20 sinais de vício em livros

Uma dica para você que se identificar com a maioria dos sintomas deste texto: o primeiro passo é assumir o vício. O segundo é continuar alimentando-o.
 
1)      Quando você era pequeno, os livros já eram seus melhores amigos.
 
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2)      Quando você está lendo um bom livro, você esquece de comer ou dormir.
 
 
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3)      Seus altos e baixos são completamente influenciados pelo livro que você está lendo.
 
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Algum personagem de livro está com problemas?
 
 
4)      O principal documento da sua carteira é o cartão da biblioteca.
 
 
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Felicidade é ter seu próprio cartão da biblioteca.
 
 
5)      Uma biblioteca enorme é tudo o que você pensa quando imagina sua “casa dos sonhos”.
 
 
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6)      Passar em frente a uma livraria é uma tortura: você é incapaz de não entrar e não comprar nada.
 
 
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7)      Quando você tem uma ideia ou projeto, o primeiro passo sempre é ler livros e mais livros sobre o assunto. Você acredita que um livro pode te ensinar tudo que você precisa.
 
 
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8)      Quando alguém te pede conselhos, você indica livros.
 
 
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Eu falo pra eles, “Leiam Dostoiévski. Ele trata de todas as suas preocupações.”
 
 
9)      Quando você sai de férias, leva uma mala só de livros.
 
 
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10)   Honestamente? Você não sabe o que as pessoas fazem na praia sem um livro.
 
 
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11)   A estante de livros no seu quarto parece um jogo de equilíbrio.
 
 
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12)   O mais sexy que uma pessoa pode ser é quando está segurando um bom livro. E quanto maior o livro, melhor!
 
 
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13)   Quando alguém começa a ler um livro que você recomendou, sua fé na humanidade é completamente restaurada.
 
 
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 Eu acho que livros têm um maravilhoso poder de unir as pessoas.
 
 
14)   O livro é sempre, sempre, sempre melhor.
 
 
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15)   Um dos seus maiores prazeres na vida é cheirar livros antigos.
 
 
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16)    Violência com livros deixa você muito bravo.
 
 
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17)   É claro que você malha! Você sabe como a leitura pode ser exaustiva, e até mesmo dolorosa algumas vezes.
 
 
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18)   Quando você dorme, é sempre com um livro nas mãos.
 
 
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19)   Terminar um livro que você adorou é como perder o melhor amigo.
 
 
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Nunca estive pronta para a sua partida.
 
 
20)   Quando você está entre um livro e outro, se sente perdido. Até o momento em que abre um novo.
 
 
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Aparelho criado para deficientes visuais é capaz de ler livros em voz alta


O dispositivo possui o formato de anel e consegue visualizar as letras e dizer palavras enquanto você arrasta seu dedo sobre as páginas


As pessoas que possuem algum tipo de deficiência visual poderão encontrar em um futuro não tão distante um equipamento capaz de permitir a leitura de livros sem braile.

Desenvolvido pelo Fluid Interfaces Group, no laboratório do MIT, o FingerReader pode ser classificado como um tipo de anel capaz de ler e repetir através de um áudio as palavras de um livro qualquer. Certamente, um grande avanço quando comparado ao sistema braile, popularmente utilizado entre pessoas com deficiência visual.

Uma pequena câmera acoplada na superfície do anel lê as folhas de um livro (ou mesmo de um tablet) e as narra sequencialmente em voz alta para o usuário. Com a ajuda do dedo indicador, o equipamento consegue identificar as linhas e ajuda a pessoa a não se perder em meio às informações do texto. Caso o usuário ultrapasse as linhas ou invada espaços desnecessários, o anel vibrará de leve para que ele volte ao posicionamento anterior.

A vibração também ocorre quando o fim das linhas está próximo, para que as pessoas já se preparem para colocar o dedo na linha de baixo. Pelo vídeo, é permitido ver como o sistema lê e repete as palavras, já observando as próximas letras para criar uma continuidade na leitura. 

O aparelho está em fases de testes, porém já é possível perceber como será tal equipamento quando estiver finalizado. Possivelmente, compatibilidade com fones de ouvido e outros idiomas serão implementados no futuro.





Por que as bibliotecas estão ressurgindo das cinzas

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Os políticos já perceberam que é melhor para eles gastar dinheiro com bibliotecas, em vez de museus e galerias de arte.

Adoradores das biblioteca, entre os quais eu me incluo, não precisam estar muito cheios de tristeza e melancolia. Enquanto cortes e fechamentos estão afetando os serviços das bibliotecas, também é verdade que a última década assistiu a uma reinvenção da biblioteca pública no Reino Unido e em todo o mundo. A Biblioteca de Birmingham reabriu a um custo de 186 milhões de libras, tornando-se a maior biblioteca pública na Europa. Ela espera atrair 10 mil visitantes por dia. A magnífica biblioteca Mitchell de Glasgow, que anteriormente detinha o recorde como a maior biblioteca de referência pública na Europa, foi recentemente remodelada para um enorme efeito. Desde 2000, novos edifícios de bibliotecas abriram em Bournemouth, Brighton, Canada Water, Cardiff, Clapham, Dagenham, Glasgow, Liverpool, Newcastle, Norwich, Peckham, Whitechapel e em outros lugares, todas registrando números altíssimos de usuários.

Por que as bibliotecas estão de volta à agenda urbana? Um número crescente de pessoas está agora envolvido em alguma forma de educação continuada ou ensino superior, e precisam de espaço de estudo e acesso à internet, o que muitos não conseguem encontrar em casa. A ascensão de moradores que vivem sozinhos nos centros urbanos – em algumas capitais europeias se aproxima a 50 % dos domicílios – significa que as bibliotecas cada vez mais atuam como um ponto de encontro ou uma casa fora de casa, como servem para migrantes, refugiados e até mesmo turistas. A ideia da biblioteca como “a sala de estar da cidade” foi promulgada pela primeira vez nos projetos de bibliotecas escandinavas da década 1970, com os arquitetos respondendo aos desejos dos usuários para permanecerem mais tempo no ambiente, tomar um café e desfrutar de sessões de contação de histórias, concertos à hora do almoço ou participar de leituras de livros em grupos. Visitando a biblioteca Örnsköldsvik no norte da Suécia, perto do Círculo Polar Ártico, notei que os usuários trouxeram seus chinelos e um almoço embalado. Esta nova compreensão do espaço da biblioteca é formalizada, por exemplo, na biblioteca Rem Koolhaas de Seattle, onde três dos cinco andares são designados como Sala de Leitura, Sala de Estar e Câmara de Mistura.

O entusiasmo mundial revivido para bibliotecas – do qual Seattle é talvez a mais ambiciosa – teve origem na América do Norte na década de 1990. Tendo supervisionado o fracasso financeiro de museus e galerias icônicas – construídos ostensivamente para colocar as cidades no mapa – os políticos perceberam que recebiam mais atenção quando gastavam o dinheiro em uma biblioteca estado-da-arte. Quando a biblioteca de Nashville foi inaugurada em 2001, inscrita em cima da porta estava a máxima: “Uma cidade com uma grande biblioteca é uma grande cidade.” O historiador Shannon Mattern recentemente dedicou um livro inteiro a representar a ascensão para a proeminência da nova biblioteca urbana na vida cívica americana.

Na Europa, houve um desencanto semelhante com o “Efeito Bilbao”, em homenagem ao sucesso singular do projeto de Frank Gehry para um museu e galeria de arte na cidade. Por um tempo, muitos planejadores acreditavam que somente edifícios de museu icônicos projetados por arquitetos-celebridade poderiam resgatar cidades fracassadas do esquecimento. O amargo livro de Deyan Sudjic “O Complexo de edifícios” discrimina a retórica exagerada e custos crescentes de muitos desses projetos aspirantes ao redor do mundo, juntamente com a sua morte precoce. Na Grã-Bretanha, a mais grandiosa delas, o Millennium Dome, absorveu quase um bilhão de libras de dinheiro público – destinados a fornecer uma vitrine permanente para a ciência e as artes – apenas para ser rapidamente alugado como um local para eventos corporativos e pop. O Parque Olímpico e suas instalações pode muito bem seguir o mesmo caminho.

É quase impossível para as bibliotecas públicas falhar desta maneira. Elas são livres para usar, e, depois de um século e meio de experiência, se entremeou no tecido da vida cotidiana. Em algumas cidades britânicas, quase metade da população possui um cartão de biblioteca, mesmo que ele seja usado com pouca frequência. Nós fazemos piadas sobre os bibliotecários tímidos escondidos atrás das pilhas de livros ou na sala de estoque, mas as pessoas confiam neles como confiam em poucos outros. Os bibliotecários podem agonizar sobre questões de gosto, decência e da adequação dos materiais que estocam, em comparação com a neutralidade moral do mercado comercial, mas nós os admiramos por isso. Mais importante ainda, as bibliotecas são vistas como pertencentes a todos por direito, comparadas à teatros com financiamento público, galerias de arte, museus ou salas de concerto.

A adaptabilidade da biblioteca para responder às novas demandas se reflete no design contemporâneo. O balcão de informações da biblioteca em grande parte desapareceu. Máquinas de auto-atendimento liberam funcionários para passar mais tempo com os usuários da biblioteca, organizar sessões de contação de histórias, de autógrafos e círculos de leitura (havia mais de 100.000 membros de grupos de leitura em bibliotecas na Inglaterra e País de Gales na última contagem). Foyers tendem a ser abertos com poltronas para leitura, e serviços de empréstimo e de referência estão agora misturados. Nem todo mundo usa a internet para pesquisar um ensaio de alto nível de Shakespeare ou acompanhar os eventos na Síria. Outros estarão à procura de um emprego ou verificando sites de namoro, ou podem ter caído no sono em uma réplica da cadeira ovo brilhante de Arne Jacobsen sobre uma cópia do Jornal dos Sports. E daí? Todos os tipos de pessoas descobrem um senso de santuário nas bibliotecas, que não encontram em nenhum outro lugar da cidade. A biblioteca pública é o símbolo supremo da “grande sociedade”.

“Os três documentos mais importantes que uma sociedade livre dá”, o romancista americano EL Doctorow escreveu uma vez, “é uma certidão de nascimento, passaporte e um cartão de biblioteca”. Os jovens estão muito em evidência nas novas bibliotecas – uma mudança cultural inesperada e bem vinda – sem dúvida, atraídos por uma arquitetura arejada brilhante que reflete a cultura do design vivo que eles assimilam em suas vidas. Eles também parecem à vontade em um lugar que os trata com um respeito não concedido em outros locais na vida pública.

Nem todo mundo aprova o novo ethos da biblioteca, resumido como sendo “da coleção para a conexão”. Alguns permanecem horrorizados com o avanço da revolução tecnológica, que não só está a remodelar o mundo, mas reconfigurando a biblioteca pública junto com ela. Se os pioneiros da biblioteca do século 19 reconheceriam estes edifícios do século 21 pode ser questionável – mas uma vez lá dentro eles se sentem em casa. Ainda hoje, o mundo dentro da biblioteca mudou menos do que o mundo lá fora.



As novas funções dos bibliotecários na era digital

Não dá pra concordar com tudo do infográfico porque a realidade é americana, mas a parte sobre as novas funções dos bibliotecários chama atenção. Embora sejam apenas novas nomenclaturas para velhos cargos, traduzem bem o modo como o trabalho vem sendo desenvolvido nos últimos anos, pelo menos nas bibliotecas universitárias brasileiras. Ainda não é uma realidade local plena, mas certamente é tendência. E serve como boa atualização na resposta para a clássica pergunta, “afinal, o que faz um bibliotecário?”





Fonte: http://bit.ly/1lAUdhu

Bibliotecas conquistam o cidadão em BH e oferecem mais que livros

Como ambiente para estudo e centros irradiadores de cultura, esses lugares funcionam em diversos pontos da capital mineira.

Elione Cavalcante e Ana Paula de Paula são frequentadoras assíduas da biblioteca do Centro de Cultura Lindeia Regina


Discretas, elas são encontradas em toda a capital. De tão presentes na vida cotidiana de BH, as bibliotecas correm o risco de passar despercebidas. Mas o público comparece: algumas delas são campeãs de visitação. Este ano, nada menos de 28 mil leitores têm procurado, mensalmente, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade. A maioria é estudante, tem de 17 a 30 anos e ensino médio completo. As mulheres predominam.

Calcula-se que uma centena de endereços de instituições públicas e privadas, com os mais diversos perfis, receba leitores em BH. De acordo com especialistas, o fato se deve ao bom trabalho desenvolvido em silêncio, há décadas. “Os números são expressivos, mas precisamos ampliá-los. O ideal é termos uma biblioteca em cada bairro”, afirma Marina Nogueira Ferraz, diretora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais de Minas Gerais. “Leitura é um direito do cidadão. Quem domina o mundo letrado tem mais facilidade de se inserir no mundo”, observa.

Fenômeno pouco percebido, houve multiplicação e descentralização das universidades em BH e várias regiões da capital ganharam bibliotecas importantes. A UFMG mantém em caráter experimental duas unidades que funcionam 24 horas por dia nas faculdades de Ciências Econômicas e de Letras, ambas no câmpus da Pampulha.

“Quem chega a uma biblioteca universitária tem contato com um ambiente que pode mudar os rumos de sua vida”, afirma Wellington Marçal de Carvalho, diretor do Sistema de Bibliotecas da UFMG. Para ele, biblioteca de verdade deve ter instalações, mobiliário e acervos adequados, além de pessoal qualificado. “Não pode ser um amontado de livros e a placa dizendo que é biblioteca”, adverte.

Waney Alves Reis coordena a biblioteca do Centro Cultural Salgado Filho, na Região Oeste de Belo Horizonte. “Oferecemos o que as pessoas demandam. Quer livro emprestado? Precisa fazer pesquisa? Quer conhecer literatura? Pode vir. Meu público não sai sem resposta”, garante Waney, que cadastra de 14 a15 novos leitores por mês, sobretudo de 8 a 16 anos. “É o nosso forte”, conta ela, ressaltando a clientela acima dos 40 anos, com presença expressiva de aposentados.

Waney detectou uma novidade: adultos podem até não ser leitores, mas incentivam os mais novos a ler. “Isso é muito positivo. Vivemos um momento difícil, marcado pelo consumo de drogas e violência. A literatura traz algo mais para a vida, é alívio para dia a dia complicado”, analisa.

Marly Diniz busca seus livros no centro cultural do Bairro Salgado Filho


Marly Eustáquio Diniz, de 63 anos, mora no Salgado Filho. Ao fazer ioga no centro cultural do bairro, ela descobriu a biblioteca e mergulhou na literatura brasileira. “Gosto de pegar romances para me distrair, de ler livros que me deixam alegre e feliz”, conta. Ela adorou 'Memórias de um fusca', de Origenes Lessa, e ficou impressionada com 'Memórias póstumas de Brás Cubas', de Machado de Assis. Marly mantém o hábito de ler histórias para a neta. “É importante ir colocando na cabecinha dela que leitura é importante, inclusive para o desenvolvimento escolar”, explica.

“Minha vida atual é correr e estudar”, brinca o aposentado José Adão Pereira Lopes, de 75, sentado numa das mesas do anexo da Biblioteca Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade. Depois do curso de filosofia, ele está às voltas com as aulas de francês. “Aqui, o material de consulta é amplo e mais confiável que a internet”, garante. Rafael Peduti, de 17, estuda matemática na mesa em frente à de Lopes. “Este local é lugar apropriado para estudar, até melhor do que em casa. É só você e o livro, não tem distração, barulho”, elogia o rapaz, às voltas com exames para o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

Príncipe

A mineira Ana Paula de Paula, de 36, e a maranhense Elione Cavalcante, de 44, conheceram-se ao levar os filhos a oficinas no Centro de Cultura Lindeia Regina, na Região do Barreiro. Ambas se cadastraram na biblioteca. “Até gosto de ler, mas só aqui comecei a pegar livros”, conta Ana, que adorou O pequeno príncipe, do francês Saint-Exupéry.

Elione passava de ônibus diante do centro cultural quando viu cartazes anunciando a biblioteca. “Vim porque gosto de ler e não tenho como comprar livro. Leitura é viagem sem sair do lugar, você vai a outros mundos”, explica. Além disso, trata-se de “diversão sem gasto”. Elione pegou emprestados De primeira-dama a prostituta, de Adelaide Carraro, e um livro de Stephen King que virou filme. Depois de ensaiar escrever um romance, a maranhense agora se dedica à poesia.

Oferta descentralizada

Belo Horizonte conta com 23 bibliotecas públicas. É a segunda cidade brasileira com mais equipamentos públicos dessa natureza. São Paulo tem 132.

Há 15 unidades em centros culturais da capital mineira e em três regionais da prefeitura, além da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (na antiga Fafich, no Bairro Santo Antônio) e a unidade que funciona no Centro de Referência da Moda (na esquina de Avenida Augusto de Lima com Rua da Bahia, no Centro). Aos domingos, funciona um Ponto de Leitura no Parque Municipal.

A Fundação Municipal de Cultura calcula que anualmente os equipamentos ligados à prefeitura atendem 160 mil pessoas, emprestam cerca de 40 mil livros e promovem cerca de 800 atividades, entre oficinas, rodas e clubes de leitura e palestras de escritores. O acervo conta com 160 mil volumes.

Em BH, o cidadão conta com bibliotecas no Espaço Cento e Quatro, Museu de Arte da Pampulha, Museu Histórico Abílio Barreto, Arquivo da Cidade de Belo Horizonte, Associação Brasileira dos Judeus Descendentes da Inquisição, Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), Sesc MG e a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, além de unidades ligadas às universidades UFMG, Izabela Hendrix, Newton Paiva, Fead, UNA, UFMG, Fumec, Uemg, PUC Minas, UniBH e Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia.

LEITURA DINÂMICA

97%
dos 5,4 mil municípios brasileiros têm biblioteca pública.

61%
dos usuários no Sudeste procuram bibliotecas para pesquisas escolares.

835
dos 853 municípios mineiros contam com biblioteca pública, de acordo com o IBGE.

2,12
bibliotecas por 100 mil habitantes na Região Sudeste.

4,14
bibliotecas por 100 mil habitantes em MG, o terceiro estado no ranking nacional.


"Os livros são uma janela para o mundo"

Márcio Roberto Sousa Pereira, 31, é professor da escola da comunidade Tracajatuba, em Macapá (AP), onde ajudou a erguer a sede da biblioteca Vaga Lume. O educador conta que cada morador colaborou como podia na construção - com uma telha, alguns tijolos ou a própria força de trabalho.

As histórias dos livros também vão à casa dos moradores. Os mediadores de leitura escolhem um local, espalham em esteiras o acervo literário e leem para criança, adulto e idoso. Nesses encontros, netos leem para seus avós.

"Os livros são uma janela para o mundo", diz o mediador da Vaga Lume, associação criada pela finalista do Prêmio Empreendedor Social 2013 Sylvia Guimarães que, por meio da leitura, da escrita e da oralidade, faz intercâmbios culturais e apoia a autogestão de bibliotecas comunitárias, que promovem o protagonismo de comunidades rurais da Amazônia.

Márcio Roberto Sousa Pereira é professor da escola da comunidade Tracajatuba, em Macapá (AP)
Márcio Roberto Sousa Pereira é professor da escola da comunidade Tracajatuba, em Macapá (AP)

Leia seu depoimento:

”Quando o projeto veio para a comunidade, por volta de 2009, nosso deficit de leitura era grande. E a quantidade de livros na escola era pequena. O acervo que veio da Vaga Lume, na primeira vez, já chamava a atenção. As crianças gostaram demais e vieram para a biblioteca.

No começo, a biblioteca funcionava na escola. Depois, foi para a casa de uma moradora, da Jucirana, mas [o local] era aberto, não tinha telhado, e, na época da chuva, não dava para fazer as mediações de leitura. Fomos para a sede comunitária, que era usada para reuniões e não era adequada também.

Em 2011, conseguimos R$ 500 para fazer uma biblioteca na comunidade. Só que o dinheiro não era suficiente. Então, convidamos todo mundo para construir a biblioteca. Várias pessoas colaboraram: tinha gente que doava pedra para fazer a fundação; outros, areia e tinta. Teve até gente que doou duas telhas.

Quando a gente estava construindo, as pessoas passavam e perguntavam: 'O que é isso? Quem está pagando?'. Eu explicava que é a biblioteca da comunidade e que todo mundo estava contribuindo, podia ser até com uma pedrinha. Teve quem pregasse duas ou três tábuas.

No primeiro mês que abrimos, tivemos mil empréstimos de livros. À tarde, por volta das 16h, fica uma sombra imensa aqui na porta. A gente estica as esteiras, espalha os livros e as crianças vêm ler.

A gente também leva os livros para outras comunidades, faz mediações de leitura. A maior parte dos idosos é analfabeta, e as crianças leem para eles.

O mais bonito é ver as pessoas chorando. A gente chora junto. Eles mandam todo dia o filho para a escola. Mas, quando o filho chega em casa e está lendo um livro assim, é difícil segurar, é muito emocionante.


Os livros são uma janela para o mundo. Aqui eles enxergam o mundo."

Consultório de Biblioterapia Biblioteca ESPM SP

https://picasaweb.google.com/110935915722493096098/Biblioterapia?authuser=0&feat=directlink


Nos dias 6,7 e 8 de novembro de 2013, a Biblioteca ESPM SP teve sua primeira participação na SIPAT - Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho.
Com intuito de disseminar o acervo da biblioteca de uma forma terapêutica e divertida, os “Doutores da Leitura” atendiam seus pacientes perguntando, o que estavam sentindo e no que poderiam ajudar, oferecendo assim livros, filmes e jogos como forma de tratamento.

Com a leitura terapêutica o leitor é capaz de expressar seus sentimentos e ideias, possibilitando uma percepção mais aguçada de sua situação de vida. A partir daí desenvolve-se uma forma de pensar criativa e crítica. Ler também diminui o sentimento de solidão e estimula a empatia com outras pessoas. A Biblioteca ESPM SP trouxe a terapia do diálogo mediado pelo livro, ajudando os pacientes  a criarem novas formas de ver o seu mundo interno e perceber as diversas formas de se revolver determinados problemas. A leitura ajuda a desenvolver a capacidade de reflexão e imaginação.
 
No último dia de atendimento no consultório de biblioterapia, foram sorteados 26 livros para quem participou da terapia, como forma de incentivar uma boa leitura.
A Biblioteca agradece a oportunidade de participar desse evento tão importante para a escola, colaborando com o bem estar dos funcionários.

Para saber mais sobre biblioterapia confira o texto elaborado por Lucélia Elizabeth Paiva a partir de sua tese de Doutorado: A arte de falar da morte: a literatura infantil como recurso para ser abordado com crianças e educadores



Biblioteca online Nuvem de Livros conquista 1 milhão de usuários

A falta de espaço nas residências e em 65% das escolas públicas e privadas do Brasil dificulta a implementação de uma biblioteca física, mas isso não é uma barreira para a disseminação do conhecimento, segundo o empresário Jonas Suassuna, criador da biblioteca online Nuvem de Livros, que disponibiliza mais de 10 mil conteúdos para computadores, tablets e celulares dos cerca de 1 milhão de assinantes.

Jonas Suassuna, presidente do Grupo Gol, produtor e distribuidor de conteúdos multimídia de entretenimento e educação, sabe que sua paixão pela literatura está no sangue.

Ele é sobrinho do escritor paraibano Ariano Suassuna e foi o responsável pela criação da Nuvem de Livros (http://www.nuvemdelivros.com.br/), uma biblioteca online multiplataforma, feita em parceria com a companhia telefônica Vivo, que disponibiliza os arquivos educacionais sem a necessidade de download.

A ideia do projeto, que nasceu há sete anos e foi implantado há dois, veio do "inconformismo" do empresário com a falta de acesso aos livros em escolas públicas, principalmente de regiões remotas do Brasil.

"O governo brasileiro assinou uma lei que diz que, até 2020, todas as escolas brasileiras, públicas e privadas, devem ter uma biblioteca com pelo menos um livro por aluno (Lei da Biblioteca Escolar). Quem conhece a realidade da escola pública brasileira sabe que isso vai ser muito difícil", disse Jonas à Agência Efe. Segundo ele, há, hoje, no país um deficit que impacta cerca de 15 milhões de crianças e jovens.

Levando em conta a improbabilidade de que o país construa milhares de bibliotecas em menos de 10 anos, o empresário buscou, determinantemente, outra solução viável.

Segundo dados fornecidos pela empresa, "o Brasil é a quinta maior plataforma de telefonia celular do mundo. O 3º maior mercado mundial de desktops. Hoje, 60% dos acessos de internet na América Latina são feitos aqui. Se é difícil fazer bibliotecas físicas, existe a possibilidade real de fazer uma digital".

O acervo da Nuvem de Livros apresenta material didático, livros selecionados por uma curadoria sob o comando do respeitado autor Antônio Torres, audiolivros, vídeos e teleaulas (em parceria com a Fundação Roberto Marinho), notícias produzidas em vários países pela Agencia Efe que compõem os mais de 10 mil conteúdos que estão disponíveis na internet, em tablets e celulares, e disponibiliza conteúdos de ensino profissionalizante e games educacionais.

Os usuários da biblioteca online Nuvem de Livros podem fazer a busca nos livros por capítulo ou por termo, marcar as páginas e estudar mapas interativos, enquanto os professores podem propor conteúdos, selecionar suas leituras e controlar o que os alunos estão pesquisando em ambientes de convergência criados com esta finalidade.

Segundo a empresa, o plano era criar uma plataforma de conteúdos protegidos contra a pirataria que pudessem atender a demanda de cerca de 15 milhões de alunos de escolas que não possuem biblioteca e de 3 milhões de universitários de cursos à distância que também não tem onde fazer suas pesquisas, além de famílias que não contam com espaço para estantes de livros em casa e de indivíduos que queiram acessar conteúdos literários de qualidade produzidos pelas 150 mais importantes e respeitadas editoras do mercado brasileiro e mundial.

"Na biblioteca virtual, você pode conferir a qualidade da informação que seus filhos estão buscando. Hoje, em um site de busca, não há segurança alguma sobre a confiabilidade do conteúdo, pois você encontra de tudo ali. A Nuvem de Livros traz qualidade, pluralidade, segurança e bom preço", explicou Jonas.

A assinatura escolar custa cerca de R$ 2,00 mensais por aluno, e os clientes particulares pagam cerca de R$ 8 por mês para ter acesso ilimitado aos conteúdos, em quaisquer plataformas.
"Acho que o grande charme da Nuvem, além do acervo, é a portabilidade. Você poder ler um livro ou assistir a uma aula em qualquer lugar, é uma forma interessante de ter acesso a um conhecimento seguro", disse Jonas.

A Nuvem de Livros conta com mais de 150 profissionais espalhados pelo mundo, entre professores, pedagogos, bibliotecários e curadores de conteúdos. Em paralelo, mantém equipe de 80 professores que se responsabilizam, nos ambientes escolares, pela capacitação e motivação dos educadores, engajando-os no processo de modo a permitir que a Nuvem de Livros seja utilizada, eficientemente, como ferramenta pedagógica em salas de aula.

"Não dava para um profissional da área de tecnologia explicar o funcionamento da biblioteca para um professor. Os discursos são diferentes, distintos, a terminologia é outra", afirmou o empresário.

Para Jonas, um dos principais desafios da equipe foi convencer as editoras a embarcar no projeto. A preocupação era com a disponibilização de conteúdo e a garantia de que não há possibilidade de pirataria.

"Não é um tipo de gente retrógrada. Ao contrário, são indivíduos com visão contemporânea, atualizados e sensíveis. Mas é um mercado que está vendo o seu negócio mudar. Nenhum editor de livro é dono de fábrica de papel. Eles são experts em garimpar e produzir conteúdo de qualidade", afirmou.

"Nossa obrigação é organizar essa massa de conteúdo do ponto de vista literário e pedagógico de forma pertinente e, principalmente, disponibilizar uma ferramenta tecnológica que permita a interação com a biblioteca da forma mais simples possível, participativa, atrativa e por um preço convidativo", explicou o criador do projeto.

A Nuvem de Livros já está presente também na Argentina e deve começar a operar em outros países da América Latina e na Espanha a partir de setembro.





Fonte: Terra 

Maior biblioteca pública da Europa tem 10 andares, jardim suspenso e wi-fi

Melissa Becker
Do UOL, em Birmingham (Inglaterra)


Esqueça a imagem de livros de páginas amareladas, acumulados em prateleiras poeirentas. Combinando arquitetura, inovações e raridades shakespearianas, a maior biblioteca pública da Europa em número de visitantes redefine o conceito de local de conhecimento.

Localizada a cerca de 2 horas de Londres, a nova biblioteca de Birmingham deve atrair 3,5 milhões de frequentadores por ano, de acordo com as expectativas da organização. Com wi-fi gratuito em seus 10 andares e jardins suspensos, o prédio faz parte do plano de renovação da segunda maior cidade inglesa, mas já serve como referência a outras grandes bibliotecas no velho continente.

O UOL visitou o local, inaugurado no dia 3 de setembro pela jovem paquistanesa Malala Yousafzai. A ativista, que foi levada para Birmingham para receber tratamento após ser baleada pelo Talibã por defender a educação de meninas em seu país, mora atualmente na cidade. 

Em um momento em que o governo britânico tem fechado bibliotecas públicas pelo país, abatidas pela recessão, os números estimados para o espaço impressionam.

O prédio de 31 mil metros quadrados foi projeto por arquitetos holandeses para abrigar um milhão de volumes impressos – o maior acervo público no Reino Unido. Desses, 400 mil estão disponíveis para o público.

Conforme o diretor, Brian Gambles, o projeto totalizou £ 188,8 milhões (cerca de R$ 680,95 milhões) – £ 4,2 milhões (R$ 15,15 milhões) a menos do que o orçado.

"É sobretudo um local de transformação: sobre como temos transformado a vida das pessoas, com educação, e sobre como tornar uma biblioteca para a era digital", ressalta.

Após passar cinco anos trabalhando no projeto, a arquiteta Francine Houben, do escritório holandês Mecanoo, conta que tentou refletir no prédio uma cidade de população jovem e multicultural. Sua obra foi criada para desenvolver os sentidos.

"É uma ode ao círculo", explica Francine, em referência às formas circulares de diferentes elementos do edifício, como a rotunda de livros, que compreende três andares e conta com luz natural.

Não é apenas a leitura que deve atrair cerca de 10 mil visitantes por dia: o local inclui dois jardins suspensos, anfiteatro ao ar livre, área musical, biblioteca infantil e espaços para estudos com diferentes configurações, entre outros.

"Cada biblioteca é diferente. O que é único na de Birmingham é seu acervo e seu patrimônio", ressalta a arquiteta, que deve ir a São Paulo no final de outubro para uma palestra. 

Shakespeare no topo

A biblioteca de Birmingham conta com uma das maiores coleções de William Shakespeare no mundo. O dramaturgo inglês – nascido em Stratford-Upon-Avon, cidade na mesma região inglesa – é homenageado em um espaço histórico, remontado no topo do moderno edifício.

A sala fazia parte originalmente da segunda biblioteca da cidade, inaugurada em 1882 (após um incêndio ter destruído o primeiro prédio). Em estilo vitoriano, com painéis de madeira e gabinetes de vidro, ela foi removida inteiramente e restaurada.

Apesar de a coleção shakespeariana ter se tornado maior do que a capacidade da sala já no início do século 20, ela ainda está abrigada no prédio. São 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como "Folios") e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709.  

As prateleiras do espaço também dispõem de outros importantes acervos, que passam por digitalização para ser disponibilizado ao público. Alguns podem ser conferidos em mesas com touch screen, desenvolvidas especialmente para a biblioteca.

Uma das preciosidades é o arquivo da empresa Boulton & Watt, o mais importante da Revolução Industrial, com cerca de 29 mil desenhos industriais da época.  No catálogo online, há menção da venda de uma máquina a vapor para a cunhagem de moedas para o Brasil, em 1811.

Entre as mais de 8,2 mil publicações datadas antes de 1701, estão três livros impressos em 1479 pelo primeiro gráfico inglês, William Caxton, em perfeito estado. A edição do "Birds of America" ("Aves da América"), publicado pelo naturalista John James Audubon na primeira metade do século 19, figura entre os mais caros do mundo devido sua raridade e é um dos destaques.

Além disso, a biblioteca pública de Birmingham é a única no Reino Unido a ter uma das coleções nacionais de fotografias, com mais de 3,5 milhões de imagens.  

Em outubro, o espaço deverá receber escritores renomados como Lionel Shriver (autora de "Precisamos Falar sobre Kevin" e "O Mundo Pós-Aniversário") e Carol Ann Duffy (escritora e poetisa escocesa, primeira mulher a ser indicada como "Poeta Laureado" do Reino Unido) durante o festival de literatura de Birmingham. 

A expectativa é que a biblioteca se torne um novo destino turístico na região central da Inglaterra.  

Bibliotaxi

A Easy Taxi  lançou o projeto cultural: Bibliotaxi. A ideia, criada pelo Instituto Mobilidade Verde, comandada por Lincoln Paiva, nasceu na Vila Madalena visando transformar os táxis de SP em verdadeiras bibliotecas móveis.
 
Na prática, o passageiro pega um livro no táxi conveniado ao Easy Taxi e devolve (depois de lido) em outro veículo, quando usar o transporte.

 
 

Fontes: Catraca Livre e VilaMundo

Conheça a biblioteca móvel praiana na França

Por Daphene Ruivo

Imagine-se
numa praia francesa. Mar azul, areia fina e um sol delicioso. Esse pode ser o cenário dos sonhos de qualquer pessoa. Para muitos, ouvir uma música enquanto aproveita a praia está de bom tamanho. Para outros, um bom livro é indispensável. Mas e se você esquecer o seu livro? Não, uma revista não pode substituí-lo.

A designer industrial, Matali Crasset, pensou no sofrimento de falha de memória dos book addicts e criou a biblioteca móvel. Localizada na praia de Romaniquette, na França, a Bibliotheque de Plage contém mais de 300 livros para leitura gratuita.
Confira abaixo, algumas imagens da biblioteca


 




Fonte: Zupi

Herança de uma vida: a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin




A abertura da Biblioteca Mindlin ao público significa, entre outras coisas, a ampliação do acesso a um acervo único sobre a história e cultura brasileiras. Aliás, facilitar o acesso ao acervo e promover o incentivo aos estudos sobre temas vinculados ao Brasil estavam entre as preocupações que motivaram a decisão de José Mindlin, sua esposa Guita e seus filhos Betty, Diana, Sérgio e Sônia de doarem a coleção brasiliana da biblioteca, reunida ao longo de mais de 80 anos pelo casal, à Universidade de São Paulo.

A coleção brasiliana
Rubens Borba de Morais — a quem José Mindlin se referia como “uma espécie de irmão mais velho”, dono de “um amor aos livros e à leitura muito parecido com o meu” — dizia que a história das grandes bibliotecas do mundo ou, como pontuava, “das grandes bibliotecas nacionais que fazem o orgulho de muito povo”, mostra que elas se constituíram tendo como base uma coleção particular. As expectativas de José Mindlin em relação ao futuro do acervo doado à USP transpareciam intenções e sonhos muito próximos ao papel que seu amigo afirmava ter sido desempenhado por algumas bibliotecas particulares ao longo da história. Em janeiro de 2010, falando sobre sua biblioteca e sobre o novo edifício que estava sendo construído para guardá-la, o bibliófilo afirmou de forma entusiasmada: “Ela tem de ser viva! [...]. Afinal, a gente passa, mas os livros ficam [...]; a ideia é que seja uma biblioteca viva, que cresça, que promova seminários, edições, debates.”

O acervo doado em 2006 à USP se refere à coleção brasiliana de sua biblioteca, formada por obras de literatura, de história, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários, documentos, periódicos, mapas, livros científicos e didáticos, iconografia e livros de artistas sendo que parte deste acervo pertencia ao amigo Rubens Borba de Morais que deixou sua biblioteca ao casal Mindlin em testamento. O conjunto reúne material sobre o Brasil — ou que tenha sido escrito e/ou publicado por brasileiros e estrangeiros — e totaliza mais de 32 mil títulos que correspondem à 60 mil volumes, aproximadamente.

A doação desta coleção veio acompanhada do projeto de digitalização e disponibilização online de seu conteúdo como forma de ampliar a possibilidade de pesquisa no acervo, medida que reforça a destinação pública que José Mindlin buscou conferir à biblioteca que gostava de caracterizar, por vezes, como uma biblioteca ‘indisciplinada’. Uma indisciplina denunciada pela inevitável aquisição de livros — raridades e belezas às quais não era possível dar as costas — que às vezes não se encaixavam nas principais vertentes temáticas que foram se definindo no curso da formação da biblioteca: ‘assuntos brasileiros’, ‘literatura em geral’, ‘livros de arte’, e ‘livros como objeto de arte’ em virtude de seus traços tipográficos, de sua diagramação, ilustração, encadernação, entre outros aspectos. Mas, igualmente, uma indisciplina que, de certa forma, era herdada de seu dono, um “leitor indisciplinado”, como se reconhecia, de “livros sobre os mais variados assuntos”, desde que atraíssem seu interesse: “[...] leio meio desordenadamente, passando de um assunto a outro muito diverso, ou mesmo lendo mais de um livro ao mesmo tempo”.


Livros raros, livros especiais
A biblioteca que Guita e José Mindlin formaram ao longo de sua vida não foi composta apenas de livros raros, uma vez que a aquisição de novas publicações era constante. No entanto, a paixão por eles surgiu bem cedo. José Mindlin tinha apenas 13 anos quando comprou de um livreiro uma edição de 1740 do livro Discurso sobre a História Universal, de Bossuet. Este seu primeiro livro raro, já no ano seguinte, ganhou a companhia da História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador; um presente de aniversário de uma tia. A busca pelos livros indicados na bibliografia deste último lhe rendeu o encontro com os 6 volumes da História do Brasil, de Robert Southey, publicados em 1862 e que não tardaram a se unir aos dois primeiros títulos como presente de seu pai. Foi a partir daí que José Mindlin resolveu começar a formar uma brasiliana: “não era propriamente um projeto de biblioteca, mas uma tentativa de reunir livros sobre o Brasil”. A biblioteca não mais parou de crescer. Guita especializou-se em restauro e em encadernação de livros. A certa altura, passou a dizer que não eram eles que possuíam a biblioteca: “ela é que nos tem”. O motor de seu crescimento, reforçava o casal, nunca foi a ânsia típica de um colecionador, mas sim a paixão característica de leitores incansáveis. “O interesse básico é o da leitura”. Era o encantamento a partir da experiência da leitura que os impulsionava a buscar novos títulos de um mesmo autor, as primeiras edições de cada título, etc. Nascia, então, o que ele chamava de “aventuras de garimpagem”: a busca persistente — que por vezes se estendia por mais de uma década — de determinados exemplares.

As preciosidades da coleção brasiliana que hoje constitui a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin — considerada a mais importante coleção do gênero formada por um particular – são muitas. Dentre elas, figuram as primeiras edições de alguns viajantes que estiveram no Brasil entre os séculos XVI e XIX (incluindo as viagens de Hans Staden, Jean de Léry e André Thevet); livros que se tornaram raros por se tratarem de primeiras edições, como a primeira edição de A moreninha (1844), de Joaquim Manoel de Macedo, da qual se conhecem apenas dois exemplares; a primeira edição de O Guarany (1857), de José de Alencar, marcada por uma busca — ou uma “aventura de garimpagem” — que demorou longos 17 anos para ser concluída. Traduções feitas por grandes escritores brasileiros, como a tradução que Machado de Assis fez de Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo, em 1866. Alguns livros raros, especialmente, por suas dedicatórias, como um dos exemplares de Tu, Só Tu, Puro Amor, também de Machado, dedicado à Joaquim Nabuco. Alguns manuscritos, como o original de Banguê, de José Lins do Rego e 29 cadernos-diários da Condessa do Barral, e uma série de originais de Graciliano Ramos e de Guimarães Rosa, com anotações manuscritas, que serviram de base para a impressão das primeiras edições, dentre outros títulos e edições que poderiam ser aqui mencionados.


Acesso amplo
Uma parte deste acervo, incluindo algumas das obras acima destacadas, está disponível para consulta e pesquisa no site da Brasiliana USP, projeto que foi concebido pelo Prof. István Jancsó que previa a formação de uma biblioteca digital que fosse continuamente alimentada e que funcionasse, ao mesmo tempo, como suporte para o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções que pudessem ser compartilhadas por outras instituições culturais no Brasil. Como se vê, o desejo de inocular o vírus do amor à leitura ao maior número de pessoas possível, como propagava José Mindlin, ganhou importantes adeptos nos últimos anos.

A Biblioteca Mindlin na USP: um centro de pesquisa
A Biblioteca Mindlin é um órgão da Pró-reitoria de Cultura e Extensão, criado em dezembro de 2005 para justamente receber esta coleção. Ela é responsável por este importante acervo, mas é também um centro de pesquisa, de formação e de extensão. Como órgão acadêmico, a Biblioteca Mindlin tem o compromisso de conservar, divulgar e facilitar o acesso de estudantes, pesquisadores e do público em geral ao seu acervo, e promover a disseminação de estudos de assuntos brasileiros por meio de programas e projetos específicos. Neste sentido, ela tem atuado como um centro interdisciplinar de documentação, pesquisa e difusão científica de estudos brasileiros, da cultura do livro, da tecnologia da informação e das humanidades digitais, tornando um órgão de integração de diversas iniciativas acadêmicas, de interesse intersetorial e transdisciplinar.

Para pesquisador de Harvard, 'digital não ameaça bibliotecas'

                                                                     Fonte: gallery.calit2.net

Cassiano Elek Machado | Folha de S. Paulo

Ainda moleque, o americano Matthew Battles estava jogando beisebol quando acertou a vidraça da biblioteca da cidadezinha onde vivia. Ao buscar a bola, o garoto de 12 anos encontrou filas e filas de prateleiras cheias de livros.

Seria possível dizer que Battles e as bibliotecas "viveram felizes para sempre", caso soubéssemos se bibliotecas como a de Petersburg viverão felizes para sempre. 

Diretor do laboratório de cultura digital da Universidade Harvard (EUA), o metaLAB, Battles fez a palestra de abertura do seminário "Múltiplos e Contemporâneos: A Literatura.com", do Centro Cultural Banco do Brasil.

A ideia foi debater os desafios da literatura contemporânea diante das novas tecnologias.

Battles diz que não são poucos. "As novas mídias estão alterando completamente a maneira como escrevemos e experimentamos a leitura", diz ele à Folha.

"Um dos maiores efeitos disso é o caráter imediato que a escrita passou a ter. Pode vir a público, a um grande público, logo após ser concluída, sem passar por longos processos de edição."

Battles diz não ter dúvida nenhuma de que nunca se escreveu e leu tanto quanto nos tempos atuais. E o que será feito de tanta escrita?

"A efemeridade e o dinamismo da internet são enormes desafios para a preservação. Como preservaremos fenômenos que aparecem subitamente, florescem e morrem logo depois?", pergunta.

Autor de um livro chamado "A Conturbada História das Bibliotecas" (ed. Planeta, 2004), ele começou sua carreira trabalhando numa das bibliotecas de mais prestígio do mundo, a Widener, de Harvard, onde guardam as obras raras da instituição.

"Lá aprendi que os meios de escrever e publicar mudaram de forma radical na história, mas as bibliotecas continuam. O digital não será uma ameaça", diz Battles, que é consultor da Digital Public Library of America (www.dp.la), a maior biblioteca digital do mundo (onde bolas de beisebol não entram).