Livro mais misterioso do mundo será finalmente publicado





Um dos livros mais enigmáticos da história, com mais de 600 anos, vai ser publicado pela primeira vez, pela Siloé, uma pequena editora da cidade de Burgos, na Espanha. O manuscrito Voynich , do século 15 e com 244 páginas, está guardado a sete chaves na Biblioteca Beinecke, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Trata-se de uma obra escrita em linguagem cifrada e um dos grandes desafios há séculos para historiadores e linguistas de todos os continentes. Eles esperam encontrar em suas páginas segredos da alquimia.

Juan José García, editor da Siloé, afirmou que a tiragem “será de um número palindrômico, 898 exemplares”, devido à sorte que deu editar 696 exemplares do seu primeiro título, “Bestiário”, de Juan de Austria. O preço apenas estará ao alcance de bibliotecas e colecionadores, entre € 7 mil e € 8 mil. Cerca de 300 exemplares já foram vendidos.

García explica que a Universidade de Yale decidiu vender os direitos por três razões: para evitar os muitos pedidos de consulta; porque não consegue atender todos os museus que desejam expor o livro; e porque, assim, o divulgam melhor. O livro original, claro, não vai sair da Yale.

O manuscrito Voynich conserva intacto o magnetismo que ainda têm os livros secretos: que explicam o sentido da vida e os poderes mágicos ou ainda aqueles de caráter demoníaco, cuja leitura provocaria a loucura ou a morte. A história do manuscrito já é misteriosa por si só e, durante certo tempo, acreditou-se que era uma invenção de um livreiro lituano de origen polonesa, Wilfrid Voynich.

Desenhos de plantas estranhas

Revolucionário deportado para a Siberia pela polícia czarista, ele conseguiu fugir primeiramente para a Alemanha e, depois, para Londres. Lá se casou com a filha de um grande matemático. Licenciado em farmácia, ele traduziu Marx e Engels ao inglês, falava 18 idiomas e fez fortuna com o comércio de livros antigos.

Em 1914, ele ficou sabendo que os jesuítas do Nobile Collegio Mondragone, de Frascati (Itália), sem dinheiro, estavam vendendo seu acervo. Voynich foi ao leilão e se interessou por um pequeno livro de apenas 23 cm x 16 cm, ao qual faltavam 28 páginas. Tinha vistosos desenhos de plantas estranhas, diagramas astrológicos e mulheres nuas se banhando em densos lagos de cor verde.

Apenas meses mais tarde, já em Londres, ele se deu conta de que a obra estava escrita em uma linguagem desconhecida que ninguém conseguia decifrar. Talvez porque revelasse substâncias usadas na alquimia que eram proibidas pela igreja.

Teorias delirantes

As dúvidas sobre a autenticidade do manuscrito se diluíram quando a análise com carbono 14 certificou que o papel datava de entre 1404 e 1438, e a tinta, de, no máximo, 1459. Um dos seus proprietários foi Rodolfo II, da Boêmia, protagonista de una novela de Chatwin.

Desde o descobrimento do manuscrito, há diversas teorias delirantes, como a de que teria sido escrito por extraterrestres. Em 2014, o professor Stephen Bax afirmou que havia conseguido decifrar 14 caracteres, utilizando coleções de plantas medievais árabes e asiáticas.

Documentário Leitores sem fim

Leitores sem fim relata histórias de pessoas que tiveram a vida modificada pelo hábito da leitura. A partir da realidade de bibliotecas públicas localizadas em regiões de baixa renda no Rio de Janeiro, o documentário mostra o novo modelo que se pretende criar de espaços culturais, baseado na experiência exitosa das Bibliotecas Parque da Colômbia. Mostra também a situação da leitura no Brasil e o esforço de parlamentares para universalizar as bibliotecas escolares no país.





Morador de rua passa dia em biblioteca lendo para matar dor do tempo



Antes do sol aparecer, Carlos Augusto Durval dos Santos, de 56 anos, já está pronto para mais um dia na rua. Dobra o papelão junto com o cobertor que usa para dormir e esconde em um cantinho da cidade. Em busca de alguns trocados, pede dinheiro na rua, toma um café e segue para as escadas que dão acesso à Biblioteca Pública Estadual, na Avenida Fernando Corrêa da Costa.

O lugar parece improvável para quem não tem mais uma casa ou referência familiar, mas assim como Carlos, outros moradores de rua encontraram nos livros a fuga da solidão, do abandono e de outras válvulas de escape, como as drogas. Se para muito hoje em dia a biblioteca é algo obsoleto, para eles é o melhor jeito de ver o tempo passar. 

Há 3 anos, Carlos descobriu nos livros um mundo diferente das recaídas que há tempos ele não dava conta de superar. "Tinha problema com a bebida sabe... Na rua, a gente começa andar com outras pessoas e acaba se afundando. Mas eu nunca usei droga, só a bebida mesmo, cai nessa perdição", lamenta.

Mas logo ele abre um sorriso e faz questão de mostrar os cadernos que compra com os trocados da rua. Entre as linhas, estão as anotações de alguns livros e frases que surgem na cabeça durante a noite. Os blocos de anotações são feitos com volantes que ele pega na lotérica. Servem para guardar os trechos das leituras. 

"Não gosto muito de ficção, prefiro os livros espiritas, deixo 4 aqui na minha mesa. Mas já li a biografia da Elis Regina e da cantora Maísa", conta mostrando o amontado de livros na mesa que ele faz questão de sentar todos os dias na biblioteca.

Além das obras de Allan Kardec e as biografias, o dicionário é livro indispensável. O clássico Aurélio é como um acessório para Carlos. "Eu uso ele todo dia, tem algumas palavras nos livros que eu não entendo, aí eu devoro o dicionário. Aí, se tem alguma palavra que eu acho interessante, eu anoto aqui no caderno", explica. 

Ele passa cerca de 8 horas dentro da biblioteca todos os dias. Só para na hora do almoço. A comida ele ganha de uma marmitaria próxima, as vezes até o funcionário do prédio divide o alimento com ele. "Café da manhã para mim não pode faltar, eu sempre faço uns R$ 9 cuidando carro, de manhã eu tenho que comer 2 pães com mortadela", comenta. 

Sem mencionar o motivo, ele conta apenas que saiu de casa em 1990, depois de chegar do Rio de Janeiro. Em Mato Grosso do Sul, chegou a trabalhar em fazendas, mas depois de perder o emprego, foi a bebida que o consumiu totalmente. 

"Hoje frequento o AA (Alcoólicos Anônimos) e fico na biblioteca, tenho a cabeça no lugar, carrego aqui essa vivências e tô muito melhor. Tenho educação, não tenho passagem pela polícia e por isso eu fico aqui, tô nem aí...", reflete se referindo as pessoas que as pessoas ficam incomodadas com a presença deles por ali.

Até para quem admite não gostar de ler, o lugar é como um refúgio. Receoso com a proximidade, o morador de rua Thiago Ferreira Guimarães, de 36 anos, larga o mouse do computador e pede para não ser fotografado assim que percebe a nossa equipe. Após alguns minutos de conversa, finalmente ele topa dar entrevista.

Thiago é outro que pouco fala de onde veio. Não gosta de ser chamado de morador de rua, mas afirma que dorme pelas calçadas todos os dias. Longe de casa, não se reconhece mais em família. "Eu nunca tive família, sei que tive uma mulher velha que se diz minha tutora, mas eu sai de lá faz tempo e fiquei desempregado", conta.

Na biblioteca, os livros não chamam atenção. Ele aproveita o dia para entrar na internet, assistir disputa de games pelo Youtube, ler o jornal e passar o tempo. Entre uma informação e outra, se confunde com a própria história. Cita os problemas na política e divaga sobre o que família viveu no tempo da guerra fria.

Por fim, admite que ali é onde encontra o apoio que ele não vê nas ruas há muito tempo. "Eu venho pra ficar sem dor, a dor do tempo sabe? É pra aliviar o tempo, eu tinha outro ritmo, usava drogas e hoje não uso nem bebida, é um jeito de não ficar vagando pela rua, sozinho...", justifica.

Rejeição - Desde que eles começaram a frequentar a biblioteca, a permanência dos moradores de rua se tornou uma batalha diante da rejeição de outros frequentadores. Quem resiste firme é a bibiotecária Eleuzina Crisanto de Lima, de 41 anos. "As pessoas se incomodaram com a presença deles, pelo fato de não tomarem banho. Mas eu pensei que isso não podia ser motivo para impedir eles de estarem aqui e muito menos das pessoas se sentirem incomodadas", conta.

Por isso a servidora arregaçou as mangas em busca de apoio para quem vivia na rua. "Pensei comigo: eu não posso perder os meninos, aí eu conversei com eles, expliquei que bastava tomar um banho e entrar limpinho que o problema seria resolvido. Conseguimos parceria com um centro de triagem que oferece assistência social, eles tomam banho, as vezes trocam de roupa quando ela já está bem suja, procuramos fazer documentos para alguns. Tudo para não perder eles, porque isso daqui é pra todo mundo", justifica.

Eleuzina acredita no efeito positivo que os livros e o ambiente proporcionam. "Eles vivem em uma situação tão difícil e posso ver que isso aqui é um suporte de apoio. Por isso, enquanto a gente estiver aqui, vamos bater o pé para que eles continuem frequentando. Porque é uma biblioteca pública e ela deve ser para todos", reforça. 

Por que os aplicativos são uma boa forma de educar seus filhos?


De acordo com uma pesquisa da AVG realizada em 10 países no ano passado, mais de 75% das crianças entre 3 e 5 anos já utilizaram algum aplicativo educacional. O hábito vem sendo adotado também por pais e professores, que incentivam as crianças a utilizarem esses apps para complementar suas lições em sala de aula. Não surpreendentemente, a disponibilidade de tais aplicativos subiu consideravelmente ao longo dos últimos trimestres: só no Itunes, a loja online da Apple, existe mais de 65 mil aplicativos educionais. Mas quais são as vantagens desses apps?

Aplicativos tornam o aprendizado divertido

Há muitos aplicativos educacionais para crianças que, além de educar, são divertidos. Aplicativos interativos, como livros de histórias e jogos, são ótimas forma de aprendizagem para os as crianças e são uma maneira divertida de fazê-los entender um pouco mais sobre saúde, leitura, música ou comida. Por serem interativos, estes aplicativos acabam se tornando uma alternativa melhor do que uma atividade passiva, como assistir TV, por exemplo.

Os apps podem ajudar a desenvolver habilidades importantes, como a coordenação motora

Muitos aplicativos envolvem atividades como traçar linhas, formas, letras e números, ou envolvem jogos que desafiam a coordenação motora, desenvolvendo habilidades fundamentais para as crianças.

Os aplicativos complementam as atividades em sala de aula

Existem centenas de aplicativos educacionais destinados às crianças com menos de 5 anos, de livros de histórias interativos a jogos divertidos, que podem ajudar a prepará-las para a escola, reforçando a leitura, a fala e as habilidades matemáticas. Um número crescente de escolas e professores também está se voltando para estes dispositivos dentro da sala de aula como material de apoio.

Melhor compreensão de leitura

Um dos principais benefícios dos aplicativos educacionais para crianças se dá na fase inicial da alfabetização. A compreensão de leitura e a interpretação de texto aumentam quando as crianças brincam com jogos e a leitura é mais fácil quando há visão e som como elementos “recompensadores”. A facilidade na leitura desenvolve por consequência a habilidade da fala também. Há, inclusive, aplicativos onde você pode monitorar a evolução da leitura do seu filho.

Mais do que apenas para crianças

É um erro achar que só as crianças são beneficiadas pelos aplicativos. Os professores e pais também se beneficiam do uso de aplicativos educacionais: os professores ganham uma ajuda extra em sala de aula, enquanto os pais se tranquilizam por saber que seus filhos estão se distraindo de maneira produtiva.

Sustentabilidade

Os aplicativos educacionais beneficiam as pessoas e também o meio-ambiente. Aprender através de um smartphone ou tablet é muito mais sustentável do que a aprendizagem tradicional. Enquanto um utiliza grande quantidade de materiais como papel e lápis; o outro só requer um novo aplicativo.

Pesquisa mostra que a internet incentiva as pessoas a lerem mais

Existe uma ideia popular de que heavy users de internet não nutrem interesse por leituras tradicionais, já que investem mais tempo conferindo as redes sociais, por exemplo, do que curtindo um livro. Mas esse mito acaba de cair por terra graças a uma pesquisa feita pela TNS para a Livraria Cultura. Os resultados revelaram que o conteúdo das mídias sociais e de blogs estimula os leitores a se interessarem por publicações impressas.

E não é como se lêssemos pouca coisa na internet – pelo contrário, lemos muito, mas com menos profundidade do que se estivéssemos lendo revistas, matérias de jornais e livros. A pesquisa mostrou que o brasileiro lê, em média, 6,5 tipos de publicações, e os livros apareceram como a segunda opção preferida, logo depois das leituras rápidas do cotidiano das notícias na rede.



Quanto ao que se lê na internet, o foco é mantido nas leituras relacionadas à informação (artigos como este aqui, reportagens e conteúdos informativos em geral). Essas leituras são mais rápidas e realizadas em trechos ou blocos. Já o meio impresso dá margem a um maior foco e dedicação ao que se está lendo, já que nele os brasileiros costumam preferir conteúdos relacionados a lazer e relaxamento, como romances, ficções e dicas de autoajuda. O tipo de leitura mais aprofundada é de fato o livro impresso, formato que ainda é o escolhido de quem lê a Bíblia (tendo 71% de preferência). Ainda de acordo com o estudo, 63% dos leitores de livros preferem os exemplares físicos aos e-books, enquanto 47% dos leitores de quadrinhos optam pelo formato físico. Já entre os leitores de revistas, somente 41% disse preferir a leitura em mãos, enquanto o restante já migrou para o formato digital oferecido por elas.

Mas o que pode justificar essa preferência por livros físicos em pleno ano de 2016? Bom, o estudo indicou que como os computadores e celulares dominam cada vez mais nosso dia a dia, as pessoas acabam recorrendo aos livros físicos como uma espécie de refúgio da tecnologia. Outro motivo seria o conforto na hora da leitura, já que os displays ainda são um tanto quanto incômodo na hora de fazer uma leitura mais demorada (com exceção de gadgets específicos para leitura, como o Kindle, por exemplo).

Fonte: http://bit.ly/2avy8Tk

O que a boa leitura faz com o seu cérebro?


Comparar o ato de ler com uma espécie de “exercício físico” para o cérebro, como ocorre na musculação sobre a massa corporal, está longe de ser adequado – e com as últimas descobertas da neurociência, essa analogia serve apenas para dar uma ideia distante do seu efeito real. O percorrer os olhos sobre palavras ordenadas com um sentido faz muito mais: ajuda o cérebro a absorver conceitos da realidade e a dominá-la. Quanto maior o vocabulário, a fluência na leitura e a sua complexidade, maior a capacidade de compreender a si mesmo, interagir socialmente e ser bem-sucedido no mercado de trabalho. Se uma pessoa não sabe ‘nominar’ algo, em geral, não a assimila com clareza.

O processo de entender o mundo começa na infância. A rede neural tem sua idade de ouro nos primeiros anos, quando é maior a neuroplasticidade (a capacidade de reter conhecimentos). Quando uma criança começa a ler, entre 5 e 8 anos, o cérebro fica mais eficiente e, para eliminar sobras e aumentar a sua agilidade, ocorre a chamada poda neuronal, a perda de bilhões de neurônios até os 10 anos, algo natural para o organismo. Esse recuo é tão grande que até a espessura do córtex cerebral diminui.

O maior efeito disso incide sobre o aprendizado, principalmente em relação à linguagem escrita. Se a rede neural não é estimulada, falta essa poda ‘qualificada’ e a criança sofre os efeitos do desuso – e aqui a comparação do organismo com músculos atrofiados e excesso de massa gorda pode ajudar. “Se não ocorre essa simplificação neuronal nessa fase crítica, você não é capaz de desenvolver uma linguagem mais complexa quando adulto”, explica o neurocientista Renato Sabbatista, pós-doutor pelo Instituto Max Planck. “Pouco dessa situação pode ser sanada nos anos seguintes, mas é preciso um esforço maior, mais ou menos como quando um idoso aprende a dirigir, demora mais”.

Da infância à vida adulta, para que esse processo não regrida, é necessário colocar o cérebro em contato com conteúdos cada vez mais complexos. Se a pessoa se contenta com linguagem simples – frases curtas da televisão e das redes sociais, vocabulário pobre e sintaxe pouco elaborada –, o desenvolvimento cerebral se estabiliza e a pessoa se torna incapaz de compreender ideias com consequências significativas para si mesmo e para a sociedade. As pesquisadoras Yellolees Douglas e Samantha Miller perceberam, por exemplo, que estudantes que liam diariamente o “Huffington Post” tiveram a menor pontuação em seus escritos do que os que liam, ainda que com menos frequência, o “The New York Times”.

O esforço para ler e entender textos mais complexos, por outro lado, aumenta a qualidade da chamada ‘fala silenciosa’, o discurso interior feito por quem é capaz de escrever frases coerentes. Ao mesmo tempo, exercita a memória, necessária para falar, escrever e entender. “O contrário se pode perceber em uma pessoa que vai morar em outro país, que começa a utilizar um português mais simples porque vai esquecendo as palavras”, exemplifica Sabbatini.

Bibliotecária leva amor pelos livros a moradores de rua


O amor pelas pessoas e pelos livros ocupa os dias de uma bibliotecária de Belém há 34 anos. Terezinha Maria de Jesus da Conceição Lima, a Teca Lima, acredita que a leitura oferece às pessoas a possibilidade de adquirir conhecimento, crescer, viajar, relaxar e amenizar o sofrimento. “A leitura é um momento de prazer”, destaca. Ela tem se preocupado em levar os livros até aqueles que estão mais distantes e isolados, como detentos e quilombolas. “Tudo dá certo quando gostamos de pessoas”, diz.

Funcionária da Biblioteca Estadual do Pará, cedida ao município da capital, Teca trabalha na Biblioteca Pública Municipal Avertano Rocha, no distrito de Icoaraci. E foi ali que ela desenvolveu projeto com moradores de rua, o Tornar Visíveis os Invisíveis, um Desafio Instigante, um dos ganhadores da oitava edição do Prêmio Viva Leitura, iniciativa dos ministérios da Cultura e da Educação, em parceria com a Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI). Na premiação, entregue em maio deste ano, o projeto foi o vencedor da categoria 1, Biblioteca Viva. Teca o criou em 2014, a partir da observação da parcela da sociedade que inclui pedintes, guardadores de carros e artesãos.

O trabalho, realizado em parceria com o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), contribuiu para a integração e o reconhecimento da comunidade em relação aos moradores em situação de rua. Segundo Teca, eles gostam de frequentar o espaço da biblioteca, onde não só têm oportunidade de ler e pegar livros emprestados, como de usar o computador e participar dos variados projetos culturais lá desenvolvidos. Um deles é o Boi Literário Paraense, promovido pela biblioteca há mais de 30 anos. Em prepara&c cedil;ão para a festa, realizada em 24 de junho, com brincadeiras típicas juninas, os homens participaram de oficinas de musicalidade e as mulheres dedicaram-se à personalização de indumentárias e bordados.

Outra importante atividade promovida pela biblioteca é o Jardim Poético, realizado sempre em abril. Um dia inteiro é dedicado a atrações, como apresentações de banda e coral, além de exposição dos objetos de artesanato feitos pelos moradores de rua.

Sorte — A biblioteca também apoia os projetos desenvolvidos pelo Centro Pop, como o Auto de Natal e a Paixão de Cristo, e atividades culturais, como o Cinema na Biblioteca, que contam sempre com a participação dos moradores de rua. “Deus me colocou na profissão acertada”, diz a bibliotecária, que tem especialização em organização de arquivos e em gestão pública. Inicialmente, ela sonhava em ser psicóloga. “A leitura tem me surpreendido além do que eu já sei, pois as possibilidades são intermináveis”, diz. “Afinal, é só se permitir deixar acontecer.”

Teca acredita ter sorte de trabalhar naquele local. “É uma biblioteca dinâmica, atuante, com pessoas que comungam com os meus pensamentos”, afirma. “Tanto que todos os nossos projetos têm sempre a literatura como base para outras linguagens artísticas.”

Prêmio — O Prêmio Vivaleitura foi o primeiro que Teca obteve em sua carreira, mas ela se sente premiada sempre que empresta um livro, vê que algum leitor conseguiu pesquisar sobre o assunto procurado ou que usuários da biblioteca são aprovados em concursos, entre outros pontos. “Isso, para mim, é um prêmio porque sei que tive uma pequena participação na realização de sonhos.”

O prêmio recebido, no valor de R$ 25 mil, ajudou a implementar e incrementar o espaço de leitura criado no Centro Pop, com a doação de estantes e obras para o acervo. Os livros foram adquiridos a partir das indicações de assuntos e títulos feitas pelos próprios moradores de rua. Localizado na mesma rua da biblioteca, a quatro quarteirões de distância, o Centro Pop conta com profissionais dedicados a trabalhos como abordagem e triagem de moradores de rua, emissão de documentos e realização de oficinas.

Quando mãe e filho se unem... o resultado é o lançamento da Editora da Galeria



O FOGUETE E A LUA é a história de Lucas, um menino que sonhava em ser astronauta e pisar na Lua. Lucas pesquisou, construiu o seu foguete e planejou a sua viagem espacial. Para realizar o seu sonho, Lucas usou de muita imaginação, criatividade e, ainda, contou com a ajuda de seus pais.
Uma história simples e envolvente que visa valores de companheirismo e ambiente familiar, além de muita imaginação.
Mãe e filho em parceria neste lançamento da Editora da Galeria.



História: Enzo N.Pirolo (9 anos)
Texto e  Ilustração: Ana Pirolo
São 24 páginas coloridas, impressas em papel couchê. Texto de Enzo N.Pirolo, aluno do 4º ano do ensino fundamental I (9 anos) e ilustrações de Ana Pirolo.
Cada ilustração foi desenvolvida em tinta acrílica e giz pastel oleoso sobre papel de fibra de algodão.

OBRA ENVIADA AUTOGRAFADA PELOS AUTORES.

Venda exclusiva pela internet para todo o Brasil, Portugal e países de língua portuguesa.
Sobre a Ana Pirolo
Ana Pirolo é formada em publicidade e marketing pela ESPM SP. Mestre em Ciência da Informação pela PUC Campinas SP. Iniciou a carreira na publicidade em 1987, em uma grande agência de publicidade de São Paulo SP.
Em 2002, iniciou a carreira de artista visual. Atualmente, é galerista, curadora de exposições virtuais de arte e responsável Galeria Virtual de Arte ANA PIROLO (www.galeriaanapirolo.com.br).
É docente de graduação e pós graduação da Faculdade Anhanguera de Jacareí SP nas áreas de Comunicação, Publicidade, Marketing e Artes.
Ana Pirolo também é autora do livro O GALO AZUL, publicado em 2015 e atualmente inscrito no Prêmio Jabuti de Literatura 2016 na categoria infantil.
Sobre Enzo N. Pirolo
Aluno matriculado no 4º ano do ensino fundamental. 09 anos. A história do livro foi criada para um trabalho de escola.

Aluna de escola pública formada em Harvard lista mitos sobre estudar fora



Mais do que sorte e talento, Tabata Amaral de Pontes, de 22 anos, atribui suas conquistas às oportunidades. Foram as bolsas de estudo e mentorias que abriram de vez as portas para que a aluna esforçada de escola pública na periferia de São Paulo conseguisse na Universidade Harvard , nos Estados Unidos, seu diploma de graduação em ciências políticas e astrofísica.

A convite do G1 , Tabata reavaliou sua trajetória para listar os cinco maiores mitos sobre estudar fora do país.

Desde junho de volta ao Brasil, a filha de ex-vendedora de flores está envolvida em um projeto social que ajudou a fundar, o Mapa Educação , que busca mobilizar os jovens para que a educação seja prioridade no debate político. Em agosto, começará a trabalhar em um fundo de educação de uma empresa multinacional em São Paulo.

Trajetória olímpica

Bem antes da vaga de emprego em uma multinacional, ainda quando estudava na rede pública e tinha 12 anos, Tabata começou uma carreira como “atleta” do conhecimento. Ao todo, colecionou mais de 30 medalhas em olimpíadas de física, química, informática, matemática, astronomia, robótica e linguística.

A possibilidade de morar e estudar no exterior começou a se desenhar quando Tabata teve a oportunidade de deixar a rede pública. À época ela tinha sido destaque na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) e ganhou uma bolsa no Colégio Etapa.

O colégio também bancou moradia e alimentação da estudante porque sua casa ficava distante, e os pais não podiam arcar com a despesa. Lá viu os horizontes se alargarem e ouviu pela primeira vez sobre a possibilidade de fazer faculdade fora do país.

Quando estava no segundo do ensino médio ganhou uma bolsa da escola Cellep para estudar inglês e contou com a ajuda de instituições para cobrir os gastos do application (processo de candidatura às vagas das universidades norte-americanas).

Quando enfim escolheu Harvard, há quatro anos, Tabata também tinha sido aceita por outras cinco universidades americanas, entre elas, Caltech, Columbia, Princeton e Yale.


CINCO MITOS SOBRE ESTUDAR FORA

Tabata selecionou e deu sua opinião sobre conceitos que “perseguem” os candidatos:

1) É preciso ser gênio
Para ser aceito em uma universidade americana, é preciso ser mais que bom aluno. As atividades extracurriculares são muito bem vistas pelos avaliadores. O diferencial de Tabata foi a paixão pelas ciências e pelas olimpíadas. Para ela, não há nada de genialidade por trás das aprovações.

“Tem pessoas que gostam muito de algumas áreas e são dedicadas, por isso acabam indo bem. Harvard vai valorizar que você tenha uma paixão, que se dedique e faça alguma coisa bacana com isso para a sociedade.”

2) Só ricos estudam lá
Fazer graduação em uma universidade americana de ponta pode custar até R$ 500 mil, incluindo mensalidades, hospedagem e alimentação durante os quatro anos. As bolsas são concedidas a partir da situação socioeconômica da família, e não por mérito. Se o aluno foi aceito, a instituição vai dar as condições para que ele estude, independentemente de sua condição financeira.

Tabata é filha de uma ex-vendedora de flores e tem um irmão, mais novo, universitário. O pai trabalhava como cobrador de ônibus e faleceu pouco antes de ela embarcar para o exterior. A família não poderia arcar com nenhuma despesa. Ela recebeu bolsa integral da universidade e ajuda de custo para transporte, passagens aéreas para o Brasil e compra de livros, mas trabalhou durante o curso para poder ajudar a mãe no Brasil. “Nada que atrapalhasse meus estudos.”

Para ela, falta de dinheiro não é impeditivo. “Se você tem um sonho grande de estudar nos Estados Unidos e não tem como pagar, não desista por isso. Eu realmente não poderia pagar um centavo e consegui.”

3) Inglês tem de ser fluente
O application exige um teste que mede da proficiência do aluno no inglês (Toefl) e uma prova chamada SAT, uma espécie de Enem americano, toda em inglês. A ideia é medir o quanto o aluno domina o idioma. No entanto, para ser aprovado, no processo como um todo, a fluência no inglês não é determinante.

Tabata aprendeu inglês em um ano, depois que ganhou a bolsa do Cellep. Ela conta que conseguiu ter notas suficientes nas provas do application , mas não era fluente.

“Tinha um inglês muito ruim. Chegando em Harvard tive dificuldade de me comunicar com os americanos, tanto que meus melhores amigos são os latinos e os indianos. Fui sentir que estava fluente só depois do meu primeiro ano, quando fui entender música e filme.”

Ela conta que só foi fazer piadas em inglês no último ano de curso. “Lembro da primeira vez que alguém falou para mim: a Tabata também está engraçada em inglês. Não lembro o que eu disse, mas um amigo falou: nossa ‘ up grade ’!”

4) Quem estuda nos Estados Unidos não volta para o Brasil
Ficar nos Estados Unidos nunca foi um projeto, mesmo com as pessoas dizendo que retornar ao Brasil seria uma “burrice.” Ela elenca pelo menos dois motivos: o contexto político pelo qual o país atravessa e a vontade de impactar a educação.

“Eu estudei ciências políticas, sou fascinada por esse tema. A gente está passando por um contexto histórico muito importante para o Brasil. Então, quer laboratório mais bagunçado e mais interessante para quem gosta de aprender como esse?”

Tabata diz que se ficasse nos Estados Unidos seria mais difícil voltar depois ao Brasil. “Lá a vida é mais fácil, mais segura e mais meritocrática. Só que eu quero ter impacto aqui, entrar para a política. Nunca considerei ficar.”

5) Meritocracia: quem quer consegue
A história da brasileira inspira muitos comentários do tipo “quem quer consegue”, mas para ela, suas conquistas não têm a ver com mérito.

“Vivemos em um país muito desigual e injusto. Tive a benção de ter muitas oportunidades bacanas e aproveitar. Esforço é muito importante, mas se eu não tivesse tido essas oportunidades eu não estaria aqui.”

Ela diz que sua trajetória prova o quanto a educação pode transformar e servir de inspiração. “Se você pegar a população brasileira e der uma educação de qualidade, boas oportunidades, nosso país vai ser mais justo e mais bacana. Não dá para falar ‘quem quer consegue’ porque não é assim. Quem quer e está em uma escola pública de baixa qualidade em uma cidade pequena, não consegue. Sinto muito, mas é verdade.”

Dificuldades e lições

A adaptação em Harvard não foi fácil. Ela embarcou logo após perder o pai, teve dificuldades com idioma, com a “comida sem sabor” e com o frio, que chegava até 27 graus negativos. “Me senti sozinha e cheguei a me questionar se aquele era realmente meu lugar.”

Mas vieram os amigos e a vida, entre estudos e trabalho, foi tomando rumo. “Levou um tempo para eu me encontrar, mas Harvard passou a ser um dos meus lugares preferidos no mundo que eu sinto muitas saudades agora.”

De lá, a maior lição que fica é a importância das pessoas. “Quando você passa quatro anos com gente tão fora de série, você se sente com vontade de fazer mais. Não importa o que eu faça, vou me preocupar em estar perto de pessoas que sabem muito mais do que eu. O que te faz crescer são as pessoas.”

Clubes de leitura se espalham por São Paulo


“Ler é muito solitário. Então, quando a gente tem a possibilidade de trocar experiências, fica um hábito mais completo.” A afirmação da servidora pública Leila Costa Pereira, de 40 anos, resume bem o que leva cada vez mais paulistanos a frequentar clubes de leitura – há dezenas espalhados por bibliotecas, livrarias e outras instituições culturais da cidade.


Integrante há dois anos do clube da Biblioteca Mário de Andrade, no centro, Leila também simboliza uma estatística: segundo pesquisa interna da editora Companhia das Letras, a imensa maioria dos frequentadores de grupos do tipo é de mulheres (76,7%) de 30 a 59 anos (38,7%). Como era de se esperar, os membros desses clubes são leitores vorazes (40,6% consomem de quatro a seis títulos por trimestre e 36,4% dedicam de 1 a 2 horas por dia aos livros).

O grupo da Mário foi criado em 2013 e é frequentado assiduamente por cerca de 20 pessoas. “Cadastrados em nossa base de e-mail, são mais de 40”, conta a coordenadora, a produtora cultural Natame Diniz, de 26 anos. A cada mês, uma obra é escolhida para ser devorada ao longo das quatro semanas e comentada no encontro seguinte, sempre na segunda quarta-feira de cada mês. O título da vez é Dois Irmãos, de Milton Hatoum. “Na troca de impressões, pela bagagem de cada um, é como se um livro pudesse se abrir em vários diferentes”, comenta o publicitário Heitor Botan, de 27 anos, assíduo participante.

A médica Maria Aparecida Telles, de 66 anos, gosta tanto da ideia que já participou de seis grupos diferentes – atualmente, vai aos clubes da Mário de Andrade, da Casa das Rosas e da livraria Martins Fontes. “A cada encontro, saio enriquecida pela diversidade de visões apresentadas.”

Público. O mercado editorial tem acompanhado de perto o fenômeno, ciente de que é uma maneira de estar em contato direto com seu público – e um público extremamente qualificado, em que 44% têm ensino superior e 35% são pós-graduados. “Sabemos que na literatura a divulgação boca a boca é muito importante. E a partir do que esses leitores dizem, podemos trazer o feedback para a editora”, afirma Kim Doria, coordenador de divulgação e eventos da Boitempo – a editora apoia os clubes da livrarias Blooks e da Vila.

A Companhia das Letras é a editora que mais apoia clubes no Brasil – são dezenas, que contam com títulos emprestados pela empresa. “É um canal de troca com os leitores, uma troca direta”, acredita o coordenador da iniciativa, Pedro Schwarcz. “Queremos trazer para mais perto, de maneira mais intimista, todas as possibilidades de interação que o livro oferece.”

Também há atividades do tipo em unidades do Sesc – Vila Mariana, Carmo, Belenzinho e Ipiranga contam com um clube cada. “Quero frequentar sempre que estiver em São Paulo”, afirma o escritor mineiro Alex Sens Fuviy, de 28 anos, que esteve pela primeira vez em um, no Ipiranga, na quinta-feira. “Cada unidade tem suas peculiaridades. Aqui cuidamos de reforçar o acervo da biblioteca com ao menos cinco unidades do título escolhido para o mês”, afirma Vanessa Rosado, que coordena o do Sesc Carmo.

Se mulheres são a maioria dos participantes dos clubes, o mesmo não acontece entre os autores das obras debatidas. “Foi pensando nisso que lançamos o Leia Mulheres”, conta a jornalista Juliana Leuenroth, de 30 anos. O grupo começou em março de 2015 e costuma reunir, mensalmente, de 20 a 30 pessoas.



Serviço:

Clube da Leitura Biblioteca Mário de Andrade
Segunda quarta-feira de cada mês
Endereço: R. da Consolação, 94 – Consolação
Telefone: 3775-0002

Clube de Leitura da Casa das Rosas
Próximo encontro: 24/5
Horário: 19h30
Endereço: Av. Paulista, 37
Telefone: 3285-6986

Clube de Leitura Livraria Martins Fontes
Última quarta-feira de cada mês
Horário: 19h30 às 20h30
Endereço: Av. Paulista, 509 – Bela Vista
Telefone: 2167-9900

Clube de Leitura Livraria da Vila
Segunda segunda-feira de cada mês
Horário: 20h às 21h
Endereço: R. Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena
Telefone: 3814-5811

Grupo de Estudos da Casa Guilherme de Almeida
Último sábado de cada mês
Horário: 14h às 16h
Endereço: R. Macapá, 187 – Perdizes
Telefone: 3673-1883

Clube da Leitura SESC Ipiranga
Próximos encontros: 28/6 e 28/7
Horário: 20h
Endereço: Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga
Telefone: 3340-2000

Clube da Leitura SESC Vila Mariana
Próximo encontro 24/5
Horário: 21h30
Endereço: Rua Pelotas, 141, Vila Mariana
Telefone: 5080-3000

Clube da Leitura SESC Carmo
Próximo encontro: 31/5
Horário: 19h às 20h30
Endereço: Rua do Carmo, 147, Sé
Telefone: 3111-7000

Clube de Leitura Blooks Livraria
Primeira terça-feira de cada mês
Horário: 20h às 21h
Endereço: R. Frei Caneca, nº 569 – 3º Piso
Telefone: 3259-2291

Clube de Leitura Tapera Taperá
Primeiro sábado de cada mês
Horário: 16h às 17h
Endereço: Galeria Metrópole – Av. São Luís, 187
Telefone: 3151-3797

Clube de Leitura Leia Mulheres Itinerante. 
Acompanhe pelo site.

Chaveiro e morador de rua estimula leitura em Niterói





NITERÓI - O pequeno barracão de Edenílson da Costa Marins, na esquina da Rua Ministro Otávio Kelly com Domingues de Sá, pode, de longe, se assemelhar aos muitos chaveiros espalhados pela cidade. De perto, no entanto, tem um charme especial. Na bancada e nas prateleiras, é possível encontrar mais de 50 obras das literaturas brasileira e mundial. O dono do espaço diz que os livros estão lá para serem lidos, quem tiver interesse, pode pegar seu exemplar. E lembra que as prateleiras estão sempre abertas a receber aqueles exemplares que acabam esquecidos num canto da estante.

— A leitura é tudo! Acredito que o Brasil mudaria se as pessoas lessem mais. Os livros nos proporcionam uma viagem sem sair do lugar e trabalham os sentimentos que habitam dentro de nós — afirma Marins.

Atualmente, Marins está lendo “Vinhas da ira”, do escritor norte-americano John Steinbeck. E diz que faz questão de ler todos os exemplares que passam pela sua bancada.

— Somente ontem passaram por aqui 11 pessoas que trouxeram e levaram livros. Todo mundo quer ser feliz e, para mim, o que traz felicidade é ver esse vai e vem dos exemplares — conta o chaveiro.

Marins lembra que tudo começou há 18 anos, quando sua mãe perdeu um guarda-roupa, infestado por cupins. O movel estava abarrotado de livros.

— Vi que não adiantava guardar os livros dentro de casa e que o conhecimento deveria circular. Por isso comecei a doar os livros. E, como consequência, comecei a receber outros exemplares — diz Marins.

Cliente de Marins, a aposentada Maria da Graça Raposo costuma pegar e doar livros para a biblioteca do chaveiro.

— De tanto ver os livros, um dia eu e meu marido perguntamos o que eles estavam fazendo ali. Daí, começamos a participar. É muito bom poder adquirir cultura sem ter que pagar por isso e sem precisar ir longe. Sempre indico o Edenílson para quem gosta de livros — afirma Maria da Graça.

Célia Mara Vieira assume que é possessiva com seus livros e por isso admira ainda mais o chaveiro:

— Fico maravilhada com a iniciativa dele. Além disso, ele é um leitor voraz, que sempre me dá boas dicas — comenta.

Não longe dali, na esquina da Lopes Trovão com a Gavião Peixoto, outro amante dos livros tem se dedicado a fazê-los circular gratuitamente. O sem-teto Luiz Carlos Lopes da Silva costumava vender os exemplares para sebos. Hoje, doa boa parte do que consegue a quem passa pelo local.

— Uma parte dos exemplares está destinada à doação. A outra parte eu vendo para poder ter o que comer, mas quem quiser emprestado também pode pegar e depois me devolver. Confio nas pessoas — afirma Silva.