemento de distração durante as aulas para se tornarem uma ferramenta de trabalho. Quase sempre. Álex Rayón é professor na Faculdade de Engenharia da Universidade de Deusto e responsável pela TI (Tecnologia da Informação) nesse centro universitário. É ele quem está colocando em funcionamento a maquinaria que habilita as tecnologias de informação e comunicação na universidade basca: "Todo o plano de formação em competências digitais. Acredito que com isso é preciso ser valente". 

Os alunos ainda sentem dificuldades no uso dos aplicativos durante as aulas, embora fora delas isso já se tornou um hábito. "Os professores demoram em se acostumar. O maior medo é que, com o telefone na mão, os alunos possam estar fazendo outras coisas que não sejam da disciplina". Facebook, Twitter, Whatsapp. "O que acontece então? Os celulares são proibidos em sala de aula", conta Rayón. "Mas o que devemos fazer, e o que eu tento a cada dia, é levar as aulas ao celular, monopolizar a atenção dos alunos". 

Rayón dá aulas de Inovação e empreendedorismo na Universidade de Deusto e de Estratégia digital na Deusto Business School. Uma parte delas navega na nuvem, no Youtube e no Google Drive. "Quando os alunos fazem seminários, peço que gravem; depois postamos o material em canais temáticos que criamos no Youtube e se faz uma revisão por grupos. É uma das formas de levar a aula ao ambiente dos dispositivos móveis". Com a ajuda de aplicativos como o Evernote, para gestão de conteúdos, e o Mindomo, para criar mapas conceituais, Rayón consegue colocar a aula no celular. "E não ao contrário, para aproveitar ao máximo todos os recursos disponíveis". 

Para ajudar a atingir esse objetivo, apresentamos os melhores aplicativos de iOS, Android e Windows Phone para compactar o curso. 

Com a mão levantada.

Para não perder o hábito de mover o pulso e o cotovelo ao escrever, reunimos aplicativos com os quais você poderá continuar escrevendo de forma tradicional, mas sobre uma tela.

Penultimate: Um aplicativo simples, intuitivo, extremamente bem cuidado visualmente e com uma gestão impecável da tinta. Pode-se escrever com o dedo, mas para aproveitá-lo ao máximo um stylus é a melhor opção. Disponível para iPad e gratuito. 

Papyrus: Clara e fácil de usar, essa ferramenta tem uma janela para os clientes do Google Play for Education, que podem instalar este app e o Papyrus Licence EDU 2014-2015 para desbloquear as vantagens da versão premium. Disponível para Android e gratuito. 

OneNote: A ferramenta para tomar notas do pacote Office da Microsoft é uma plataforma agradável e limpa visualmente. Permite escrever à mão, embora seja recomendável um lápis adequado. Disponível para Windows Phone, iOS e Android de forma gratuita. 

Organizado e a tempo.

Para quem não se importa em prescindir de agendas, post-its e papeizinhos no meio de dezenas de cadernos, seis ferramentas que ajudam a organizar, lembrar e guardar. 

Evernote: Para tomar notas, fazer fotos, criar listas, gravar voz, guardar links. Tem sincronização na nuvem e capacidade para fazer apresentações com um clique. Gratuito. Para iOS, Android e Windows Phone em versão gratuita, premium (5 euros por mês, cerca de 14,65 reais) e business (10 euros por mês como usuário). 

iStudiez Pro: Combina agenda, lista de tarefas e anotações com uma interface fluída e visualmente bonita. Disponível para iOS e Windows Phone por 8,7 euros. My Study Life: Agenda, lista de tarefas e avisos em um único aplicativo para iOS, Android e Windows Phone. Gratuito. 

Any.do: Combina tudo, do calendário à lista de tarefas. Sincroniza e compartilha com outros dispositivos. Com cada nova mudança, seus desenvolvedores sempre repetiram o mesmo: "Há muitos apps para cada coisa, por que não usar um que sincronize tudo?". Disponível para iOS e Android de forma gratuita. 

FantastiCal 2: Um calendário intuitivo, completo e com aperfeiçoamentos contínuos. Só está disponível para iOS, por 4,99 euros. 

Wunderlist: Um aplicativo simples e intuitivo para organizar e compartilhar tarefas. Para iOS e Android, tem uma versão gratuita e outra paga, por 4,20 euros. 

Guardar e compartilhar.

Antes, se tiravam fotocópias. Agora, sobem-se arquivos à nuvem. Três lugares virtuais onde armazenar qualquer tipo de arquivo e poder acessá-lo a partir de qualquer dispositivo, compartilhar com os colegas do grupo de trabalho ou com os professores. 

Google Drive: Compartilha, edita e guarda de forma instantânea. Disponível para iOS, Android e Windows Phone e gratuito. 

Dropbox: Tudo vai para a nuvem, para consultar e sincronizar de forma instantânea com outros dispositivos. Para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita. 

OneDrive: É o serviço de armazenamento de arquivos da Microsoft, embora tenha aplicativos para iOS e Android. Gratuito até 15 GB. 

Página a página.

Para muitos, o romantismo de virar as páginas dos livros e sentir seu aroma não é motivo suficiente. Nos leitores digitais se podem armazenar milhares de títulos, todos disponíveis de forma imediata. 

iBooks: É o aplicativo da Apple para baixar e ler livros, sublinhar e acrescentar notas. Tem acesso direto à biblioteca da empresa da maçã. 

GoodReader: Para ler e tomar notas em arquivos; sincroniza com o Dropbox, OneDrive, SugarSync, e qualquer servidor SFTP, FTP, SMB, AFP ou WebDAV. Disponível apenas para iOS, por 4,2 euros.  
Kindle: A experiência e a interface dos clássicos do Kindle transformados em um aplicativo disponível para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita. 

Sempre útil.

Para escanear, fazer cálculos ou desconectar a rede wifi, que às vezes se torna mais tentação do que ajuda, uma reunião de aplicativos que podem ser um auxílio pontual. 

Quick Graph: Uma potente calculadora gráfica com versão premium por 1,7 euros. Disponível apenas para iOS, embora seus desenvolvedores estejam trabalhando em uma versão para Android. Genius Scan e 

CamScanner: Dois aplicativos para escanear, digitalizar, editar e enviar documentos e fotografias. Ambos disponíveis para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita. 

Ommwriter: Se você não é capaz de desconectar a rede wifi do tablet ou não consegue pôr o celular em modo avião, este aplicativo lhe ajudará a se concentrar para trabalhar. Enquanto estiver aberto, as notificações não o atrapalharão. Disponível apenas para iOS, por 4,99 euros. 

Pocket: Bolso virtual que permite guardar artigos, vídeos ou fotografias a partir de qualquer Web ou aplicativo para vê-los mais tarde. Disponível para iOS e Android e é gratuito.

Livros na mira do crowdfunding



Plataformas de financiamento coletivo especializadas querem ampliar negócios em até dez vezes; em 2014, duas empresas passaram a disputar mercado

 

 

O financiamento coletivo de projetos criativos e inovadores já é um sucesso inconteste no mundo e no Brasil. O Kickstarter, plataforma mais conhecida, já financiou 75 mil projetos desde a sua criação, em 2009, movimentando aproximadamente US$ 1 bilhão. No Brasil, a pegada é mais cultural — o financiamento coletivo do sétimo álbum de estúdio da banda Dead Fish se tornou, em julho deste ano, a maior campanha do Brasil em valores: R$ 260 mil de 3,2 mil apoiadores.

A próxima fronteira desse modelo de negócios no país é o engessado mercado editorial, que já enfrenta a concorrência da autopublicação. A Bookstorming e a Bookstart, plataformas que foram lançadas neste ano, já colhem frutos: livros publicados em diversas plataformas, novos autores que se tornam conhecidos e a validação do modelo de negócios concluída. O próximo passo é expandir e lucrar.

“Durante estes sete meses já foram publicadas oito obras. Nossa previsão para 2015 é que a média de uma obra por mês suba para, pelo menos dez”, afirma Bernardo Obadia, economista e sócio-diretor da Bookstart. “Aqueles livros que não seriam publicados por uma questão orçamentária ou de mercado, agora podem ser testados e publicados através do Bookstart”.

O funcionamento é semelhante: o interessado inicia a campanha de arrecadação, estabelece a meta e os benefícios para determinadas faixas de contribuições e corre atrás dos mecenas. Se o projeto for bem-sucedido, um percentual do valor arrecadado fica com a plataforma. Porém os benefícios vão além.

“Quando o projeto chega através de uma editora, atuamos como agente intermediário. As empresas ficam com a obrigação de entregar tudo o que foi prometido durante a campanha. No caso dos autores independentes, temos parceiros que prestam os serviços editoriais. O autor chega com o manuscrito e, em caso de sucesso do projeto, sai com o livro publicado”, explica. A Bookstart também oferece serviços agregados, como coaching literário e dicas de comunicação e promoção. Com o original pronto, todo o processo pode ser concluído em até vinte dias.

Tradicionalmente, as obras chegam às editoras através dos próprios autores — com uma chance baixíssima de serem publicados — ou de agentes literários — que dão mais um pouquinho a mais de chances ao ‘vender’ a obra. A internet já bagunçou esse mercado tanto através da pirataria quanto dos novos modelos de negócios e formatos, incluindo o eBook. Com o financiamento coletivo, livros que não teriam chance em um mercado inundado vão para as prateleiras das livrarias.
Baixo risco

A sacada é inverter a lógica da publicação ao colocar o leitor como o responsável financeiro pela sua publicação — uma contribuição de R$ 40 é equivalente ao preço de capa de um livro comum. As pequenas casas editoriais também ganham uma ferramenta de marketing e financiamento sem comprometer o sofrido caixa. A curadoria é outra característica desse tipo de serviço. “O objetivo é oferecer um serviço que fique entre a autopublicação e o trabalho de uma editora profissional. Vamos publicar com alguma qualidade e ao mesmo tempo dar capilaridade para autores independentes", afirma Obadia.

Fonte: Administradores