Para pesquisador de Harvard, 'digital não ameaça bibliotecas'

                                                                     Fonte: gallery.calit2.net

Cassiano Elek Machado | Folha de S. Paulo

Ainda moleque, o americano Matthew Battles estava jogando beisebol quando acertou a vidraça da biblioteca da cidadezinha onde vivia. Ao buscar a bola, o garoto de 12 anos encontrou filas e filas de prateleiras cheias de livros.

Seria possível dizer que Battles e as bibliotecas "viveram felizes para sempre", caso soubéssemos se bibliotecas como a de Petersburg viverão felizes para sempre. 

Diretor do laboratório de cultura digital da Universidade Harvard (EUA), o metaLAB, Battles fez a palestra de abertura do seminário "Múltiplos e Contemporâneos: A Literatura.com", do Centro Cultural Banco do Brasil.

A ideia foi debater os desafios da literatura contemporânea diante das novas tecnologias.

Battles diz que não são poucos. "As novas mídias estão alterando completamente a maneira como escrevemos e experimentamos a leitura", diz ele à Folha.

"Um dos maiores efeitos disso é o caráter imediato que a escrita passou a ter. Pode vir a público, a um grande público, logo após ser concluída, sem passar por longos processos de edição."

Battles diz não ter dúvida nenhuma de que nunca se escreveu e leu tanto quanto nos tempos atuais. E o que será feito de tanta escrita?

"A efemeridade e o dinamismo da internet são enormes desafios para a preservação. Como preservaremos fenômenos que aparecem subitamente, florescem e morrem logo depois?", pergunta.

Autor de um livro chamado "A Conturbada História das Bibliotecas" (ed. Planeta, 2004), ele começou sua carreira trabalhando numa das bibliotecas de mais prestígio do mundo, a Widener, de Harvard, onde guardam as obras raras da instituição.

"Lá aprendi que os meios de escrever e publicar mudaram de forma radical na história, mas as bibliotecas continuam. O digital não será uma ameaça", diz Battles, que é consultor da Digital Public Library of America (www.dp.la), a maior biblioteca digital do mundo (onde bolas de beisebol não entram).



Parada do Livro na cidade de São Paulo



Que tal pegar um livro emprestado nos pontos de ônibus para ocupar seu tempo de viagem com uma boa leitura? Essa é a proposta do Parada do Livro, projeto das alunas de design da ESPM-SP, Helena Aranha e Helena Nabuco, que pretende espalhar 10 estantes, recheadas de obras literárias, pelos pontos de ônibus da capital paulista.

E, para concretizar a ideia, as jovens receberam uma doação de 300 exemplares da Biblioteca ESPM-SP, que a partir de ações como essa dá prosseguimento às suas ações de viés social, como já ocorria com Feira de Troca de Livros



O projeto recebeu ainda outro apoio. Além dos exemplares doados pela biblioteca, o Parada do Livro foi inscrito no concurso Catarse na ESPM, e, como vencedor, ganhou uma assessoria completa para uma ação Crowdfunding. As garotas conseguiram mais de R$ 5.700 para colocar o projeto em prática.

O projeto quer incentivar a leitura no Brasil. 75% da população nunca entrou em uma biblioteca e aqueles que já foram apresentados à leitura consomem, apenas, cerca de quatro livros por ano – só dois deles até o fim -, segundo pesquisa encomendada pelo Instituto Pró-Livro. Paralelo a isso, o paulistano gasta cerca de 2h30 por dia no trânsito da capital. Então, por que não unir o útil ao agradável?

A primeira estrutura do projeto foi instalada no ponto de ônibus da Rua Rio Grande, nº  631, na Vila Mariana. E está dando certo, as pessoas estão compreendendo e aderindo ao projeto.

Assista, abaixo, ao teaser do Parada do Livro, postado no site de financiamento coletivo Catarse.
 



A Reinvenção da profissão de bibliotecário no mundo

O Vagner compartilhou conosco, o artigo “How to reinvent librarians: five top tips from around the world”, do jornal britânico The Guardian, sobre a necessidade de uma reinvenção da profissão de bibliotecário no mundo e convida à reflexão apresentando cinco dicas propostas por bibliotecários de todo o mundo:

1 - Unir forças

2 - Ser honesto com você e os usuários

3 - Abraçar a criatividade

4 - Sair de trás da mesa (figurativa e literalmente)

5 - Compartilhar ideias


O Global Librarian é uma publicação conjunta de duas organizações bibliotecárias de Nova York, a Association of College and Research Libraries (Greater New York Metropolitan Area Chapter) e a Metropolitan New York Library Council. Ele tem como objetivo destacar bibliotecários ao redor do mundo que tomaram medidas ativas para se reinventar enquanto estão revigorando sua profissão.


Para ver o artigo na integra clique no link: The Guardian.

Biblioteca na praia


 
 
Trata-se da primeira biblioteca montada em uma praia na União Européia. Ela conta com mais de 2.500 livros escritos em 10 línguas! Nenhuma taxa é cobrada ao leitor. Essa é a ideia do resort Albena, na Bulgária, para seus convidados curtirem o verão.

Fonte: O Globo

Sete atitudes que formam leitores

Danilo Venticinque



Incentivar a leitura é um dever do governo e das escolas. Mas nós, leitores, podemos ajudar

A leitura é, por natureza, um ato solitário. Podemos estar no meio de uma multidão: basta abrir um livro e, no meio do primeiro parágrafo, a realidade à nossa volta dá lugar ao universo do autor. É um grande prazer, mas também um pequeno risco. Como contagiar outras pessoas com o hábito da leitura, num país em que atividades coletivas são uma tradição, se o próprio ato de ler nos impulsiona para o isolamento?
 
Mesmo na solidão da leitura, cada leitor é parte de um só grupo. Seus interesses são tão múltiplos quanto a variedade de livros a seu dispor, mas todos têm em comum o prazer da leitura. Nessa multidão desunida e heterogênea, há pouca ação e muito pessimismo. Muitos dos que espalham a frase feita que diz que "o brasileiro não lê" são leitores. Em seu isolamento, não percebem que isso começou a mudar – e que eles estão deixando de cumprir um papel importante. Popularizar a leitura é uma obrigação do governo e das escolas, mas também deveria ser um esforço pessoal de cada leitor.

 Um país com mais leitores é um país mais educado, com livros mais acessíveis e uma produção literária mais rica. Entre um livro e outro, com atitudes simples, qualquer leitor pode dar sua pequena contribuição para que isso se torne realidade.

 
1) Seja um (bom) leitor
 
Num mundo repleto de distrações, não faltam incentivos e desculpas para fazer qualquer outra coisa em vez de ler um livro. Sucumbir a algumas delas é inevitável. Podemos perder algumas batalhas, mas não a guerra. De distração em distração, já vi aficionados pela leitura entrarem, sem aviso, no grupo dos 50% de brasileiros que não leram um livro nos últimos três meses. Algumas pessoas estão nesse grupo porque não sabem ler, ou porque não têm acesso a livros. Porém, há os que engrossam as estatísticas por pura preguiça. Não basta ir à livraria, sucumbir às tentações do consumo e deixar os livros acumulando poeira na estante. É preciso dar um bom exemplo. O primeiro passo para formar mais leitores é formar-se leitor.
 
2) Converse sobre livros
 
Por que assistimos a tantos filmes, novelas e séries de televisão? Se dependêssemos apenas de nossa vontade e interesse, seriam poucos os espectadores fiéis. Mas recebemos recomendações de amigos, ouvimos comentários de desconhecidos, lemos sobre o assunto nas redes sociais e isso nos anima a voltar ao cinema, a sentar diante da televisão e a assistir a mais um episódio. Os fãs de filmes, novelas e séries não economizam oportunidades para demonstrar sua paixão. Dezenas de amigos me recomendaram Breaking bad antes que eu me tornasse viciado na série (que, aliás, é ótima). Sei que muitos dos meus amigos são leitores, mas poucos me recomendam os livros que acabaram de ler. Por ver a leitura como um hábito solitário, sentem-se mais à vontade para falar sobre outros assuntos – e deixam de compartilhar suas descobertas. Conversar sobre livros não é algo só para intelectuais. Não há nada de errado em ser fã de um autor e se comportar como tal. Se você acha que todos seus amigos deveriam ler o livro que você acabou de ler, diga isso. Talvez todos leiam.
 
3) Busque aliados

 A internet é um inferno de distrações quando queremos nos concentrar e ler um livro, mas um paraíso para encontrar outros leitores. Há redes sociais dedicadas exclusivamente a isso, como a brasileira Skoob e a americana Goodreads. Também não faltam blogs e sites dedicados ao tema. No Facebook, há dezenas de grupos dedicados a amantes dos livros. Entrar num deles é uma forma de reforçar o hábito de ler, trocar recomendações e manter-se atualizado. Quanto maiores os grupos, maior a chance de atrair e manter novos leitores. Longe de ser uma inimiga da leitura, a internet pode ser uma importante aliada.

4) Presenteie

 Lembro-me muito pouco das roupas, brinquedos e outras bobagens que eu ganhava de presente na minha infância. Mas não me esqueço do dia em que meu padrinho me levou a uma livraria e me presenteou com um exemplar de 20 mil léguas submarinas – o primeiro livro que eu li por vontade própria, e o primeiro a me tirar da frente da televisão e dos games. Dar livros de presente é uma bela maneira de espalhar e reforçar o hábito da leitura, não importa a idade de quem é presenteado. Preste atenção nos desejos e curiosidades das pessoas ao seu redor, e pense em livros que podem agradá-las. Quem conhece bem seus amigos e parentes saberá escolher um título adequado para animar mesmo quem não está acostumado a ler. O livro certo, na hora certa, pode ser um presente inesquecível.

 5) Tenha calma

 Antes de recomendar um livro, emprestá-lo ou dá-lo de presente, pense se ele é a escolha mais adequada. Para um leitor em formação, poucas coisas são mais frustrantes do que ler o livro certo na hora errada. Isso vale principalmente para crianças e adolescentes. Quantos estudantes não abandonaram o hábito da leitura após serem golpeados na cabeça, prematuramente, com livros difíceis demais? Alguns clássicos da literatura são acessíveis a qualquer um; outros, mais complexos exigem reflexão e paciência do leitor. Comece pelos mais fáceis. Há tempo suficiente para galgar, degrau a degrau, o caminho que leva a obras literárias complexas. Antes de se tornar um hábito, a leitura precisa ser um prazer.

 6) Leia antes de votar

 Num país em que 20% dos habitantes entre 15 e 49 anos são analfabetos funcionais, e 75% jamais pisou numa biblioteca, o esforço para popularizar a leitura passa, necessariamente, por políticas públicas. Há quanto tempo o incentivo à leitura não é abordado num debate entre candidatos a um cargo executivo? No Legislativo, há frentes parlamentares dedicadas ao tema, mas sua atuação é discreta. Entre os municípios, a maioria ainda trata a política cultural como uma política de espetáculos. Gastar milhões para reunir multidões em shows financiados pela prefeitura pode render manchetes de jornais, mas tem pouco impacto na formação cultural de cada cidadão. Organizar eventos literários para incentivar a leitura não é uma solução definitiva, mas já é um passo na direção certa. Investir na criação e manutenção de bibliotecas com uma programação cultural constante é ainda menos espetacular, mas pode ser transformador. Antes de escolher um candidato, descubra o que ele pensa a respeito disso.

 7) Espalhe boas ideias

 Transformar bicicletas em bibliotecas itinerantes. Arrecadar doações de livros no Natal. Distribuir livros gratuitamente em estações do metrô, ou colocá-los à venda e deixar que o comprador escolha o quanto quer pagar. Todas essas propostas são criações recentes de leitores apaixonados. Elas têm potencial para transformar a maneira como os brasileiros se relacionam com os livros, mas precisam se tornar mais conhecidas. Cabe a cada leitor a tarefa de ajudar a divulgar essas iniciativas, contribuir para seu sucesso e, quem sabe, pensar em outras boas ideias para incentivar a leitura. Abrir um livro no meio de uma multidão e se perder em suas páginas é um exercício solitário e prazeroso. Mas seria ainda melhor se fizéssemos isso no meio de uma multidão de leitores.
 
 

Bibliotecas criativas e inovadoras


Espaços incorporam arte, inovação e criatividade com acervos alternativos e regras mais flexíveis
 
 

Na era digital, há quem diga que os livros e os jornais têm os dias contados. E, com grandes acervos sendo digitalizados, as bibliotecas também estão fadadas ao fim? É difícil ter uma resposta concreta para essas mudanças na sociedade, mas, algumas cidades têm inovado na disponibilização de livros para seus usuários, as bibliotecas vivem uma espécie de renascimento criativo. Em Nova York algumas delas abrigam sedes de zines, salas de leitura, oficinas literárias e festas - voltando a pulsar arte e criatividade.





Outra iniciativa criativa acontece na cidade gaúcha de Campo Bom onde as paradas de ônibus viraram centros de leitura de qualidade. Ao lado do ponto, uma estante abastecida com diversos títulos que foram descartados da biblioteca municipal fazem os passageiros do município de 60 mil habitantes esquecerem, por instantes, as preocupações de mais um dia de trabalho ou aula. Por enquanto, são duas estantes com 200 obras cada, nos dois pontos de maior circulação da cidade. Uma ideia simples que pode mudar a vida de muitas pessoas sem acesso à cultura.
 

 

Festa junina na Biblio

A Biblioteca entrou no clima das festas juninas e promoveu mais um “arraiá da Biblio” bem descontraído no dia 28 de junho! Não faltou comida típica e muita alegria.


A festa também contou com brincadeiras fruto de muita criatividade e muita boa vontade da equipe organizadora formada pela: Nelci, Jaime, Kele, Adriana Alves, Mariana, Danyele,  Roberta.
A equipe organizadora também caprichou no preparo e decoração da festa além de elaborar as perguntas de conhecimentos gerais do quizz que resultou na entrega de brindes a quem acertasse.

Durante a festa, a Stefanie se emocionou, ao ganhar dos colegas, um envelope com dinheiro (arrecadado pela Cibele), presente de casamento da equipe da biblioteca.  Sexta-feira também foi seu último dia  como estagiária, na ESPM. Ela agradeceu a todos por tudo e enfatizou que, ter trabalhado aqui, foi uma grande e importante fase em sua vida.

Agradecemos e parabenizamos a comissão por todo o empenho. Agradecemos também a todos que participaram trazendo comidas.

Foi um dia de alegria. Confira as fotos aqui!

Livros que dão em árvores


 
 “O papel já foi árvore, e aqui ele volta em forma de fruto. Fruto do conhecimento”. Assim a diretora do Sest Senat de Criciúma, Clenira Ribeiro Alves, define o projeto “Frutos do conhecimento”, posto em prática, na Praça Nereu Ramos, em Criciúma.
 A iniciativa surgiu depois que Jomar Patrick Arruda assistiu a ação no Rio de Janeiro, pela televisão. “Eu achei a ideia ótima, sugeri no trabalho e a diretoria logo abraçou a causa”, conta ele, que é instrutor de desenvolvimento profissional no Sest Senat (Serviço Social do Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte ).
 A ideia é, por meio da doação de livros, incentivar a leitura e o conhecimento. “Estivemos em pontos estratégicos por três meses coletando livros que estavam esquecidos nas casas. Foram quase mil arrecados.
 Esta foi a primeira vez que a ação foi feita em Criciúma. Par ao próximo ano, a ideia é continuar. “Queremos fazer algo maior pro ano que vem, e para isso é indispensável a participação da população, já que foi por causa da doação deles que tudo isso foi feito”, diz Jomar.
Depois de escolher uma obra para levar para a casa, a pessoa precisa assinar uma lista e adicionar alguma forma que o Sest possa entrar em contato futuramente com ela. “Queremos ligar, ou mandar e-mail para saber o que acharam da ação e se querem participar novamente no outro ano”, conclui a Clenira.

 
 

Fonte: http://www.atribunanet.com/

Pequena biblioteca livre

Em parceria com o Pen World Voices Festival que acontece em Nova York foi criada essa pequena biblioteca que funciona de graça pelas ruas.

A empresa de design venezuelano Stereotank desenvolveu esta unidade com o propósito de consulta onde as pessoas podem imergir neste espaço de leitura. A estrutura é simples, como um tanque de plástico invertido e com pernas de madeira com furos na estrutura plástica onde as pessoas podem olhar de dentro para fora e vice versa.

Essas unidades convidam as pessoas ao mundo da leitura. Iniciativa que procura integrar cidade e hábitos que precisam ser mudados!










Fonte: Des1gn ON

A Biblioteca faz doação de livros à Academia de Polícia Militar do Barro Branco


 Momento da entrega dos exemplares na ESPM-SP. Da esq. para a dir. Sd. PM Nobre, Ten. Cel. PM Suzuki, Ivonaide Dantas, Debora Bonfim Aquarone e Sd. PM Goulart. Foto: Guy Almeida Jr.
A Biblioteca da ESPM/SP, em continuação de sua proposta de incentivar ações com viés social e de estímulo à leitura, como já realizava com a Feira de Troca de Livros, fez uma doação de 3 mil exemplares, entre livros e vídeos, à Academia de Polícia Militar do Barro Branco.  No último mês, a chefe do departamento de ensino e pesquisa e responsável pela cadeira de comunicação social da academia, Ten. Cel. PM. Rosa Suzuki, veio receber as quase 50 caixas com as doações, das mãos das responsáveis pela Biblioteca Debora Bonfim Aquarone e Ivonaide Dantas. A doação irá contribuir com a formação do acervo da biblioteca da Academia.

Foi a primeira vez que a doação foi realizada, e a tenente coronel falou do assunto com grande expectativa. “Nossa biblioteca tem poucos títulos. A literatura que vamos receber vai enriquece-la.”
Ela comentou que o acervo carece de títulos que fogem ao tema da segurança pública. Assim, “a ideia é transformar a biblioteca em um local de visitação e criar no aluno esse hábito de buscar conteúdos”. O fato de trazer outros títulos aos militares, já que o espaço pode ser acessado por qualquer policial militar do Estado de São Paulo, na visão de Suzuki, favorecerá em suas formações culturais. “Ele não pode ser um indivíduo compartimentado. A despeito de se formar como um bom profissional, essa formação cultural é fundamental”, concluiu.
 Fonte: Blog ESPM+

O Bibliotecário e a leitura conectada

Rodney Eloy


 
Ultimamente só se falam nos muitos argumentos a favor dos e-books ou livros eletrônicos. Embora tenham surgido em 1971, pouco a pouco tem se tornado popular devido a proliferação dos dispositivos (tablets, smartphones, e-readers etc). No entanto, em meio a este turbilhão existem os céticos que profetizam que tais dispositivos extinguirão os livros impressos e consequentemente as bibliotecas.

Toda esta revolução não deixa de ser interessante, porque como bibliotecário, a leitura de livros tem uma importância significativa em minha vida e tenho algumas centenas deles em meu apartamento. A princípio, depois de certa resistência - mesmo sendo um entusiasta da tecnologia - resolvi me enveredar neste mundo "desconhecido" e ter minha própria opinião sobre o assunto.

Lembro-me da primeira vez que ouvi falar de um tablet, foi em janeiro de 2010, com o anúncio de lançamento por Steve Jobs, de um tal iPad. Mal sabíamos, os pobres mortais, que aquilo era o início de mais uma revolução nos costumes.

Em novembro de 2011 adquiri meu primeiro tablet, um modelo econômico, entretanto, mesmo com seus inúmeros recursos, o que realmente me motivou a comprá-lo foi a opção de leitura de e-books. Como não poderia ser de outra forma, minha estreia se deu com a biografia de Steve Jobs, escrita por Walter Isaacson. Em um trecho tenso da obra, o autor relata uma conversa de Jobs com Barack Obama, onde Jobs declara "Todos os livros, o material didático e os sistemas de avaliação deveriam ser digitais e interativos, personalizados para cada aluno e com feedback em tempo real." Seria este um prenúncio do fim, vindo de uma mente inquieta?

 
Ainda não conhecemos totalmente até onde estes sistemas nos levarão, o que posso adiantar é que a leitura no tablet tem suas peculiaridades, a primeira, é que não tive de transportar 1 kg das 607 páginas do livro em papel de Isaacson, além disso tem as opções de adequar o tamanho da letra, ler no escuro, controlar o brilho da tela, fazer anotações e marcar páginas, exemplos simples entre tantos, mas que demonstram a praticidade da leitura com os citados recursos. Não me julguem antecipadamente, adorei a experiência e recomendo a todos, mas em tudo existem prós e contras, vantagens e desvantagens. Continuarei lendo livros em papel? Claro que sim, nada substituirá a experiência estética, lúdica, espiritual da leitura em livros impressos. E-books são um item a mais, no imenso ecossistema da leitura. Eu e minha esposa adoramos viajar, oportunamente, eu levo meu livro impresso, ela, o de sua preferência, o tablet também, como um complemento tecnológico e lado a lado, sem superior ou inferior, sem anular um ao outro, ambos distintos, coexistindo e prosperando pacificamente, porém essenciais nos dias de hoje. E mais, acredito que cada leitor deve saber o que é melhor para si e o que pode se adequar em seu contexto. Na área acadêmica, por exemplo, alunos de arquitetura poderiam evitar o peso em suas mochilas dos "Benevolos", "Neuferts", "Gombrichs" etc

 
A medida que vemos a tecnologia avançando, em contrapartida, a resistência ainda é grande, mas a história parece se repetir, pois já no século XV, Johannes Gutenberg sofria fortes criticas por parte dos copistas que eram contra seus tipos móveis. Ironicamente, o maior catálogo de e-books gratuitos do mundo chama-se Projeto Gutenberg, que inclusive disponibiliza inúmeras obras em português.

 
Grandes personalidades literárias deixaram a resistência de lado, como Ray Bradbury, que aos 91 anos, permitiu que seu clássico "Fahrenheit 451" fosse publicado na versão e-book. Aos 79 anos, Umberto Eco ao invés de carregar 20 livros em uma turnê pelos Estados Unidos, comprou um iPad e está adorando a experiência, não poupando elogios.

 
Nos Estados Unidos, uma nação com tecnologia em seu DNA, a dinâmica é outra. Existem escolas sem bibliotecas físicas, porém com bibliotecários digitais, “bibliotecas antenadas” - especialmente públicas - que já emprestam milhares de obras eletrônicas normalmente. É comum encontrar leitores com seus e-readers em transportes públicos, praças, praias etc.

No Brasil, a aquisição e utilização deste tipo de tecnologia ainda são bem discretos, porém a Amazon já tem planos de comercializar o seu maravilhoso aparelhinho e-reader por terras tupiniquins, trata-se do Kindle. Por considerar as taxas de importação exorbitantes, prefiro por enquanto esperar o início das vendas por aqui.

 Portanto, vem a questão, os dispositivos eletrônicos substituirão os bibliotecários e bibliotecas? Uma das funções dos bibliotecários é organizar informação, independente dos suportes em que se encontram. As bibliotecas precisam se adaptar a este caminho sem volta e ir ao encontro das preferências dos novos leitores. Os livros impressos vão acabar? Não sei, talvez. Existe um lobby forte de ecochatos, que estão por aí, remodelando a sociedade já faz um bom tempo.


Por fim, independente dos formatos, livros sempre existirão, livros sempre serão fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade, devemos pensar na integração dessa transmidialidade dos livros. A magra estatística de livros lidos por ano em nosso país indica uma subnutrição cultural aguda, e isto sim, é um problemaço a ser resolvido, pois como “tuítaria” Monteiro Lobato se estivesse vivo, em ser perfil no microblog: “Um país se faz com homens, mulheres e livros eletrônicos.”

Rendam-se! A festa nunca é tão divertida quanto parece do lado de fora. A história dos livros continua a ser escrita. É só ligar e ler!

@rodneyeloy é bibliotecário universitário e responsável pelo Pesquisa Mundi

10 motivos pelos quais você deveria ler todos os dias


Crédito: Shutterstock.com

Se você acha que a leitura é uma prática entediante, talvez seja hora de rever seus conceitos. Conheça 10 bons motivos para ler todos os dias e transformar isso em um hábito
Uma das práticas que os jovens consideram mais entediantes é a leitura. Não é raro ouvir reclamações sobre a obrigatoriedade da leitura, mesmo que algumas histórias surpreendam por atrair o interesse. Contudo, estabelecer o hábito da leitura pode trazer diversos benefícios para a vida, tanto no mundo acadêmico quanto na carreira. Confira a seguir 10 motivos pelos quais você deveria ler todos os dias:
1. Estímulo mental
 O cérebro necessita treinamento para se manter forte e saudável e a leitura é uma ótima maneira de estimular a mente e mantê-la ativa. Além disso, estudos mostram que os estímulos mentais desaceleram o progresso de doenças como demência e Alzheimer.
2. Redução do estresse
 Quando você se insere em uma nova história diferente da sua, os níveis de estresse que você viveu no dia são diminuídos radicalmente. Uma história bem escrita pode transportá-lo para uma nova realidade, o que vai distraí-lo dos problemas do momento.
3. Aumento do conhecimento
 Tudo o que você lê é enviado para o seu cérebro com uma etiqueta de “novas informações”. Mesmo que elas não pareçam tão essenciais para você agora, em algum momento elas podem ajudá-lo, como em uma entrevista de emprego ou mesmo durante um debate em sala de aula.
4. Expansão de vocabulário
 A leitura expõe você a novas palavras que inevitavelmente elas serão incluídas no seu vocabulário. Conhecer um número grande de palavras é importante porque permite que você seja mais articulado em seus discursos, de maneira que até mesmo a sua confiança será impulsionada.
5. Desenvolvimento da memória
 Quando você lê um livro (especialmente os grandes) precisa se lembrar de todos os personagens, seus pontos de vista, o contexto em que cada um está inserido e todos os desvios que a história sofreu. A boa notícia é que você pode utilizar isso a seu favor, fazendo dos livros um treino para a sua memória. Guardar essa quantidade de informações faz com que você esteja mais apto para se lembrar de eventos cotidianos.
6. Habilidade de pensamento crítico
 Já leu um livro que prometia um mistério confuso e acabou por desvendá-lo antes mesmo do meio da história? Isso mostra a sua agilidade de pensamento e suas habilidades de pensamento crítico. Esse tipo de talento também é desenvolvido por meio da leitura. Portanto, quanto mais você lê, mais aumenta sua habilidade de estabelecer conexões.
7. Aumento de foco e concentração
 O mundo agitado de hoje faz com que sua atenção seja dividida em várias partes, de modo que manter-se concentrado em apenas uma tarefa torna-se um desafio. Contudo, livros com histórias envolventes são capazes de desligar você do mundo ao redor, fazendo com que sua atenção esteja inteiramente voltada para o que acontece na trama. Embora você não perceba, esse tipo de exercício ajuda você a se concentrar em outras ocasiões, como quando precisa finalizar um projeto urgente.
8. Habilidades de escrita
 Esse tipo de habilidade anda lado a lado com a expansão do seu vocabulário. Assim como a leitura permite a você ser alguém mais articulado na fala, também vai ajuda-lo a colocar com mais clareza os seus pensamentos no papel. Isso vai dar a você a chance de produzir textos com mais qualidade, não apenas de vocabulário, como também correção gramatical e ideias mais ricas.
9. Tranquilidade
 O fato de envolver você em uma história e livrá-lo do estresse cotidiano faz do livro uma ótima ferramenta para alcançar a paz interior. Nos momentos de estresse, procure se distrair do que acontece com uma história que atrai seu interesse. Isso vai acalmá-lo e ajudá-lo a melhorar seu humor.
10. Entretenimento a baixo custo
 Muitas pessoas acreditam que o conceito de diversão está diretamente ligado aos altos custos de uma viagem ou mesmo de uma festa. Contudo, se você encontrar um livro que chame a sua atenção, poderá viajar sem sair da sua casa. E se você acha que os preços cobrados por um livro também são abusivos, pode baixar aqui mais de 1.000 títulos gratuitamente.

Dedicatórias de escritores a José Mindlin e a sua biblioteca de 40 mil livros viram obra

Ivan Finotii

 
Um dos quartos da casa do Brooklin, que reunia 40 mil livros

Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada." Os versos de Vinicius de Moraes (1913-1980) não serviriam para descrever a residência no Brooklin, zona sul de São Paulo, onde o empresário José Mindlin e sua mulher, Guita, viveram cerca de 60 anos.

Porque a casa dos Mindlin tinha pelo menos uma coisa: livros. E muitos deles, centenas, milhares, cerca de 40 mil títulos. Mas era uma casa muito engraçada, pelo menos para a neta do casal, Lucia Mindlin Loeb, que lá passava as férias de verão e, durante as aulas, frequentava os almoços familiares de fim de semana.
Só mesmo uma casa muito engraçada para se comemorar aniversários de livros, o que aconteceu em 1988, com um bolo de chocolate, champanhe e um aniversariante de 500 anos na cabeceira da mesa: um exemplar original do poeta italiano Francesco Petrarca, datado de 1488.

"Na estante da sala tinha uma portinha, onde ficava o bar. Era demais!", lembra a fotógrafa Lucia, 40, que tinha 16 anos no aniversário de Petrarca.

Outra coisa engraçada na casa é que, dos 40 mil livros, centenas traziam dedicatórias especialíssimas endereçadas ao casal José (1914-2010) e Guita (1916-2006).
Dedicatórias que agora foram reunidas pela neta no livro "Para a Tão Falada Biblioteca José e Guita Mindlin" (Edusp, 240 págs., preço a definir).
Com fotografias de 124 dedicatórias --e das capas dos livros-- tiradas pela própria Lucia, a publicação traz mensagens manuscritas de Drummond, Manuel Bandeira, Rachel de Queiroz, Erico Verissimo, Antonio Candido, enfim, de toda a nata da literatura brasileira.

E também de estrangeiros do porte de Mario Vargas Llosa, José Saramago ou Jean Claude Carrière, roteirista das obras-primas surrealistas do espanhol Luis Buñuel, como "A Bela da Tarde" (1967), "O Discreto Charme da Burguesia" (1972) e "Esse Obscuro Objeto do Desejo" (1977).
 "Olá Jose Mindlin!", brincou Carrière em 1989, como se fosse o próprio Buñuel, morto seis anos antes. "Um abraço do fantasma L.B.", completou.
Já Drummond se espantou ao receber de Mindlin, em 1980, um exemplar de seu "Alguma Poesia", publicada 50 anos antes, quando o poeta tinha 28 anos.

Para facilitar a leitura da caligrafia nem sempre compreensível desses pesos pesados, a obra transcreve as dedicatórias a cada página.

JABUTICABA
A maioria desses livros não está mais na casa do Brooklin, com seu quintal e duas edículas que serviam de anexos para as prateleiras repletas.

Trinta mil títulos moram agora na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, inaugurada há dois meses na USP. E é lá que vai ser o lançamento da "Para a Tão Falada...", no dia 8 de junho, das 11h às 14h.

Lucia conta que teve a ajuda do avô quando começou a fazer as fotos, em 2009. "Ele me mostrava o que achava mais legal. E sabia onde estava cada livro." "Vô, tem do Manuel Bandeira?" "Tem, Lucia, está aqui." "E do Fernando Sabino?" "Aqui."

Às vezes, um dos autores aparecia para entregar pessoalmente seu exemplar autografado. E acabava ficando para o almoço, não sem antes dividir uma pinguinha mineira com o dono da residência, caso de Antonio Candido e de tantos outros.

Dividindo com tais escritores a torta de espinafre, bolinhos de frango, bifes e pastéis que a cozinheira Catarina preparava, Lucia acabou conhecendo boa parte deles ao redor da mesa de jantar.

Até pegou amizade com as netas de Verissimo, que tinham a mesma idade dela. E tomou um susto quando as duas recusaram as jabuticabas de sobremesa, colhidas no próprio quintal. "São as únicas pessoas que conheci até hoje que não gostam de jabuticaba. Estranho, né?"

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/

Renato Lessa fala dos desafios à frente da Biblioteca Nacional

Fonte: O Globo.com
 
Quando foi anunciado que o cientista político Renato Lessa, de 58 anos, seria o novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, uma amiga mandou a ele uma mensagem de parabéns, com um recado: “Que Deus e o governo ajudem você”.
Pelos problemas que o esperam, Lessa realmente vai precisar da ajuda de todos os lados na gestão da instituição. Há um ano, desde uma inundação, sua sede no Rio está sem ar-condicionado, o que, no verão, levou a temperatura dos armazéns de livros para até 50 graus. Outro ponto a ser enfrentado por Lessa, oficialmente no cargo desde segunda-feira, são as críticas quanto aos atrasos e ao orçamento elevado na organização brasileira na Feira de Frankfurt, a maior do mundo para o mercado literário, que vai homenagear o Brasil em outubro.
Em entrevista no gabinete da presidência da Biblioteca Nacional ­­— com as janelas abertas pela falta de refrigeração —, Lessa reconheceu que há muito a ser feito. Segundo ele, serão necessários mais 120 dias para que um sistema antigo de ar-condicionado volte a funcionar na Biblioteca, e o tempo para que o sistema geral seja religado é indeterminado. Lessa também discorda dos gastos assumidos pelo governo para Frankfurt — R$ 15 milhões de investimentos diretos e a possibilidade de mais R$ 3 milhões via renúncia fiscal —, por acreditar que a homenagem deveria ser de responsabilidade do setor privado. Mas promete cumprir os compromissos.
Por fim, o novo presidente da Biblioteca Nacional discorda de Galeno Amorim, que esteve no cargo nos últimos dois anos, quanto à quantidade de municípios sem bibliotecas no Brasil: “É um número vergonhoso”.
Como foi feito o convite para o senhor assumir a presidência da Fundação Biblioteca Nacional? A ministra (Marta Suplicy, da Cultura) pediu algo específico ao senhor?
Foi em meados de março, poucas semanas antes de ela anunciar a mudança. Nós tivemos uma primeira conversa excelente, muito franca. O que me deixou muito seguro para aceitar o convite foi a possibilidade de institucionalizar políticas para a Biblioteca Nacional, sem que dependam de rompantes ou projetos pessoais, com um clima de independência. Além disso, ao mesmo tempo em que a ministra me deu autonomia e liberdade para estruturar a gestão da Biblioteca, ela manifestou também um enquadramento geral de como vê a coisa. A maior preocupação da ministra, da qual eu compartilho inteiramente, é ter uma restruturação tanto da Biblioteca Nacional quanto da política do livro. É um movimento que não incidiu apenas sobre a Biblioteca Nacional, ele inclui também a vinda do Castilho (José Castilho Marques Neto, presidente da editora Unesp) para a reorganização da política do livro e do Sistema Nacional de Bibliotecas como política pública de Estado em Brasília.
A junção de responsabilidades da Biblioteca Nacional com a política do livro era justamente uma das maiores críticas que parte do mercado fazia ao seu antecessor, Galeno Amorim.


A Biblioteca Nacional estava sobrecarregada. O excesso de atribuições torna impossível que todas recebam igual atenção. Não era um desenho adequado. Agora, a Biblioteca vai ficar desasfixiada para cuidar de suas atribuições naturais.

Em alguns de seus artigos publicados em jornais, o senhor já expressou críticas aos governos do PT. Isso em algum momento foi impeditivo para aceitar o convite?
Não foi só ao PT, também fui crítico aos governos anteriores. Mas em momento algum esse assunto apareceu na conversa com a ministra. Meus artigos não são secretos, têm a ver com meu lado de intelectual público, como observador dos hábitos políticos brasileiros. Não foram artigos que se dirigiam a este ou aquele governo. Isso é sabido, é público, estou longe de abjurar as coisas que eu escrevi. E acho que isso qualifica o convite, mostrando a ideia de independência de pensamento e de juízo.
Ainda há uma infinidade de livros físicos em circulação, mas ao mesmo tempo existe hoje um processo de digitalização em curso, de aumento da presença dos livros digitais. Em vista disso, qual o senhor considera ser o papel de uma biblioteca hoje? Esse papel está mudando?

Eu acho que o papel da biblioteca não se altera. O que as configurações novas trazem é a importância de uma biblioteca acrescentar dimensões a seu papel, que é a guarda de acervos valiosos. Fazer a guarda desses acervos incorporando tecnologias que permitam a recuperação e o restauro, mas isso tudo associado a uma perspectiva de publicização, de conquistar públicos leitores de diferentes níveis. Desde o leitor eventual até pessoas profissionalmente ligadas à pesquisa que têm na biblioteca seu local de trabalho. Acho que o futuro da biblioteca tem a ver com a capacidade de atender essa diversidade pública. Mas isso implica naturalmente um projeto agressivo de digitalização, mas não só do acervo específico de uma biblioteca, mas uma digitalização que componha redes de acervos digitalizados. Por exemplo, você pode imaginar uma grande biblioteca virtual que reúna as bibliotecas dos países lusófonos, em que os usuários possam compartilhar os acervos. Outro recorte possível é com a América do Sul. Existe um mundo para ser explorado de compartilhamentos de base da nossa Biblioteca Nacional com outras bibliotecas do mundo.
Como vai a digitalização do acervo da Biblioteca Nacional?

Ainda é muito pequeno, temos cerca de 25 mil títulos digitalizados. São 11 milhões de páginas.

De um total de quantos?
O total é complicado. Nunca houve um censo rigoroso de qual é o tamanho da Biblioteca, é uma coisa que precisamos fazer. Existe um número mágico de 9 milhões. Mas são 9 milhões de títulos, de volumes físicos? Por exemplo, naqueles 25 mil títulos digitalizados, a gente considera “O Globo” um título. Mas se forem exemplares, esse número já aumenta. Então não tenho como dizer um percentual do que já foi digitalizado. Mas posso dizer que é muito pouco, muito pequeno em função do volume do acervo. É uma prioridade das maiores, até porque, voltando à pergunta anterior, o papel da biblioteca depende da digitalização.

Falando sobre os problemas que a Biblioteca Nacional enfrentou nos últimos meses, o que ainda mais chama a atenção é a falta de ar-condicionado. É uma situação que se estende há um ano e que é prejudicial para usuários e funcionários, mas também é prejudicial para os livros. Ainda falta muito para isso se resolver?
É horrível para os livros. No pico do verão, me disseram que a temperatura no armazém de obras gerais bateu 50 graus. Você não pode ter um acervo valioso assim. O ideal são 23 graus, 22 graus. Mas, infelizmente, ainda está longe de chegarmos lá. Em marcha, começamos agora um processo de recuperação de um sistema antigo de ar-condicionado, e a estimativa que me deram é que a obra termine em 120 dias. Então a expectativa é que enfrentemos o verão com esse sistema antigo em funcionamento. Será um verão melhor do que o anterior, mas ainda longe do que a Biblioteca precisa. Já o sistema geral de refrigeração é de uma complexidade imensa e vai depender de um projeto de reforma. Temos dinheiro para isso e temos decisão de fazer a obra em seguida. Mas seria irresponsável eu dizer quando isso vai ficar pronto.
Qual a verba para essa reforma da refrigeração?
Existe um volume de recursos para as obras gerais da Biblioteca, que incluem as obras da sede e do anexo. O BNDES entra com pouco mais de R$ 40 milhões. Conseguimos também uma parte do PAC das cidades históricas, fizemos jus aos recursos porque somos um prédio histórico. E vamos ter ainda aplicações do orçamento da Biblioteca. Tudo isso vai dar um total de R$ 70 milhões. Vão ser usados para obras de estrutura, da refrigeração, da recuperação da claraboia, do reboco que andou caindo para a rua, da segurança, coisas assim. Enfim, são obras para levantar a infraestrutura. A administração anterior contratou a Fundação Getulio Vargas para fazer os termos de referência dessas obras, e eu vou ter uma reunião com eles na segunda-feira para saber em que pé isso está.
Mas olhando o acervo hoje, é possível que alguma obra tenha sofrido algum dano por causa do calor?
Não tenho notícias de danos ao acervo.
Outra questão muito discutida é a participação brasileira na Feira de Frankfurt, em outubro, quando o país será homenageado. Com a mudança na diretoria da Biblioteca Nacional, muda algo na organização da feira?
 
A participação brasileira na Feira de Frankfurt é uma política de governo que mobiliza o Ministério da Cultura e o Itamaraty. Acho importante desfazer um pouco a ideia de que a Feira de Frankfurt é a Biblioteca Nacional. Não é. A homenagem em Frankfurt significa que o governo brasileiro aceitou e entendeu que essa é uma oportunidade de promoção brasileira no exterior. O projeto é gerido por um comitê gestor, e a Biblioteca faz parte desse comitê, mas há outros integrantes, como a Funarte e o Ministério da Relações Exteriores.

Mas a Biblioteca tem um papel grande na organização
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Tem um papel grande, sim. Mas, na minha perspectiva, não é um papel compatível com as funcões próprias da Biblioteca. Como a Feira de Frankfurt tem uma dimensão econômica muito forte, algumas questões deveriam estar a cuidado dos editores do setor privado. Eu entendo que também há um interesse estratégico do Brasil, o que leva o poder público a participar, mas não me parece correto que isso seja pensado como exclusivamente fincado dentro de uma esfera estatal. Mas isso foi decidido em 2010 com comprometimentos financeiros e com o comprometimento da Biblioteca em algumas decisões, e isso será mantido. Estamos discutindo, hoje, que esse paradigma não se repita em outros eventos dessa natureza. Não cabe ao presidente da Biblioteca Nacional ser o dirigente dessa internacionalização dos livros brasileiros, e não associo o que penso sobre a Biblioteca Nacional a eventos do tipo. E ainda tenho uma reserva aos custos assumidos para a viabilização de negócios, sobretudo numa indústria que tem pujança, força e muita qualidade.
Quanto vai ser o gasto do governo em Frankfurt?
O orçamento total não vai passar de R$ 18 milhões. Desses, R$ 15 milhões vêm do orçamento do Estado brasileiro, pelo Fundo Nacional de Cultura. Já a Câmara Brasileira do Livro teve autorização para captar, via Lei Rouanet, R$ 13 milhões, dos quais nada ainda foi captado. Então, o que temos garantido hoje são R$ 15 milhões, e ainda faltam R$ 3 milhões para fechar o orçamento. Esse dinheiro virá ou de renúncia fiscal ou de patrocínio.

Houve algumas críticas sobre possíveis atrasos da preparação brasileira para Frankfurt. Alguma dessas críticas chegou ao senhor?
Com relação a prazos, nada chegou a mim. O que eu sei é que houve uma preocupação natural em relação à mudança na presidência da Biblioteca. Essas coisas são institucionais, mas envolvem relações pessoais. Então, quando há uma mudança dessas, surgem incertezas. Mas eu garanto que estamos trabalhando com a perspectiva de realizar o projeto na integridade.
Uma pergunta que é feita há anos e cuja resposta sempre foi um pouco nebulosa é sobre o número de municípios brasileiros ainda sem bibliotecas. O senhor sabe quantos faltam?
Eu não sei o número para te dizer, mas sei que é um número vergonhoso. A questão não é apenas o número de municípios sem biblioteca, mas temos que nos perguntar que bibliotecas existem e que pessoas trabalham nessas bibliotecas. Há gente que trabalha sem salários, com heroísmo. Essa é uma preocupação fortíssima da Elisa Machado, que dirige o Sistema Nacional de Bibliotecas: dar consistência a esse sistema, criando bibliotecas e fortalecendo as bibliotecas que existem.
É curioso porque, quando Galeno Amorim assumiu a presidência da Biblioteca Nacional, há pouco mais de dois anos, ele disse que faltavam “poucas dezenas” de municípios sem biblioteca no Brasil.
Eu não acho. A leitura no Brasil ainda é muito pequena, precisamos aumentar a familiaridade do brasileiro com o livro. Temos que ver isso realisticamente, como um obstáculo e desafio. Não como uma maldição que se abateu sobre a gente. A democratização do país não é só poder votar e ter liberdade para dizer o que pensa, democratização é a população ter acesso à cultura. E a biblioteca é um espaço fundamental desse processo.


Fonte:
http://www.brasilquele.com.br/

A primeira biblioteca verde da América Latina é no Rio


Cariocas que amam leitura poderão, a partir de setembro, desfrutar de um espaço que os deixará ainda mais conscientes, inclusive do ponto de vista ambiental. Em obras desde 2008, a Biblioteca Estadual do Rio de Janeiro, na Avenida Presidente Vargas, no Centro, reabrirá suas portas como o primeiro espaço cultural da América Latina a ser abastecido por uma usina de energia solar, que vai reduzir o consumo do local em 30%.

Estruturada na cobertura do prédio, a usina fotovoltáica tem 162 placas que, através de 6 conversores, transformam a energia do sol em elétrica. Com isso, a biblioteca alcançará um patamar de eficiência energética suficiente para concorrer ao Selo de Ouro do LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental) — a mais alta qualificação para edifícios sustentáveis.

E as iniciativas sustentáveis da biblioteca não param por aí: haverá também captação de água da chuva para o abastecimento de pias automáticas e descargas dos banheiros. Nas salas de leitura, mesas e cadeiras utilizam fibras de garrafas PET em sua confecção e os assentos são revestidos com couro vegetal. O prédio conta, ainda, com um teto verde, ecossistema sustentável que ajuda no resfriamento do ambiente. E nem a edificação passou despercebida, pois o entulho foi direcionado a recicladoras.

“Respeitar o Meio Ambiente é uma questão cultural, pois requer consciência, acesso à informação e senso crítico”, afirma Vera Saboya, superintendente de Leitura e Conhecimento. “Por isso, entendemos que a principal biblioteca do Estado deveria se colocar no espaço público de forma que evidenciasse esses valores”, complementa.

A iniciativa é uma parceria entre o Governo do Estado e a Light, através do Programa Rio Capital da Energia, orçado em R$ 585 mil. Segundo a superintendente, o objetivo é que as demais bibliotecas públicas do Rio também sigam o modelo.

Programa educativo e visitas guiadas

Quem visitar o prédio da biblioteca depois de pronto terá uma série de motivos para sair mais informado sobre questões ligadas a sustentabilidade e Meio Ambiente.

A Biblioteca do Estado do Rio está desenvolvendo um Programa de Educação Ambiental destinado ao público, que visa discutir a temática ecológica nas mais diversas plataformas culturais. Para começar, o prédio contará com uma sala de projeção e um auditório que exibirão filmes e peças abordando assuntos da natureza.

Serão oferecidas, ainda, visitas guiadas que detalharão a estrutura sustentável do edifício, além da distribuição de panfletos que ensinam as crianças a se comportarem em prol do Meio Ambiente.

Estado conta com outras instituições sustentáveis

A energia renovável não é exclusividade da Biblioteca estadual. O Programa Rio Capital da Energia possui outras 34 iniciativas como essa, que contam com parcerias do Governo do Estado e empresas privadas, somando R$ 500 milhões em investimentos.

Um dos projetos é o Maracanã Solar, em que placas de captação dos raios serão colocadas na parte de cima do estádio. O sistema ocorre em parceria com a Light e, nos horários de maior incidência de luz, vai gerar uma quantidade de energia capaz de abastecer 200 residências.

Outro projeto será a construção de um prédio com 35 laboratórios na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que visa aumentar a infraestrutura para pesquisas em Tecnologias para Combustíveis Limpos. O esquema terá colaboração da Petrobras.

O Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Rio de Janeiro (Into) não faz parte do Programa, mas já é figura conhecida em sustentabilidade. O prédio conta com painéis solares utilizados para o aquecimento da água de chuveiros, sistema de tratamento de esgoto, reaproveitamento de água pluvial e reciclagem do lixo.