O mais
antigo documento oficial conhecido em língua portuguesa data de 27 de junho de
1214. Trata-se de um documento régio - o testamento do terceiro rei de
Portugal, Dom Afonso II - arquivado na Torre do Tombo.
Lisboa - Comemora-se esta
sexta feira, dia 27 de junho, os 800 anos da língua portuguesa. O Padrão dos
Descobrimentos, em Lisboa, acolhe as celebrações, com um dia inteiro dedicado à
cultura, leitura, dança, música e, sobretudo, partilha de experiências.
Na comemoração dos
800 anos da língua portuguesa destaca-se o lançamento às 13h, na Rosa dos
Ventos, de 800 balões por 800 crianças, com mensagens e desenhos de artistas
plásticos dos oito países da CPLP. Este é um momento emblemático que simboliza
a expansão da língua portuguesa pelo mundo ao longo de oito séculos.
Pelas 12h terá
início um recital de poesia no auditório do Padrão dos Descobrimentos, em que
serão declamados 16 poemas dos 8 países de língua portuguesa.
A partir das 14h
grupos de dança dos oito países da CPLP mostram o que de melhor o seu país tem
ao som de um DJ. Das 19h até às 22h grupos de Bossa Nova, Morna e Samba
apresentam concertos acústicos e intimistas.
O mais antigo
documento oficial conhecido em língua portuguesa data de 27 de junho de 1214.
Trata-se de um documento régio - o testamento do terceiro rei de Portugal, Dom
Afonso II - arquivado na Torre do Tombo.
Para comemorar
estes oito séculos, o Movimento 2014 - 800 anos da Língua Portuguesa aposta num
dia com várias iniciativas, as quais vão reforçar o interesse cultural,
pedagógico e até educativo de todos os participantes.
Nesta iniciativa
colaboram todos os países da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. A entrada é gratuita e
as atividades decorrem ao longo de todo o dia.
O
Brasil é um país de extremos quando o assunto é o mercado de livros. Por um
lado, o setor, o nono maior do mundo, movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano,
de acordo com estimativas da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Por outro, o
brasileiro é mundialmente conhecido por ler pouco. O lado bom desse contraste é
que o mercado tende a crescer e enfraquece a tese de que os livros digitais
irão acabar com os impressos. “Se metade da população não lê, temos um espaço
enorme para crescer”, diz Karine Pansa, presidente da CBL.
O
brasileiro, realmente, lê pouco?
Se
compararmos a outros mercados mundiais, o Brasil é um dos últimos colocados.
Aqui, lemos por volta de 1,8 livro por ano. Mas não podemos enxergar esses
números de forma pessimista. Afinal, se metade da população não lê, temos um
espaço enorme para crescer.
E
como fica o mercado editorial nesse cenário?
Apesar
de termos registrado queda de volume no último balanço, nosso faturamento
aumentou. Mas reconheço que precisamos melhorar muito, especialmente nosso
sistema educacional.
O
que fazer para aumentar o interesse pela leitura?
Mesmo
com bons programas do Ministério da Educação, tanto para escolas quanto para
bibliotecas, isso é insuficiente para um país de dimensões continentais. Também
é imprescindível estimular pais e professores, que são grandes disseminadores
dos hábitos de leitura.
Financeiramente,
o setor é dependente do governo?
Se
olharmos em termos de faturamento, sim. Quase 40% das vendas são para o
governo. Essa dependência não acaba do dia para a noite.
O
vale-cultura surge como uma ajuda ao mercado editorial?
Certamente.
Segundo dados do MEC, cerca de 90% do valor concedido é utilizado para a compra
de livros, jornais e revistas. E, diferentemente do que muita gente prega, o
vale-cultura não é um programa eleitoreiro. Ele fomenta algo que está em falta
no País.
O
que as editoras estão fazendo, ou precisam fazer, para contribuir para a
melhora desse cenário?
As
editoras estão analisando melhor os produtos que lançam e avaliando os melhores
locais para colocá-los à venda. Além disso, estão se preparando para superar a
fraca infraestrutura brasileira. Para um livro editado em São Paulo chegar ao
Oiapoque, custa dinheiro e demora muito tempo.
Então,
o livro no Brasil ainda é muito caro?
Ainda
convivemos com essa percepção, mas não é totalmente verdade. Nos últimos dez
anos, o preço do livro caiu 40% no País. Mas não é pelo preço que não temos
leitores: uma pesquisa nossa mostra que o principal motivo é a própria falta de
interesse.
O
livro digital tem capacidade de crescer no Brasil?
Há
cinco anos, víamos o livro digital como um bicho de 50 cabeças. Mais tarde,
aprendemos a trabalhar com ele e constatamos que não era o flagelo que se
desenhava. Dito isso, é preciso ficar claro que o papel está muito longe de
acabar. O digital representa menos de 0,1% do faturamento, mas também não
podemos desacreditar nele.
E
como fazer para não depender do governo para o setor crescer, tanto no mercado
físico quanto no digital?
Temos
de mudar algumas práticas, pois não há um planejamento conjunto das editoras.
Existe a preocupação, mas não posicionamentos. É necessário se atentar para
ações que podem prejudicar o setor, como a lei dos direitos autorais. O setor
livreiro viu que tudo mudou e, agora, precisa se atualizar.
As
Bienais podem ajudar na busca por novos consumidores?
Sim.
A Bienal do Livro de São Paulo, por exemplo, teve mais de R$ 7 milhões em
vendas. Isso é resultado da criação de um ambiente diferente para leitores, que
passaram a ver o livro como algo prazeroso, e expositores, que tinham um local
estimulante de negócios.
A prática da leitura se
faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a
"compreender" o mundo à nossa volta. No constante desejo de decifrar
e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob
diversas perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos,
no contato com um livro.
A atividade de leitura não corresponde
a uma simples decodificação de símbolos, mas significa, de fato, interpretar e
compreender o que se lê. Dessa forma tornam-se imprescindíveis também alguns
conhecimentos prévios do leitor: os linguísticos, que correspondem ao
vocabulário e regras da língua e seu uso; os textuais, que englobam o conjunto
de noções e conceitos sobre o texto; e os de mundo, que correspondem ao acervo
pessoal do leitor. Numa leitura satisfatória, ou seja, na qual a compreensão do
que se lê é alcançada, esses diversos tipos de conhecimento estão em interação.
Logo, percebemos que a leitura é um processo interativo.
O IPP, comprometido em atender às
inúmeras solicitações das empresas em que os jovens aprendizes prestam serviço,
no tocante as dificuldades de leitura e escrita e a apresentação de um grande
número de erros gramaticais na linguagem oral dos jovens, através do Projeto
Leitura, promove diariamente em sala de aula o desenvolvimento das
competências leitora e escritora do jovem aprendiz do PAP - Programa de
Aprendizagem Profissional, buscando a formação de leitores competentes e com
domínio da língua falada e escrita através do reforço ortográfico e da correção
gramatical, seguindo o seguinte processo:
- Desenvolver a habilidade de leitura e
compreensão do texto escrito;
- Escrever e falar a língua portuguesa
com correção e clareza;
- Refletir sobre os vícios de
linguagem;
- Sensibilizar para a criação de
hábitos de leitura, formando futuros leitores;
- Compor e alimentar o acervo bibliográfico;
- Convidar as editoras para palestras e
divulgação de títulos de sua publicação;
Todo mundo está familiarizado com o cheiro de livros antigos, o perfume estranhamente inebriante que assombra bibliotecas e sebos. Da mesma forma, quem não gosta de folhear as páginas de um livro recém-adquirido e respirar o aroma fresco de papel novo e tinta recém-impressa? Tal como acontece com todos os aromas, as origens podem ser traçadas a um número de constituintes químicos, e permitir o exame dos processos e compostos que podem contribuir para as duas causas.
Quanto ao cheiro de livros novos, é realmente muito difícil identificar compostos específicos, por várias razões. Em primeiro lugar, parece haver uma escassez de pesquisa sobre o assunto – para ser justo, é compreensível que o tópico não esteja exatamente no alto da lista de prioridades científicas. Em segundo lugar, a variação dos produtos químicos utilizados para a fabricação de livros também significa que se trata de um aroma que varia de livro para livro. Adicione a isso o fato de que existem literalmente centenas de compostos envolvidos, e torna-se mais claro por que ele foge da atribuição a uma pequena seleção de produtos químicos.
É provável que a maior parte do “cheiro de livro novo” possa ser atribuído a três fontes principais: o próprio papel (e os produtos químicos utilizados na sua fabricação), as tintas utilizadas para imprimir o livro, e a cola utilizada no processo de encadernação de livros.
O fabricação de papel requer a utilização de produtos químicos em várias fases. Grandes quantidades de papel são feitas de polpa de madeira (mas ele também pode ser feito a partir de algodão e tecidos) – produtos químicos tais como hidróxido de sódio, muitas vezes referido como “soda cáustica”, podem ser adicionados para aumentar o pH e fazer com que as fibras na polpa inchem. As fibras são, em seguida, branqueadas com um número de outras substâncias químicas, incluindo peróxido de hidrogênio; em seguida, são misturadas com grandes quantidades de água. Esta água vai conter aditivos para modificar as propriedades do papel – por exemplo, AKD (dímero de alquilceteno) é comumente usado como um “agente de cola” para melhorar a resistência do papel à água.
Muitos outros produtos químicos também são utilizados – esta é apenas uma visão geral sobre o processo. O resultado disso é que alguns destes produtos químicos podem contribuir, através de suas reações ou não, para a liberação de compostos orgânicos voláteis (COV) para a atmosfera, os odores que podemos detectar. O mesmo é válido para os produtos químicos utilizados nas tintas, e as colas utilizadas nos livros. Um número de diferentes colas são usadas para encadernação de livros, muitas das quais são baseadas em orgânicos dos “co-polímeros” – grandes números de pequenas moléculas quimicamente interligadas.
Como dito, as diferenças de papel, adesivos e tintas utilizadas influenciam o “cheiro novo livro”, por isso nem todos os novos livros cheiram igual – talvez a razão porque nenhuma pesquisa ainda tentou definir conclusivamente o aroma.
Um aroma que tem tido muito mais pesquisas realizadas em torno dele, no entanto, é o de livros antigos. Há uma razão para isso, já que tem sido investigado como um potencial método para avaliar a condição de livros antigos, através do monitoramento das concentrações de compostos orgânicos diferentes que eles emitem. Como um resultado, nós podemos ter um pouco mais de certeza sobre alguns dos diversos compostos que contribuem para o aroma.
Geralmente, é a degradação química de compostos dentro do papel que leva à produção do “cheiro de livro antigo”. O papel contém, entre outras substâncias, celulose, e quantidades menores de lignina. Ambos são originários das árvores a partir do qual o papel é feito; papéis finos contêm menos lignina do que, por exemplo, papel de jornal. Em árvores, a lignina ajuda as fibras de celulose a se unirem, mantendo a madeira dura; também é responsável pelo processo de amarelado no papel com a idade, já que as reações de oxidação causam a decompor-se em ácidos, que, em seguida, ajudam a quebrar a celulose.
O cheiro de livro velho é derivado dessa degradação química. Documentos modernos de alta qualidade serão objetos de processamento químico para remoção da lignina, mas a quebra de celulose no papel ainda pode ocorrer (embora a um ritmo muito mais lento) devido à presença de ácidos nos arredores. Estas reações, referidas geralmente como “hidrólise ácida”, produzem uma ampla gama de compostos orgânicos voláteis, muitos dos quais podem contribuir para o cheiro de livros antigos. Um número selecionado de compostos tiveram suas contribuições identificadas: benzaldeído adiciona um aroma de amêndoas; vanilina adiciona um aroma de baunilha; etilbenzeno e tolueno comunicam cheiros doces; e 2-etilhexanol tem um contributo ligeiramente floral. Outros aldeídos e álcoois produzidos por essas reações têm baixos limiares de odor e também contribuem.
Outros compostos emitidos foram marcados como úteis para determinar a extensão da degradação de livros antigos. O furfural é um desses compostos, mostrado abaixo. Ele também pode ser usado para determinar a idade e composição de livros, com livros publicados após os meados dos anos 1800 que emitem mais furfural, e a sua emissão geralmente aumentando com o ano de publicação relativa aos livros antigos compostos por algodão ou papel de linho.
Assim, em conclusão, como acontece com muitos aromas, não podemos apontar um composto específico, ou a família de compostos, e afirmar categoricamente que ele é a causa do cheiro. No entanto, podemos identificar potenciais contribuintes, e, em particular, no caso do cheiro de livro velho, foram sugeridas uma série de compostos. Se alguém é capaz de fornecer mais informações sobre o “cheiro de livro novo” e suas origens, seria ótimo para incluir alguns detalhes mais específicos, mas eu suspeito que as grandes variações no processo de produção do livro fazem deste um pedido difícil.
No meio tempo, se você é incapaz de resistir ao cheiro de livro novo ou velho, vai gostar de saber que uma empresa tem produzido uma série de aerossóis destinados a replicá-los, embora eles já não parecem estar disponíveis para compra. Alternativamente, se você mesma quiser cheirar como um livro, parece que o aroma também está disponível em forma de perfume.
Kaciane e sua ‘cama’ de livros.
Abaixo, um conto escrito por ela
Assim que a tarde começa, Kaciane
Caroline Marques chega da escola, almoça com a família e faz o dever escolar. A
garotinha de apenas 9 nove anos, no entanto, não usa o resto do tempo para
brincar ou fazer curso, como a maioria das crianças de sua idade. Por opção
própria, ela descobriu que um mundo maravilhoso se anuncia ao fechar a porta do
quarto e escolher um bom livro para ler.
O amor pelas histórias começou há
dois anos graças ao incentivo de uma professora da Escola Lydia Sanfelice, onde
cursa o quarto ano do ensino fundamental. Sem pretensão, pegou na biblioteca
‘As aventuras de Pedro, o Coelho’, de Beatrix Potter. Foi uma espécie de pedra
fundamental para a formação da pequena grande leitora. Com encantamento,
descobriu o prazer proporcionado pela leitura.
Rapidamente, devorou as cem
páginas do título, mas não parou. Seguiu nesse ritmo. Hoje se orgulha de já ter
lido 303 livros, devidamente catalogados em um caderninho mantido com o maior
carinho. Já conhece textos de ‘Alice no país das maravilhas’ até ‘A Bela
adormecida’. Exigente, não fica só no que é indicado para sua faixa etária.
Viaja mais longe. “Não vejo só tema infantil. Gosto de aventura e terror.
Romance, não sou muito fã.” Kaciane não sente medo de conhecer enredos com
monstros medonhos, extraterrestres engraçadinhos ou seres estranhos que habitam
somente o imaginário. “Não tem problema nenhum”, conta, sem segurar o riso
sincero. Ela é desinibida, alegre e mostra vocabulário acima da média.
Fala com propriedade de autores e
estilos. A intimidade é tanta que já se arrisca a escrever os próprios contos e
crônicas, com texto sem erros de português. Mais de 30 ocupam suas gavetas. O
projeto é claro: fazer o seu livro. “Meu sonho é publicá-lo quando eu crescer
mais”, diz, sem estipular um teto para a empreitada. Já sabe o que quer fazer.
“Ser escritora e jornalista.” Com boas doses de orgulho, Adriana Cunha Marques,
37 anos, escuta a filha discorrer sobre um tema tão vasto, rico e apaixonante.
Ficou surpresa ao constatar que a caçula se interessou de verdade pelas
palavras. Mesmo sem querer, a garota já influenciou os irmãos, Kariane, 13
anos, e Karion, 14. “Eu não lia muito para ela na infância. Não sei para quem
puxou.”
Como não pode deixar de ser, a
mãe revela os segredos da filha sem parcimônia. Um deles: ninguém pode fazer
barulho quando ela começa suas leituras. Kaciane evoca o direito da defesa.
“Tem que ficar concentrada para entender a história.” A menina ampliou o hábito
para a noite, o que não atrapalha suas vontades. Tem dia que quer ver televisão
ou fazer algo diferente. Lê nas férias e em qualquer lugar. Ano passado, ficou
15 dias internada para tratar de uma pneumonia. Para passar o tempo devorou
cinco exemplares. Sua dedicação é tamanha que foi agraciada com um prêmio na
escola.
Informou a família que não quer
ganhar roupas ou brinquedos nas ocasiões especiais. Imagina o que deseja? Ela
não tem muitas obras em casa, mas nem por isso deixa de fazer o que gosta. Fez
carteirinha na Biblioteca Municipal e pega emprestado com amigos. Um belo
exemplo em um País que não tem essa cultura. Kaciane pediu para não espalhar,
mas revelou por qual motivo gosta tanto de ler. “A gente aprende muita coisa.”
E mudou de assunto.
Como fomentar a leitura
A escola, pública ou particular,
geralmente incentiva a criança a ler. Os pais, no entanto, podem e devem
participar desse processo de formação dos futuros leitores. É uma forma não só
de fomentar a prática em casa, mas também de fortalecer os vínculos. O primeiro
passo: comece a ler para seu filho. “Assim, estará preparando-o para esse
exercício futuro. A ideia é mostrar que a leitura é gostosa e prazerosa”,
afirma Ariane Massicano, coordenadora pedagógica de ensino fundamental em escola
particular de Rio Preto.
Ariane explica que a leitura pode
ser feita a qualquer tempo, independentemente da idade da criança. Mesmo sem
ser alfabetizada, ela entende à sua maneira o que é falado. “Mostre as imagens,
brinque e deixe a imaginação tomar conta. Use o livro para ensinar valores.”
Segundo Ariane, é importante comprar obras de acordo com o gosto da criança,
não dos pais. O processo será facilitado e trará melhores resultados. “Se a
rotina for corrida, tire um pouco de tempo para ler à noite. Frequente
biblioteca e livraria. Ajude seu filho a criar o hábito da leitura.”
Literatura brasileira faz sucesso nas livrarias francesas.
Assim com em outros países, a
Copa do Mundo de futebol desperta o interesse de muitos franceses pelo Brasil.
Além das reportagens quase diárias na imprensa, o país está presente nas
livrarias francesas que foram invadidas por dezenas de livros de autores brasileiros.
No entanto, a maioria das publicações não trata do futebol. Romances, diários
de viagem e livros de fotografia estão entre as opções para satisfazer a
curiosidade dos franceses sobre o Brasil e seu povo.
Com colaboração de Charlotte Derouin
O autor mais conhecido e que fez mais sucesso na França é Machado de Assis. Nesse ano, algumas reedições dos clássicos brasileiros foram lançadas, como "Vidas Secas" (Vie Aride, na tradução em francês), de Graciliano Ramos, que é a história de uma família nordestina que foge da seca.
"Uma obra muito procurada", diz Michel Chandaigne, dono da livraria Portugaise, em Paris, dedicada aos países de língua portuguesa. "É realmente uma obra-prima, que foi editada há quarenta anos. A nova tradução é muito melhor, realmente este é um livro que faz parte dos cincos grandes livros brasileiros”, avalia.
Os livros de Edney Silvestre, "Se fecho os olhos" (Si je ferme les yeux, na tradução em francês) e "A felicidade é fácil" (Le bonheur est facile, na tradução em francês), foram as grandes surpresas deste início do ano, afirma Michel Chandaigne: “há um grande interesse pelos romances policiais. Mas não só por este gênero, mas também por romances políticos e psicológicos. É uma novidade na França porque Edney Silvestre nunca foi traduzido. São dois livros que eu acho muito interessante de descobrir”.
Copa do mundo
Com a proximidade da Copa, os livros sobre o futebol se multiplicaram, confirma Chandaigne. Ele cita o exemplo de "Le football au Brésil" (O futebol no Brasil, em português), uma antologia sobre o esporte da editora Ana Caona, que já fez muitos livros sobre a literatura marginal. "É um pequeno livro muito interessante com textos de grandes autores. São 11 histórias de uma paixão, uma obra muito bem feita”, garante.
A menos de um mês do jogo de abertura, a livraria L’Écailler organizou uma noite especial “Copa do Mundo”, que reuniu vários autores de livros que abordam a temática do futebol. Entre eles está uma biografia não autorizada do craque português Cristiano Ronaldo, dos jornalistas Antoine Grynbaum e Marco Martins.
Em "Cristiano Ronaldo, Gloire, Orgueil et Préjugé" (Cristiano Ronaldo, Glória, Orgulho e Preconceito, em tradução livre), Martins e Grynbaum apresentam um retrato do jogador que é o atual Bola de Ouro da Fifa, através de testemunhos dos familiares.
Outro jornalista, Pierre-Etienne Minonzio, se interessou pelas relações entre música e futebol e lançou "Petit Manuel Musical du Football" (Pequeno Manual Musical do Futebol, em tradução livre). O autor faz referência a diversas canções que falam do esporte mais popular do planeta, entre elas a música “Meio de Campo” de Gilberto Gil, que é uma homenagem ao jogador Afonsinho.
Apaixonados pelo Brasil
Uma série de livros escritos por autores apaixonados pelo Brasil estão fazendo sucesso, conta Michel Chandaigne. Entre eles o livro do escritor Patrick Straumann, "La Meilleure Part, Voyage au Brésil" (A melhor Parte, Viagem ao Brasil, em tradução livre), que é uma viajem literária por várias regiões do país e o "Pepites Brésiliennes" (Pepitas brasileiras, em tradução livre) de Jean-Yves Loude, um etnólogo que viajou por todos os países lusófonos. Depois de escrever sobre Cabo Verde e Lisboa, o especialista fez uma travessia do Brasil e relata seus vários encontros com personalidades famosas e anônimas. "É um livro de grande qualidade”, estima Chandaigne.
Demanda crescente
A demanda de livros sobre o Brasil cresceu na França nos últimos anos, um aumento atribuído também ao desenvolvimento econômico do país. Muitos franceses estão indo para o Brasil para viajar a turismo ou para trabalhar. O fenômeno é observado por Chandaigne: “cada vez mais os franceses querem conhecer o Brasil através dos guias de viagens , mas também através da literatura”.
Os editores estão se preparando para o ano que vem. Em 2015, o Brasil vai ser o país homenageado do Salão do Livro de Paris, um dos maiores eventos literários do mundo.
Quando criança, eu não tinha o hábito de frequentar bibliotecas. Até porque elas não existiam no meu bairro, ou nas redondezas onde eu morava. Mas eu amava ler! Adorava bancas de jornal e livrarias, que eram os lugares onde eu encontrava livros e revistas e podia saciar minha sede de leitura. Depois descobri a biblioteca da escola e passava alguns recreios lá dentro, já que não podia levar os livros pra casa. Lembro de uma excursão da escola à Biblioteca Pública Municipal do Rio de Janeiro, que era muito longe da minha casa. Só me restava comprar os livros mesmo. Passeios a livrarias eram – e ainda são – os meus favoritos!
Foi só depois que me mudei para o Canadá que passei a frequentar bibliotecas públicas e me apaixonei. Tantos livros, tantos recursos disponíveis gratuitamente para o público! Sou frequentadora assídua e sempre trago pra casa mais livros do que posso ler dentro do prazo de entrega.
Como expatriada, comecei a questionar sobre os hábitos de leitura dos brasileiros, em especial sobre o uso de bibliotecas públicas. Depois de muita pesquisa, vi que há sim várias bibliotecas públicas em todo o Brasil. Sim, são escassas, e talvez o acervo não seja o dos mais atraentes ou relevantes, mas o recurso está lá. A pergunta então era: será que o povo usa?
No ano passado, em março, fui ao Rio de Janeiro visitar a família e fiz questão de conhecer uma biblioteca pública. Era quinta-feira. Fui no , no centro da cidade, onde tem uma biblioteca no quinto andar. Fiquei maravilhada com o espaço! Tudo tão novo, tão arrumado! Tão diferente da minha biblioteca universitária na Escola de Comunicação da Praia Vermelha.
Tive que deixar bolsas na entrada, mostrar identidade e tudo. Sinceramente? Achei que isso já era a primeira barreira para o uso da biblioteca. Entendo a questão da segurança, mas devia haver outra forma de evitar roubo sem ter que obrigar os usuários a deixar seus pertences na porta. (Não preciso nem dizer que isso não existe aqui no Canadá, né? Com exceção de bibliotecas de coleções especiais e materiais raros, claro).
Fiquei encantada com a biblioteca infantil! Adorei a parede com lombadas de livros, coisa mais linda! Entrei no espaço infantil e encontrei apenas uma mãe com um menino de uns 7 anos talvez. O menino pedia pra mãe ler pra ele. A mãe estava ocupada no seu celular, sem dar atenção ao menino, ignorando o seu pedido. Aquilo me cortou o coração! Uma criança estava ali, sedenta pela leitura, e justamente a pessoa que deveria mais incentivá-lo estava desperdiçando esta oportunidade. Então foi na biblioteca pra quê, alguém pode me explicar?
Saí de lá e fui ver as outras estantes, com material de pesquisa. Adorei ver o catálogo de fichas, coisa que não vejo mais por aqui, que só consultamos o acervo digitalmente. Vi algumas pessoas estudando em salas de leitura, mas a biblioteca estava bem vazia. Não contei mais de 20 pessoas por lá.
Bem, numa quinta-feira, de manhã, no centro da cidade, como é que eu poderia esperar uma biblioteca cheia, não é mesmo?
Depois do almoço, no mesmo dia, na mesma quinta-feira, eu passei pela porta da , na rua Senador Dantas, também no centro da cidade.
A livraria estava LOTADA!
Na parte infantil tinham algumas famílias com crianças de várias idades, passando pelas estantes e escolhendo livros. Outras sentavam no chão com seus filhos no colo e folheavam livros juntos. Em todos os andares, muita gente. Os caixas, com fila.
E a pergunta: se tem um lugar onde as pessoas podem ter acesso a livros sem pagar um tostão, por que é que preferem gastar dinheiro com os livros em vez de pegar emprestado nas bibliotecas públicas?
Posso imaginar algumas respostas:
1) O acervo das bibliotecas públicas não é adequado e não atende à necessidade do público
Eu sinceramente não tenho ideia de como é feito o gerenciamento do acervo de bibliotecas públicas no Brasil. Elas compram materiais publicados recentemente? Você pode encontrar os best sellers por exemplo? Pelo que vi na biblioteca do CCBB, pelo menos na parte infantil, o acervo não era muito grande. Vi alguns títulos novos, mas a maioria não era. O estado físico das obras também era ruim, com aspecto velho, folhas amareladas, lombadas machucadas. O leitor tem prazer em ler um livro em bom estado. Se o leitor quer ler Nicholas Sparks e não encontra na biblioteca, claro que tem que comprar na livraria (não procurei por este autor naquela biblioteca, então é só um exemplo mesmo).
2) O público não tem conhecimento das bibliotecas públicas
Voltemos ao início do texto, lá quando eu era criança e não tinha a mínima ideia de que poderia existir um espaço de livre acesso aos livros. Biblioteca pra mim era algo que existia na escola e em lugares bem longe da minha casa. Biblioteca pra mim era um lugar onde não se podia falar alto. Biblioteca pra mim era um lugar onde encontrávamos livros velhos, muito antigos, empoeirados e com cheiro de mofo. A minha geração, que teve a mesma experiência que eu tive, provavelmente não vai pensar na biblioteca como opção cultural para levar seus filhos. Esses vão associar livros à livrarias imediatamente.
3) O acesso a bibliotecas é dificultoso
Essa e a última questão estão ligadas. É a questão da escassez. Provavelmente há mais livrarias do que bibliotecas públicas em cidades grandes do Brasil.
Acredito que o acervo deficiente seja uma das principais razões pelas quais o brasileiro prefere comprar o livro do que pegar emprestado. Porque talvez o livro que ele queira ler não esteja na biblioteca. Ou se está, o acesso não é facilitado ou o livro não está em condições boas de uso. Posso estar totalmente enganada, afinal estou longe e não tenho como avaliar essa questão de perto.
Sei que minha amostragem é muito pequena. Eu só visitei uma biblioteca pública. Mas no meu círculo de amizades vejo que essa hipótese não é tão absurda assim. Pouquíssimas pessoas que eu conheço no Brasil, em várias cidades até, têm o hábito de frequentar bibliotecas. Muito mais gente compra livros em livrarias, das pessoas com que me relaciono.
Mas vocês aí, me digam, por que o povo prefere livrarias a bibliotecas? E como podemos inverter essa situação no nosso papel de bibliotecários?